quarta-feira, 24 de setembro de 2014

um embate glo­bal

A batalha do Brasil


Brasil de Fato





Se Dil­ma Rousseff alcançar a reeleição, o Brasil manterá (e, talvez, até aprofundará) seu papel entre os defensores de um mundo “multilateral”, palavra-código para a di­luição do poder imperial dos EUA

17/09/2014



Por Igor Fuser

Mais além das particularidades de cada um, os confli­tos políticos do mundo atual têm sua chave explicativa no modo como se inserem em um contexto maior, aque­le que dá a tônica das relações internacionais desde o fim da Guerra Fria. Trata-se do empenho dos Estados Unidos em estender sua hegemonia a todo o planeta, eliminando ou anulando qualquer ator com capacidade para se opor às preferências e interesses do Império, mesmo em esca­la regional.

Aí reside a dimensão geopolítica de conflitos tão dife­rentes quanto a campanha golpista contra o chavismo na Venezuela, a guerra civil na Síria e a ofensiva liberal-fas­cista contra a Rússia (e os russos) na Ucrânia. Aí se si­tua, igualmente, a importância do Brics e da Unasul, esses dois pedregulhos nos sapatos do Tio Sam. Por mais limi­tadas que sejam essas iniciativas, sua simples existência propicia um espaço mais favorável à construção de “um mundo onde caibam muitos mundos”, nas palavras do Subcomandante Marcos.

As eleições brasileiras fazem parte desse embate glo­bal. Nem o imperialismo estadunidense nem os variados atores que se antepõem a ele são indiferentes ao futuro político do Brasil – um país de destaque entre os perifé­ricos erroneamente chamados de “emergentes”. Se Dil­ma Rousseff alcançar a reeleição, o Brasil manterá (e, talvez, até aprofundará) seu papel entre os defensores de um mundo “multilateral”, palavra-código para a di­luição do poder imperial dos EUA. Na América Latina, o cenário será mais propício para uma integração regio­nal voltada para o desenvolvimento econômico e social e para a redução das diferenças, tanto as que separam os países uns dos outros quanto as existentes dentro de ca­da um deles.

Se, ao contrário, a atual presidenta for substituída por Marina Silva ou Aécio Neves (o que dá na mesma, vis­ta a crescente convergência entre eles), a política exter­na “ativa e altiva” desaparecerá. O que virá em seu lugar já se pode vislumbrar com nitidez: submissão aos inte­resses dos EUA, adesão aos blocos de livre-comércio de figurino neoliberal, distanciamento dos parceiros latino­-americanos que hoje compartilham o mesmo anseio de integração soberana.

Em síntese, festa em Wall Street, Tel Aviv e Miami; des­conforto em Moscou, Ramallah e Caracas. À parte tudo o que nos diz respeito na esfera doméstica, é também isso o que estará em jogo em outubro próximo.

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