terça-feira, 31 de dezembro de 2013

juízo, bom senso e rebeldia

2014 será um ano histórico para o Brasil

Posted by eduguim on 31/12/13 • Blog da Cidadania





O ano que o Brasil deixa para trás transcorreu sob o signo da convulsão social e da revolução política, mas, apesar dos eventos de expressiva importância que vimos eclodir ao longo desses 365 dias, 2013 não se compara ao que espera este país em 2014.

Dois fatos marcaram para sempre esta grande nação no ano que ora deixa nossas vidas para entrar para a história: a onda de protestos e o inédito encarceramento de políticos importantes.

Sobre os protestos de junho, o que impressiona é terem ocorrido em um momento em que a qualidade de vida nunca foi tão boa e tão promissora no país. Com salários crescendo e emprego farto, com distribuição de renda e com a pobreza despencando ano a ano, centenas de milhares de brasileiros foram as ruas protestar sem uma causa definida.

Não que todos os nossos problemas tenham sido solucionados. Muito pelo contrário. O nível de pobreza, de injustiça social, de violência urbana e rural e a péssima qualidade dos serviços públicos são, sim, razão muito mais do que suficiente para qualquer povo protestar.

Todavia, o que impressiona é que tais protestos tenham ocorrido em um momento em que a vida de todos melhorou tanto, ao passo que, há uma década, este país estava falido, todo mundo estava desempregado, os salários estavam cada vez mais aviltados e o povo não protestava.

Claro que não foi propriamente o povo que foi às ruas, mas um setor da sociedade que melhorou menos de vida do que a maioria empobrecida. Com efeito, a classe média viu os mais pobres avançarem bem mais do que si e esse foi o mote dos protestos.

Os brasileiros que foram às ruas em junho de 2013, pela primeira vez na história contemporânea não clamaram por mais empregos e por salários melhores, o que mostra que esses dramas o país deixou para trás; clamaram por melhores serviços públicos, como transporte.

Esse fenômeno é histórico, inédito e revelador de quanto a última década melhorou este país. Até a aurora do século XXI, as demandas dos brasileiros eram por empregos suficientes e salários decentes; o Brasil superou essas deficiências e poucos perceberam.

Já no campo estritamente político, o julgamento e o encarceramento relâmpago de políticos importantes em um país em que políticos de tal estatura só eram penalizados tão duramente pela lei durante ditaduras têm sido vistos como avanço, mas também como retrocesso.

É lícito dizer que a causa primeira da corrupção no Brasil – que, reconheçamos, é maior do que em nações em estágio civilizatório mais avançado – se deve à impunidade. Contudo, ao menos até o momento o encarceramento de políticos petistas soa muito mais como um golpe político do que como reversão da histórica impunidade que vige para os mais abastados neste país.

O que parece ter acontecido em 2013 não foram prisões de políticos, mas prisões políticas. Afinal, políticos envolvidos em processos análogos ao do mensalão do PT, só que da corrente política adversária – do PSDB –, foram beneficiados pelas rotas de fuga que o Judiciário sempre propiciou às elites.

O dito “mensalão do PSDB” ter sido tratado pela Justiça de forma tão diferente da que foi usada para o do PT, com o desmembramento do primeiro processo – que foi negado ao segundo – e com a demora muito maior para julgar o caso envolvendo tucanos desmonta a tese do “fim da impunidade”.

Não há perspectiva, pois, de ver políticos-símbolo da corrupção como um Paulo Maluf, um Demóstenes Torres, um Marconi Perillo, um Eduardo Azeredo e tantos outros serem penalizados como foram os petistas.

Qual é a novidade, então, na forma como a Justiça trata a classe política? Não é, infelizmente, a nossa Justiça tratar os membros das elites como trata o povão. A novidade é – durante suposta vigência da democracia – pessoas serem penalizadas por razões políticas.

É lícito dizer, pois, que 2013 não foi um bom ano para a democracia brasileira. Protestos políticos ocorrendo quando as razões para protestar diminuíram tanto e pessoas sendo encarceradas por razões políticas são fatos que desautorizam otimismo com 2014.

O pior é que os grupos políticos que engendraram e fizeram vingar protestos de rua e critérios políticos em um julgamento que, em respeito à democracia, deveria deixar a política de fora, prometem fazer tudo isso de novo em 2014, só que, agora, em ano eleitoral…

O que tornará 2014 um ano histórico para o país também tem relação com a Copa do Mundo. Passaram-se décadas e décadas desde que o Brasil sediou evento internacional de tal importância. Os olhos do mundo estarão voltados para nós no ano que entra.

Os protestos terão, reconhecidamente, potencial para apear do poder o grupo político que fez o Brasil avançar socialmente como nunca ocorrera em toda a sua história em período tão curto. E de desmoralizar o país perante o mundo.

Não é pouco.

A derrota imensurável que ameaça o país em 2014, porém, pode não ocorrer. O brasileiro poderá dar uma demonstração de maturidade premiando um governo – ou uma série de governos – que lhe melhorou a vida e poderá, assim, dizer não aos que pretendem sabotar a imagem do país e sua economia com fins eleitorais.

O caráter histórico de 2014, portanto, poderá decorrer não só da rendição do país aos interesses inconfessáveis que querem desmoralizá-lo internacionalmente e recolocar no poder os que tanto pioraram a vida do povo como poderá decorrer da recusa desse povo a se render.

A volta ao poder dos que fizeram o Brasil chegar ao século XXI de joelhos e que não se cansam de prometer o desmonte do Estado de Bem Estar Social que vai sendo construído a duras penas pode gerar, na segunda metade desta década, uma convulsão social.

A destruição da imagem do Brasil perante o mundo – via transformá-lo em um campo de guerra durante evento que deveria ser uma festa de reafirmação do país como potência emergente – aprofundaria o caos social e econômico que pode eclodir a partir de 2015.

O caráter histórico de 2014, portanto, estará em que este povo terá o próprio destino nas mãos como nunca terá tido antes. Teremos, no ano que entra, o poder de melhorar muito as nossas vidas, mas também teremos o poder piorá-las de forma dramática.

A decisão será nossa e só nossa. Assim sendo, o que de melhor se pode desejar para o povo brasileiro em 2014, além de “Muito dinheiro no bolso e saúde pra dar e vender”, é, pura e simplesmente, muito, muito, mas muito juízo mesmo.

Um feliz e ajuizado 2014 para todos, pois.

domingo, 29 de dezembro de 2013

PIG: essa mestiçagem é burra e preguiçosa, não se dá ao trabalho de saber


PIG MENTE, MANIPULA, E NÃO
CANSA DE SER DESMASCARADO


Foi o melhor Natal da história, mas o PìG diz que foi o pior

Conversa Afiada





Amigo navegante enviou ao Conversa Afiada mais uma proeza do PiG (*):


Olá, PH!

Hoje, ao abrir o site pigal “G1″ me deparo, em sua página principal, com a seguinte notícia: “Shoppings tem pior natal em vendas nos útlimos 5 anos”. Curioso, cliquei na notícia. Qual não foi minha surpresa, a manchete que aparece é: “Vendas de Natal em shoppings crescem 5% em 2013, diz Alshop”. Não me contive e decidi ler a notícia, para ver o pq de na capa estar uma manchete negativa e na matéria em si o título da mesma em tom positivo. Aí que doeu o pouco da inteligência que tenho. Segundo a matéria, o crescimento de 5% só foi possível pelo aumento da abertura de novas lojas no país, mas que se fosse considerar apenas as lojas que já vendiam em outros anos, o natal não “bombou”.

O PIG perdeu a noção do bom senso. Utilizar esse malabarismo para ficar no quanto pior melhor, já está manjado. Eles estão desesperados, fazendo qualquer coisa para tomar o poder em 2014.

Seguem anexo os 2 prints que dei na referida matéria.

Abraços!










Em tempo: Saiu no Blog da Cidadania, de Eduardo Guimarães:


FOI O MELHOR NATAL DA HISTÓRIA, MAS A MÍDIA DIZ QUE FOI O PIOR


Nunca antes na história deste país o comércio vendeu tanto quanto no Natal de 2013. Os shoppings e as ruas de comércio foram ocupados por verdadeiras massas humanas. Encontrar vagas nos estacionamentos foi praticamente impossível. As filas para pagar pelas compras foram quilométricas. A avidez do consumidor brasileiro continua crescendo sem parar.

Apesar do que todos os que saíram para comprar sentiram – e comentaram entre si enquanto esperavam nas lojas para ser atendidos ou para pagar pelas compras –, os grandes meios de comunicação, no primeiro dia útil após o Natal, elaboraram manchetes que induzem o público a crer que o país está terminando 2013 a pão e água.

Como todos neste país, o blogueiro também foi às compras. Enquanto tentava “laçar” um vendedor para atendê-lo ou enquanto mofava nas imensas filas que se formaram nos caixas, ouviu várias vezes uma frase que você, leitor, também deve ter ouvido: “Isso é porque estamos em crise”.

A frase em questão quer dizer que, apesar de vermos a mídia alardear diariamente que o país está empobrecido, endividado e estagnado, o que o cidadão comum percebe em seu dia a dia é que todos estamos com o poder aquisitivo nos píncaros da glória e que o problema, na verdade, parece ser falta de oferta de produtos e mais lugares para comprar.

Não foi por outra razão que, segundo o jornal Folha de São Paulo, ao longo de 2013 foram inaugurados nada mais, nada menos do que 38 novos shoppings contra 27 em 2012.

O site Brasil Econômico mostra que o faturamento desses centros de compras também cresceu bem em 2013. Em 2012, os shoppings faturaram R$ 119,5 bilhões e, em 2013, R$ 132,8 bilhões, um crescimento de 6,95% deste ano para o ano passado contra um crescimento de 10,65% de 2011 para 2012.

Esse dado desmascara a pegadinha armada pela mídia de oposição ao governo federal, que distorceu os dados descaradamente para tentar enganar aqueles brasileiros que foram às compras alucinadamente, brandindo seus cartões de crédito e débito na esperança de atrair algum vendedor nas lojas de comércio lotadas.

Matéria de capa da Folha de São Paulo de 6ª feira (27 de dezembro) diz que “(…) Vendas de shopping ficam estáveis sem levar em conta os novos empreendimentos (…)”. Com base nessa manobra, o jornal excluiu da conta os 38 novos shoppings de 2013 sem excluir os 27 novos shoppings de 2012 para, ao fim, concluir que o crescimento nas vendas foi de “apenas” 2,7%.

Como a cada ano da última década as vendas de Natal sempre superaram as do ano anterior – e como neste ano não foi diferente –, o dado concreto é o de que 2013 teve o melhor Natal da história do país.

Em 500 anos, o comércio brasileiro nunca vendeu tanto nesta época do ano. Mas a tramoia midiática vendeu um crescimento menor nas vendas como sendo “o pior Natal em 11 anos” quando o correto seria dizer que as vendas não cresceram em 2013 tanto quanto cresceram nos anos anteriores, mas que continuam crescendo.

O mais ridículo em tudo isso, porém, está sendo a avaliação de que teria se “esgotado” o modelo econômico baseado no crescimento do consumo, o que não passa de uma invenção, pois o modelo de crescimento do Brasil é baseado na inclusão no mercado de consumo, sendo este apenas uma decorrência daquele.

Segundo a mídia, o Brasil não tem mais para onde crescer com base na entrada de consumidores no mercado. É uma sandice tão grande que se chega a duvidar que tenha sido dita. Como é possível que um país com tanta gente que não consegue consumir mais do que o básico não tenha mais como crescer incluindo quem ainda não pode consumir?

Se isso fosse verdade, significaria que o Brasil acabou com a pobreza e com a miséria, o que, infelizmente, está longe de ser verdade, apesar da forte inclusão dos mais pobres no mercado de consumo de massas que os governos petistas começaram a construir ao longo da última década e que, por certo, está longe de ter chegado ao ponto ideal.



Em tempo2: O mesmo PiG, que foi desmascarado com as vendas de Natal deste ano, comemorava queda de 2% nas vendas do mesmo período na época do Príncipe da Privataria:

Leia aqui, no Tijolaço.





(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

sábado, 28 de dezembro de 2013

jornalista sempre teve patrão! uns obedecem a cabeça dos outros, submissos ao bolso


Hildegard Angel: ‘Não estou vendo fantasmas; o Projeto do Mal de 64 ganha corpo’

publicado em 26 de dezembro de 2013 às 23:27




Stuart e Zuzu Angel, irmão e mãe de Hildegard assassinados pela ditadura civil-militar

A GENTE NUNCA PERDE POR SER LEGÍTIMO, MAS QUEM CONTA A HISTÓRIA SÃO OS VENCEDORES, NÃO ESQUEÇAM!

por Hildegard Angel, em seu blog, sugerido por Messias Franca de Macedo

O fascismo se expande hoje nas mídias sociais, forte e feioso como um espinheiro contorcido, que vai se estendendo, engrossando o tronco, ampliando os ramos, envolvendo incautos, os jovens principalmente, e sufocando os argumentos que surgem, com seu modo truculento de ser.

Para isso, utiliza-se de falsas informações, distorções de fatos, episódios, números e estatísticas, da História recente e da remota, sem o menor pudor ou comprometimento com a verdade, a não ser com seu compromisso de dar conta de um Projeto.

Sim, um Projeto moldado na mesma forma que produziu 1964, que, os minimamente informados sabem, foi fruto de um bem urdido plano, levando uma fatia da população brasileira, a crédula classe média, a um processo de coletiva histeria, de programado pânico, no receio de que o país fosse invadido por malvados de um fictício Exército Vermelho, que lhes tomaria os bens e as casas, mataria suas criancinhas, lhes tiraria a liberdade de ir, vir e até a de escolher.

Assim, a chamada elite, que na época formava opinião sobre a classe média mais baixa e mantinha um “cabresto de opinião” sobre seus assalariados, foi às ruas com as marchas católicas engrossadas pelos seus serviçais ao lado das bem intencionadas madames.

Elas mais tarde muito se arrependeram, ao constatar o quanto contribuíram para mergulhar o país nos horrores de maldades medievais.

Agora, os mesmos coroados, arquitetos de tudo aquilo, voltam a agir da mesma forma e reescrevem aquele conto de horror, fazendo do mocinho bandido e do bandido mocinho, de seu jeito, pois a História, meus amores, é contada pelos vencedores. E eles venceram. Eles sempre vencem.

Sim, leitores, compreendo quando me chamam de “esquerdista retardatária” ou coisa parecida. Esse meu impulso, certamente tardio, eu até diria sabiamente tardio, preservou-me a vida para hoje falar, quando tantos agora se calam; para agir e atuar pela campanha de Dilma, nos primórdios do primeiro turno, quando todos se escondiam, desviavam os olhos, eram reticentes, não declaravam votos, não atendiam aos telefonemas, não aceitavam convites.

Essa minha coragem, como alguns denominam, de apoiar José Dirceu, que de fato sequer meu amigo era, e de me aprofundar nos meandros da AP 470, a ponto de concluir que não se trata de “mensalão”, conforme a mídia a rotula, mas de “mentirão – royalties para mim, em pronunciamento na ABI – eu, a tímida, medrosa, reticente “Hildezinha”, ousando pronunciamentos na ABI! O que terá dado nela? O que terá se operado em mim?

Esse extemporâneo destemor teve uma irrefreável motivação: o medo maior do que o meu medo. Medo da Sombra de 64. Pânico superior àquele que me congelou durante uma década ou mais, que paralisou meu pensamento, bloqueou minha percepção, a inteligência até, cegou qualquer possibilidade de reação, em nome talvez de não deixar sequer uma fresta, passagem mínima de oxigênio que fosse à minha consciência, pois me custaria tal dor na alma, tal desespero, tamanha infelicidade, noção de impotência absoluta e desesperança, perceber a face verdadeira da Humanidade, o rosto real daqueles que aprendi a amar, a confiar…

Não, eu não suportaria respirar o mesmo ar, este ar não poderia invadir os meus pulmões, bombear o meu coração, chegar ao meu cérebro. Eu sucumbiria à dor de constatar que não era nada daquilo que sempre me foi dito pelos meus, minha família, que desde sempre me foi ensinado. O princípio e mandamento de que a gente pode neutralizar o mal com o bem. Eu acreditava tão intensamente e ingenuamente no encanto da bondade, que seguia como se flutuasse sobre a nojeira, sem percebê-la, sem pisar nela, como se pisasse em flores.

E aí, passadas as tragédias, vividas e sentidas todas elas em nossas carnes, histórias e mentes, porém não esquecidas, viradas as páginas, amenizado o tempo, quando testemunhei o início daquela operação midiática monumental, desproporcional, como se tanques de guerra, uma infantaria inteira, bateria de canhões, frotas aérea e marítima combatessem um único mortal, José Dirceu, tentando destrui-lo, eu percebi esgueirar-se sobre a nossa tão suada democracia a Sombra de 64!

Era o início do Projeto tramado para desqualificar a luta heroica daqueles jovens martirizados, trucidados e mortos por Eles, o establishment sem nomes e sem rostos, que lastreou a Ditadura, cuja conta os militares pagaram sozinhos. Mas eles não estiveram sozinhos.

Isso não podia ser, não fazia sentido assistir a esse massacre impassível. Decidi apoiar José Dirceu. Fiz um jantar de apoio a ele em casa, Chamei pessoas importantes, algumas que pouco conhecia. Cientistas políticos, jornalistas de Brasília, homens da esquerda, do centro, petistas, companheiros de Stuart do MR8, religiosos, artistas engajados. Muitos vieram, muitos declinaram. Foi uma reunião importante. A primeira em torno dele, uma das raras. Porém não a única. E disso muito me orgulho.

Um colunista amigo, muito importante, estupefato talvez com minha “audácia” (ou, quem sabe, penalizado), teve o cuidado de me telefonar na véspera, perguntando-me gentilmente se eu não me incomodava de ele publicar no jornal que eu faria o jantar. “Ao contrário – eu disse – faço questão”.

Ele sabia que, a partir daquele momento, eu estaria atravessando o meu Rubicão. Teria um preço a pagar por isso.

Lembrei-me de uma frase de minha mãe: “A gente nunca perde por ser legítima”. Ela se referia à moda que praticava. Adaptei-a à minha vida.

No início da campanha eleitoral Serra x Dilma, ao ler aqueles sórdidos emails baixaria que invadiam minha caixa, percebi com maior intensidade a Sombra de 64 se adensando sobre nosso país.

Rapidamente a Sombra ganhou corpo, se alastrou e, com eficiência, ampliou-se nestes anos, alcançando seu auge neste 2013, instaurando no país o clima inquisitorial daquela época passada, com jovens e velhos fundamentalistas assombrando o Facebook e o Twitter. Revivals da TFP, inspirando Ku Klux Klan, macartismo e todas as variações de fanatismo de direita.

É o Projeto do Mal de 64, de novo, ganhando corpo. O mesmo espinheiro das florestas de rainhas más, que enclausuram príncipes, princesas, duendes, robin hoods, elfos e anõezinhos.

Para alguns, imagens toscas de contos de fadas. Para mim, que vi meu pai americano sustentar orfanato de crianças brasileiras produzindo anõezinhos de Branca de Neve de jardim, e depois uma Bruxa Má, a Ditadura, vir e levar para sempre o nosso príncipe encantado, torturando-o em espinheiros e jamais devolvendo seu corpo esfolado, abandonado em paradeiro não sabido, trata-se de um conto trágico, eternamente real.

Como disse minha mãe, e escreveu a lápis em carta que entregou a Chico Buarque às vésperas de ser assassinada: “Estejam certos de que não estou vendo fantasmas”.

Feliz Ano Novo.

Inclusive para aqueles injustamente enclausurados e cujas penas não estão sendo cumpridas de acordo com as sentenças.

É o que desejo do fundo de meu coração.

Leia também:


Lassance: Enquete mostra que vem chumbo grosso em 2014


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Engane-se quem quiser: 2014, 2018, 2022... é sobre o Pre´-Sal!

Uma pequena contribuição do baitasar para reflexão:

jornalista tem patrão, não esqueça!


"Ocê pensa qui sabe, mais o qui ocê sabe pode tá errado, ocê precisa conversá sobre o qui tá descobrindo, pra podê escutá, fazê o balanço dos conhecimento da própria cabeça e as notícia qui tá fora da cabeça. Os anunciadô das notícia só grita quando o patrão deixa, esconde os grito qui o patrão não qué escutá. Todo mundo tem patrão, não esquece, uns obedece mais qui os outro, mais ninguém deixa de obedecê." baitasar

Sugestão de leitura para conhecer além das revistas, jornais da tv e redes sociais raivosas



"No entanto, prefiro indicar um outro, aparentemente fora do assunto: A América Latina, Males de origem (1905), de Manuel Bonfim. Nele a independência é de fato o eixo, porque, depois de analisar a brutalidade das classes dominantes, parasitas do trabalho escravo, mostra como elas promoveram a separação política para conservar as coisas como eram e prolongar o seu domínio. Daí (é a maior contribuição do livro) decorre o conservadorismo, marca da política e do pensamento brasileiro, que se multiplica insidiosamente de várias formas e impede a marcha da justiça social. Manuel Bonfim não tinha a envergadura de Oliveira Lima, monarquista e conservador, mas tinha pendores socialistas que lhe permitiram desmascarar o panorama da desigualdade e da opressão no Brasil (e em toda a América Latina)." Antônio Candido 

jornalista também tem patrão!


Foi o melhor Natal da história, mas a mídia diz que foi o pior

Posted by eduguim on 27/12/13 • Blog da Cidadania





Nunca antes na história deste país o comércio vendeu tanto quanto no Natal de 2013. Os shoppings e as ruas de comércio foram ocupados por verdadeiras massas humanas. Encontrar vagas nos estacionamentos foi praticamente impossível. As filas para pagar pelas compras foram quilométricas. A avidez do consumidor brasileiro continua crescendo sem parar.

Apesar do que todos os que saíram para comprar sentiram – e comentaram entre si enquanto esperavam nas lojas para ser atendidos ou para pagar pelas compras –, os grandes meios de comunicação, no primeiro dia útil após o Natal, elaboraram manchetes que induzem o público a crer que o país está terminando 2013 a pão e água.

Como todos neste país, o blogueiro também foi às compras. Enquanto tentava “laçar” um vendedor para atendê-lo ou enquanto mofava nas imensas filas que se formaram nos caixas, ouviu várias vezes uma frase que você, leitor, também deve ter ouvido: “Isso é porque estamos em crise”.

A frase em questão quer dizer que, apesar de vermos a mídia alardear diariamente que o país está empobrecido, endividado e estagnado, o que o cidadão comum percebe em seu dia a dia é que todos estamos com o poder aquisitivo nos píncaros da glória e que o problema, na verdade, parece ser falta de oferta de produtos e mais lugares para comprar.

Não foi por outra razão que, segundo o jornal Folha de São Paulo, ao longo de 2013 foram inaugurados nada mais, nada menos do que 38 novos shoppings contra 27 em 2012.

O site Brasil Econômico mostra que o faturamento desses centros de compras também cresceu bem em 2013. Em 2012, os shoppings faturaram R$ 119,5 bilhões e, em 2013, R$ 132,8 bilhões, um crescimento de 6,95% deste ano para o ano passado contra um crescimento de 10,65% de 2011 para 2012.

Esse dado desmascara a pegadinha armada pela mídia de oposição ao governo federal, que distorceu os dados descaradamente para tentar enganar aqueles brasileiros que foram às compras alucinadamente, brandindo seus cartões de crédito e débito na esperança de atrair algum vendedor nas lojas de comércio lotadas.

Matéria de capa da Folha de São Paulo de 6ª feira (27 de dezembro) diz que “(…) Vendas de shopping ficam estáveis sem levar em conta os novos empreendimentos (…)”. Com base nessa manobra, o jornal excluiu da conta os 38 novos shoppings de 2013 sem excluir os 27 novos shoppings de 2012 para, ao fim, concluir que o crescimento nas vendas foi de “apenas” 2,7%.

Como a cada ano da última década as vendas de Natal sempre superaram as do ano anterior – e como neste ano não foi diferente –, o dado concreto é o de que 2013 teve o melhor Natal da história do país.

Em 500 anos, o comércio brasileiro nunca vendeu tanto nesta época do ano. Mas a tramoia midiática vendeu um crescimento menor nas vendas como sendo “o pior Natal em 11 anos” quando o correto seria dizer que as vendas não cresceram em 2013 tanto quanto cresceram nos anos anteriores, mas que continuam crescendo.

O mais ridículo em tudo isso, porém, está sendo a avaliação de que teria se “esgotado” o modelo econômico baseado no crescimento do consumo, o que não passa de uma invenção, pois o modelo de crescimento do Brasil é baseado na inclusão no mercado de consumo, sendo este apenas uma decorrência daquele.

Segundo a mídia, o Brasil não tem mais para onde crescer com base na entrada de consumidores no mercado. É uma sandice tão grande que se chega a duvidar que tenha sido dita. Como é possível que um país com tanta gente que não consegue consumir mais do que o básico não tenha mais como crescer incluindo quem ainda não pode consumir?

Se isso fosse verdade, significaria que o Brasil acabou com a pobreza e com a miséria, o que, infelizmente, está longe de ser verdade, apesar da forte inclusão dos mais pobres no mercado de consumo de massas que os governos petistas começaram a construir ao longo da última década e que, por certo, está longe de ter chegado ao ponto ideal.


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Se engane quem quiser, mas 2014, 2018, 2022... é sobre o Pré-Sal!

Uma pequena contribuição do baitasar

"Mais qué sabê, me fioneto, pió qui não sabê é sabê errado, é sê informado com os informante do patrão. Cada palavra qui sai do esconderijo - na garganta do enganadô das notícia - tem o mesmo caso pensado: botá na cabeça dos afoito desprevenido o conhecimento enganado, veneno qui mata aos pouquinho. É trabalhoso separá os bão das erva daninha, tem qui pensá no qui vê e no qui não vê, escutá o qui ouve e o qui não ouve, sê um bão ouvidô. O silêncio dos informante enganadô é o desenho da sua obediência. Eles só grita quando o patrão deixa, esconde os grito qui o patrão não qué escutá. Todo mundo tem patrão, não esquece, uns obedece mais qui os outro, mais ninguém deixa de obedecê." baitasar

Sugestão de leitura para conhecer além das revistas e jornais da tv

O Povo Brasileiro
A formação e o sentido do Brasil
Darcy Ribeiro


Ribeiro, Darcy, 1922-1997.
        O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil / Darcy Ribeiro. São Paulo : Companhia das Letras, 2006.




sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Feliz Natal na periferia


O rolezinho e um Natal na periferia




Por Renato Rovai, em seu blog:


A mãe que trabalha de manicure e faxineira comprou um lindo relógio de presente de Natal para o marido, que é empreiteiro.

O filho, de 16 anos, que trabalha com o pai, pediu pra dar uma volta com o presente novo. Queria mostrar pros amigos. Saiu de casa e em menos de 30 minutos estava de volta.

Tinha sido assaltado.

Um carro da PM parou os garotos, deu uma blitz e um dos policiais ficou indignado com o que viu.

- Como você tem um relógio desses, garoto? Ladrãozinho, né?

O garoto tentou explicar que era do pai.

Não adiantou.

Tomou um chacoalhão e ainda viu o policial levar os 30 reais que tinha na carteira.

Voltou para casa desolado, com raiva e chorando.

A mãe me contou essa história hoje pela manhã, remediada.

É comum, me disse.

Garotos de periferia que saem bem vestidos e são parados em blitz costumam ser assaltados e apanhar da polícia.

São tratados como malandros.

Ladrãzinhos.

Os rolezinhos que assustam os frequentadores de shopping centers são café pequeno. Sobremesas do que essa garotada passa diariamente.

E são apenas um alerta.

Um grito de existência.

Por enquanto eles só estão pedindo para que se respeite o direito deles à diversão. A poder fazer seus bailes funks sem serem atormentados e agredidos.

Atendê-los o quanto antes, entender por que eles tem um ódio imenso da polícia e tentar criar uma nova situação é fundamental.

É bizarro que a gente considere esse apartheid social algo normal.

Feliz Natal para todos.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

o Papa Francisco e a extrema-direita


Papa Francisco e a ascensão do anticomunismo

Luis Nassif

qui, 26/12/2013 - 14:17

Sugerido por Sérgio T.

Do blog de Mauro Santayana

HABEMUS PAPAM

(JB) - Acusado por um conservador norte-americano de ser marxista, Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco, negou sê-lo, mas disse que não se sentia ofendido, por ter conhecido ao longo de sua vida, muitos marxistas que eram boas pessoas.

A declaração do Papa, evitando atacar ou demonizar os marxistas, e atribuindo-lhes a condição de comuns mortais, com direito a ter sua visão de mundo e a defendê-la, é extremamente importante, no momento que estamos vivendo agora. A ascensão irracional do anticomunismo mais obtuso e retrógrado, em todo o mundo - no Brasil, particularmente, está ficando “chic” ser de extrema direita – baseia-se em manipulação canalha, com que se tenta, por todos os meios, inverter e distorcer a história, a ponto de se estar criando uma absurda realidade paralela.

Estabelecem-se, financiados com dinheiro da direita fundamentalista, “Museus do Comunismo”; surgem por todo mundo, como nos piores tempos da Guerra Fria, redes de organizações anticomunistas, com a desculpa de se defender a democracia; atribuem-se, alucinadamente, de forma absolutamente fantasiosa, cem milhões de mortos ao comunismo.

Busca-se associar, até do ponto de vista iconográfico, o marxismo ao nacional-socialismo, quando, se não fossem a Batalha de Stalingrado, em que os Alemães e seus aliados perderam 850 mil homens e a Batalha de Berlim, vencidas pelas tropas do Exército Vermelho - que cercaram e ocuparam a capital alemã e obrigaram Hitler a se matar, como um rato, em seu covil - a Alemanha Nazista teria tido tempo de desenvolver sua própria bomba atômica e não teria sido derrotada.

Quem compara o socialismo ao nazismo, por uma questão de semântica, se esquece que, sem a heróica resistência, o complexo industrial-militar, e o sacrifício dos povos da União Soviética - que perdeu na Segunda Guerra Mundial 30 milhões de habitantes - boa parte dos anticomunistas de hoje, incluídos católicos não arianos e sionistas, teriam virado sabão nas câmaras de gás e nos fornos crematórios de Auschwitz, Birkenau e outros campos de extermínio.

Espalha-se, na internet – e um monte de beócios, uns por ingenuidade, outros por falta de caráter mesmo, ajudam a divulgar isso – que o Golpe Militar de 1964 - apoiado e financiado por uma nação estrangeira, os Estados Unidos – foi uma contra-revolução preventiva. O país era governado por um rico proprietário rural, João Goulart, que nunca foi comunista. Vivia-se em plena democracia, com imprensa livre e todas as garantias do estado de direito, e o povo preparava-se para reeleger Juscelino Kubitscheck Presidente da República em 1965.

1964 foi uma aliança de oportunistas. Civis que há anos almejavam chegar à Presidência da República e não tinham votos para isso, segmentos conservadores que estavam alijados dos negócios do governo e oficiais – não todos, graças a Deus – golpistas que odiavam a democracia e não admitiam viver em um país livre.

Em um mundo em que há nações, como o Brasil, em que padres fascistas pregam abertamente, na internet e fora dela, o culto ao ódio, e a mentira da excomunhão automática de comunistas, as declarações do Papa Francisco, lembrando que os marxistas são pessoas normais, como quaisquer outras - e não são os monstros apresentados pela extrema-direita fundamentalista e revisionista sob a farsa do “marxismo cultural” - representam um apelo à razão e um alento. Depois de anos dominada pelo conservadorismo, podemos dizer, pelo menos até agora, que Habemus Papam, com a clareza da fumaça branca saindo, na Praça de São Pedro, em dia de conclave, das veneráveis chaminés do Vaticano.Um Papa maiúsculo, preparado para fortalecer a Igreja, com o equilíbrio e o exemplo do Evangelho, e a inteligência, o sorriso, a determinação e a energia de um Pastor que merece ser amado e admirado pelo seu rebanho.

os informante do patrão

O silêncio dos informante enganadô













"Mais qué sabê, mi fioneto, pió qui não sabê é sabê errado, é sê informado com os 
informante do patrão. Cada palavra qui sai do esconderijo - na garganta do enganadô  das notícia - tem o mesmo caso pensado: botá na cabeça dos afoito desprevenido o conhecimento enganado, veneno qui mata aos pouquinho. É trabalhoso separá os bão das erva daninha, tem qui pensá no qui vê e no qui não vê, escutá o qui ouve e o qui não ouve, sê um bão ouvidô. O silêncio dos informante enganadô é o desenho da sua obediência. Eles só grita quando o patrão deixa, esconde os grito qui o patrão não qué escutá. Todo mundo tem patrão, não esquece, uns obedece mais qui os outro, mais ninguém deixa de obedecê." baitasar

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Um Homem do tamanho (imenso) do Brasil

Antonio Cândido indica 10 livros para conhecer o Brasil


Por Antonio Candido*, no blog da Boitempo

Quando nos pedem para indicar um número muito limitado de livros importantes para conhecer o Brasil, oscilamos entre dois extremos possíveis: de um lado, tentar uma lista dos melhores, os que no consenso geral se situam acima dos demais; de outro lado, indicar os que nos agradam e, por isso, dependem sobretudo do nosso arbítrio e das nossas limitações. Ficarei mais perto da segunda hipótese.

Como sabemos, o efeito de um livro sobre nós, mesmo no que se refere à simples informação, depende de muita coisa além do valor que ele possa ter. Depende do momento da vida em que o lemos, do grau do nosso conhecimento, da finalidade que temos pela frente. Para quem pouco leu e pouco sabe, um compêndio de ginásio pode ser a fonte reveladora. Para quem sabe muito, um livro importante não passa de chuva no molhado. Além disso, há as afinidades profundas, que nos fazem afinar com certo autor (e portanto aproveitá-lo ao máximo) e não com outro, independente da valia de ambos.

Por isso, é sempre complicado propor listas reduzidas de leituras fundamentais. Na elaboração da que vou sugerir (a pedido) adotei um critério simples: já que é impossível enumerar todos os livros importantes no caso, e já que as avaliações variam muito, indicarei alguns que abordam pontos a meu ver fundamentais, segundo o meu limitado ângulo de visão. Imagino que esses pontos fundamentais correspondem à curiosidade de um jovem que pretende adquirir boa informação a fim de poder fazer reflexões pertinentes, mas sabendo que se trata de amostra e que, portanto, muita coisa boa fica de fora.

São fundamentais tópicos como os seguintes: os europeus que fundaram o Brasil; os povos que encontraram aqui; os escravos importados sobre os quais recaiu o peso maior do trabalho; o tipo de sociedade que se organizou nos séculos de formação; a natureza da independência que nos separou da metrópole; o funcionamento do regime estabelecido pela independência; o isolamento de muitas populações, geralmente mestiças; o funcionamento da oligarquia republicana; a natureza da burguesia que domina o país. É claro que estes tópicos não esgotam a matéria, e basta enunciar um deles para ver surgirem ao seu lado muitos outros. Mas penso que, tomados no conjunto, servem para dar uma ideia básica.



Entre parênteses: desobedeço o limite de dez obras que me foi proposto para incluir de contrabando mais uma, porque acho indispensável uma introdução geral, que não se concentre em nenhum dos tópicos enumerados acima, mas abranja em síntese todos eles, ou quase. E como introdução geral não vejo nenhum melhor do que O povo brasileiro (1995), de Darcy Ribeiro, livro trepidante, cheio de ideias originais, que esclarece num estilo movimentado e atraente o objetivo expresso no subtítulo: “A formação e o sentido do Brasil”.

Quanto à caracterização do português, parece-me adequado o clássico Raízes do Brasil (1936), de Sérgio Buarque de Holanda, análise inspirada e profunda do que se poderia chamar a natureza do brasileiro e da sociedade brasileira a partir da herança portuguesa, indo desde o traçado das cidades e a atitude em face do trabalho até a organização política e o modo de ser. Nele, temos um estudo de transfusão social e cultural, mostrando como o colonizador esteve presente em nosso destino e não esquecendo a transformação que fez do Brasil contemporâneo uma realidade não mais luso-brasileira, mas, como diz ele, “americana”.

Em relação às populações autóctones, ponho de lado qualquer clássico para indicar uma obra recente que me parece exemplar como concepção e execução:História dos índios do Brasil (1992), organizada por Manuela Carneiro da Cunha e redigida por numerosos especialistas, que nos iniciam no passado remoto por meio da arqueologia, discriminam os grupos linguísticos, mostram o índio ao longo da sua história e em nossos dias, resultando uma introdução sólida e abrangente.

Seria bom se houvesse obra semelhante sobre o negro, e espero que ela apareça quanto antes. Os estudos específicos sobre ele começaram pela etnografia e o folclore, o que é importante, mas limitado. Surgiram depois estudos de valor sobre a escravidão e seus vários aspectos, e só mais recentemente se vem destacando algo essencial: o estudo do negro como agente ativo do processo histórico, inclusive do ângulo da resistência e da rebeldia, ignorado quase sempre pela historiografia tradicional. Nesse tópico resisto à tentação de indicar o clássico O abolicionismo (1883), de Joaquim Nabuco, e deixo de lado alguns estudos contemporâneos, para ficar com a síntese penetrante e clara de Kátia de Queirós Mattoso, Ser escravo no Brasil (1982), publicado originariamente em francês. Feito para público estrangeiro, é uma excelente visão geral desprovida de aparato erudito, que começa pela raiz africana, passa à escravização e ao tráfico para terminar pelas reações do escravo, desde as tentativas de alforria até a fuga e a rebelião. Naturalmente valeria a pena acrescentar estudos mais especializados, como A escravidão africana no Brasil (1949), de Maurício Goulart ou A integração do negro na sociedade de classes (1964), de Florestan Fernandes, que estuda em profundidade a exclusão social e econômica do antigo escravo depois da Abolição, o que constitui um dos maiores dramas da história brasileira e um fator permanente de desequilíbrio em nossa sociedade.

Esses três elementos formadores (português, índio, negro) aparecem inter-relacionados em obras que abordam o tópico seguinte, isto é, quais foram as características da sociedade que eles constituíram no Brasil, sob a liderança absoluta do português. A primeira que indicarei é Casa grande e senzala (1933), de Gilberto Freyre. O tempo passou (quase setenta anos), as críticas se acumularam, as pesquisas se renovaram e este livro continua vivíssimo, com os seus golpes de gênio e a sua escrita admirável – livre, sem vínculos acadêmicos, inspirada como a de um romance de alto voo. Verdadeiro acontecimento na história da cultura brasileira, ele veio revolucionar a visão predominante, completando a noção de raça (que vinha norteando até então os estudos sobre a nossa sociedade) pela de cultura; mostrando o papel do negro no tecido mais íntimo da vida familiar e do caráter do brasileiro; dissecando o relacionamento das três raças e dando ao fato da mestiçagem uma significação inédita. Cheio de pontos de vista originais, sugeriu entre outras coisas que o Brasil é uma espécie de prefiguração do mundo futuro, que será marcado pela fusão inevitável de raças e culturas.

Sobre o mesmo tópico (a sociedade colonial fundadora) é preciso ler tambémFormação do Brasil contemporâneo, Colônia (1942), de Caio Prado Júnior, que focaliza a realidade de um ângulo mais econômico do que cultural. É admirável, neste outro clássico, o estudo da expansão demográfica que foi configurando o perfil do território – estudo feito com percepção de geógrafo, que serve de base física para a análise das atividades econômicas (regidas pelo fornecimento de gêneros requeridos pela Europa), sobre as quais Caio Prado Júnior engasta a organização política e social, com articulação muito coerente, que privilegia a dimensão material.

Caracterizada a sociedade colonial, o tema imediato é a independência política, que leva a pensar em dois livros de Oliveira Lima: D. João VI no Brasil (1909) e O movimento da Independência (1922), sendo que o primeiro é das maiores obras da nossa historiografia. No entanto, prefiro indicar um outro, aparentemente fora do assunto: A América Latina, Males de origem (1905), de Manuel Bonfim. Nele a independência é de fato o eixo, porque, depois de analisar a brutalidade das classes dominantes, parasitas do trabalho escravo, mostra como elas promoveram a separação política para conservar as coisas como eram e prolongar o seu domínio. Daí (é a maior contribuição do livro) decorre o conservadorismo, marca da política e do pensamento brasileiro, que se multiplica insidiosamente de várias formas e impede a marcha da justiça social. Manuel Bonfim não tinha a envergadura de Oliveira Lima, monarquista e conservador, mas tinha pendores socialistas que lhe permitiram desmascarar o panorama da desigualdade e da opressão no Brasil (e em toda a América Latina).

Instalada a monarquia pelos conservadores, desdobra-se o período imperial, que faz pensar no grande clássico de Joaquim Nabuco: Um estadista do Império(1897). No entanto, este livro gira demais em torno de um só personagem, o pai do autor, de maneira que prefiro indicar outro que tem inclusive a vantagem de traçar o caminho que levou à mudança de regime: Do Império à República(1972), de Sérgio Buarque de Holanda, volume que faz parte da História geral da civilização brasileira, dirigida por ele. Abrangendo a fase 1868-1889, expõe o funcionamento da administração e da vida política, com os dilemas do poder e a natureza peculiar do parlamentarismo brasileiro, regido pela figura-chave de Pedro II.

A seguir, abre-se ante o leitor o período republicano, que tem sido estudado sob diversos aspectos, tornando mais difícil a escolha restrita. Mas penso que três livros são importantes no caso, inclusive como ponto de partida para alargar as leituras.

Um tópico de grande relevo é o isolamento geográfico e cultural que segregava boa parte das populações sertanejas, separando-as da civilização urbana ao ponto de se poder falar em “dois Brasis”, quase alheios um ao outro. As consequências podiam ser dramáticas, traduzindo-se em exclusão econômico-social, com agravamento da miséria, podendo gerar a violência e o conflito. O estudo dessa situação lamentável foi feito a propósito do extermínio do arraial de Canudos por Euclides da Cunha n’Os sertões (1902), livro que se impôs desde a publicação e revelou ao homem das cidades um Brasil desconhecido, que Euclides tornou presente à consciência do leitor graças à ênfase do seu estilo e à imaginação ardente com que acentuou os traços da realidade, lendo-a, por assim dizer, na craveira da tragédia. Misturando observação e indignação social, ele deu um exemplo duradouro de estudo que não evita as avaliações morais e abre caminho para as reivindicações políticas.

Da Proclamação da República até 1930 nas zonas adiantadas, e praticamente até hoje em algumas mais distantes, reinou a oligarquia dos proprietários rurais, assentada sobre a manipulação da política municipal de acordo com as diretrizes de um governo feito para atender aos seus interesses. A velha hipertrofia da ordem privada, de origem colonial, pesava sobre a esfera do interesse coletivo, definindo uma sociedade de privilégio e favor que tinha expressão nítida na atuação dos chefes políticos locais, os “coronéis”. Um livro que se recomenda por estudar esse estado de coisas (inclusive analisando o lado positivo da atuação dos líderes municipais, à luz do que era possível no estado do país) éCoronelismo, enxada e voto (1949), de Vitor Nunes Leal, análise e interpretação muito segura dos mecanismos políticos da chamada República Velha (1889-1930).

O último tópico é decisivo para nós, hoje em dia, porque se refere à modernização do Brasil, mediante a transferência de liderança da oligarquia de base rural para a burguesia de base industrial, o que corresponde à industrialização e tem como eixo a Revolução de 1930. A partir desta viu-se o operariado assumir a iniciativa política em ritmo cada vez mais intenso (embora tutelado em grande parte pelo governo) e o empresário vir a primeiro plano, mas de modo especial, porque a sua ação se misturou à mentalidade e às práticas da oligarquia. A bibliografia a respeito é vasta e engloba o problema do populismo como mecanismo de ajustamento entre arcaísmo e modernidade. Mas já que é preciso fazer uma escolha, opto pelo livro fundamental de Florestan Fernandes,A revolução burguesa no Brasil (1974). É uma obra de escrita densa e raciocínio cerrado, construída sobre o cruzamento da dimensão histórica com os tipos sociais, para caracterizar uma nova modalidade de liderança econômica e política.

Chegando aqui, verifico que essas sugestões sofrem a limitação das minhas limitações. E verifico, sobretudo, a ausência grave de um tópico: o imigrante. De fato, dei atenção aos três elementos formadores (português, índio, negro), mas não mencionei esse grande elemento transformador, responsável em grande parte pela inflexão que Sérgio Buarque de Holanda denominou “americana” da nossa história contemporânea. Mas não conheço obra geral sobre o assunto, se é que existe, e não as há sobre todos os contingentes. Seria possível mencionar, quanto a dois deles, A aculturação dos alemães no Brasil (1946), de Emílio Willems; Italianos no Brasil (1959), de Franco Cenni, ou Do outro lado do Atlântico (1989), de Ângelo Trento – mas isso ultrapassaria o limite que me foi dado.

No fim de tudo, fica o remorso, não apenas por ter excluído entre os autores do passado Oliveira Viana, Alcântara Machado, Fernando de Azevedo, Nestor Duarte e outros, mas também por não ter podido mencionar gente mais nova, como Raimundo Faoro, Celso Furtado, Fernando Novais, José Murilo de Carvalho, Evaldo Cabral de Melo etc. etc. etc. etc.


* Artigo publicado na edição 41 da revista Teoria e Debate – em 30/09/2000

Antonio Candido é sociólogo, crítico literário e ensaísta.

A Saúde é um direito e a boa informação um dever


Sistema de saúde público brasileiro é referência internacional, diz Banco Mundial

20 de dezembro de 2013

ONUBR




Foto: Carol Garcia/Governo da Bahia

O Sistema Único de Saúde do Brasil – conhecido como SUS – lançou os alicerces de um sistema de saúde melhor para o país, contribuindo para o bem-estar social e a melhoria da qualidade de vida da população, é o que afirma o livro “20 anos de Construção do SUS no Brasil”, recentemente lançado pelo Banco Mundial.

O livro busca analisar a trajetória do programa desde sua criação, destaca progressos trazidos pelo SUS e aponta que, com base nessa experiência e apesar de todas as dificuldades inerentes a um país em desenvolvimento, o Brasil é hoje referência internacional na área de saúde pública e exemplo para outros países que buscam sistemas mais igualitários de saúde.

Com a criação do SUS, o Brasil foi um dos primeiros e poucos países fora da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) a prever na legislação o acesso universal aos serviços de saúde, reconhecendo a saúde como direito do cidadão e dever do Estado.

O livro destaca que os esforços para a ampliação dos gastos em saúde e de uma melhor alocação dos recursos federais e estaduais, privilegiando as áreas e populações mais pobres do país, contribuíram para uma forte ampliação do acesso da população aos serviços básicos de saúde, com importante impacto na redução da mortalidade.

Entre os desafios do SUS, o estudo identifica que o aporte de recursos à saúde precisa ser equacionado e que a capacidade gerencial do sistema ainda é um obstáculo importante. Além disso, há questões reconhecidas sobre as quais é preciso evoluir, como a melhora da qualidade e da coordenação do cuidado e a continuidade da expansão na cobertura da atenção primária.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Brazil x Serbia - The final of Women's World Handball Championsh

'Balomano' completo!


1º Tempo






Uma final histórica para o handebol brasileiro, na qual a seleção canarinha não se deixou intimidar pelos mais de 20 mil sérvios que lotaram a Kombank Arena, em Belgrado, para apoiarem sua seleção rumo ao título. Mas a seleção canarinha foi imponente e sólida tanto na defesa quanto no ataque e colocou água no chopp dos sérvios. E trouxe o título do mundial, pela primeira vez, para o continente Americano, para o Braaaaasil, e desta forma as atletas brasileiras colocaram seus nomes na história do handebol Mundial!!!

"Quando me perguntarem se eu conheci a seleção brasileira de Parreira, Zagallo, Felipão, etc... Eu responderei que a seleção brasileira que eu conheci foi a do Morten Soubak!"

#RaçaBrasil #ElBalonmanoSeMueve



2º Tempo



Um conto de amor
A vitória

baitasar 

Ontem o esporte se inscreveu nestas histórias que se perpetuam na vontade das pessoas de não esquecer. Um conto de fadas? Não. Um conto de terror? Não. Um conto de amor de uma vida inteira.

A propósito da vitória das meninas do handebol feminino, campeãs do mundo, ontem, lá na Sérvia, lugar que só visitei nos livros e nas imagens dos noticiários, ou ainda, em algum filme sobre guerras e intolerâncias, como tantas já vistas em todos os tempos e lugares do mundo, senti uma alegria profunda, um gosto irresistível de compartilhar aquela emoção viajada por continentes e oceanos, até chegar aqui, num tubo de imagem velho e cansado.

O entusiasmo não estava apenas dentro de mim, mas nos amigos e amigas do meu passado handebolista – é assim que se escreve? sei lá, não tem importância. Foi quando a nostalgia do cheiro da bola, dos gritos e apitos, os abraços e as lágrimas retornaram. Uma vitória construída em muitos anos. Existiram desistências, é certo, mas apenas para fortalecer a emoção das persistentes e incansáveis meninas Campeãs do Mundo!

“Eis por que a maior parte da nossa memória está fora de nós, numa viração de chuva, num cheiro de quarto fechado ou no cheiro de uma primeira labareda, em toda parte onde encontramos de nós mesmos o que a nossa inteligência desdenhara, por não lhe achar utilidade, a última reserva do passado, a melhor, aquela que, quando todas as nossas lágrimas parecem trancadas, ainda sabe fazer-nos chorar.” Marcel Proust

É isso: o conhecimento do passado está fora de si, está nos cheiros, na bola, nos apitos, nas viagens, nas cantorias, no grito de gol, os cheiros do vestiário, as conversas, as cobranças, os abraços, o consolo, e no rosto dos personagens a resistência coletiva dos treinos, a vontade de vencer.

A minha memória está lá fora, em 1969, primeira série ginasial, aluno do professor Marquinhos - Colégio Carlos Chagas – viajamos de Canoas até a Vila Scharlau, em São Leopoldo, era o dia do handebol, organizado pelo professor Benno. Um menino com 12 anos campeão. Um dia para não esquecer. Outros houve, mas naquele dia descobri o meu esporte, a minha paixão. Meu primeiro torneio são memórias fora de mim que essas meninas fizeram deslizar em meu rosto já marcado pelas cicatrizes do tempo.

Eu vivi para ver isso!


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

o carapááálida vive orgulhoso e de peito estufado: "Sou bem informado!"


O pior analfabeto é o analfabeto midiático


“Ele imagina que tudo pode ser compreendido sem o mínimo esforço intelectual”. Reflexões do jornalista Celso Vicenzi em torno de poema de Brecht, no século 21

Celso Vicenzi, no Outras Palavras

Ele ouve e assimila sem questionar, fala e repete o que ouviu, não participa dos acontecimentos políticos, aliás, abomina a política, mas usa as redes sociais com ganas e ânsias de quem veio para justiçar o mundo. Prega ideias preconceituosas e discriminatórias, e interpreta os fatos com a ingenuidade de quem não sabe quem o manipula. Nas passeatas e na internet, pede liberdade de expressão, mas censura e ataca quem defende bandeiras políticas. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. E que elas – na era da informação instantânea de massa – são muito influenciadas pela manipulação midiática dos fatos.

Não vê a pressão de jornalistas e colunistas na mídia impressa, em emissoras de rádio e tevê – que também estão presentes na internet – a anunciar catástrofes diárias na contramão do que apontam as estatísticas mais confiáveis. Avanços significativos são desprezados e pequenos deslizes são tratados como se fossem enormes escândalos. O objetivo é desestabilizar e impedir que políticas públicas de sucesso possam ameaçar os lucros da iniciativa privada. O mesmo tratamento não se aplica a determinados partidos políticos e a corruptos que ajudam a manter a enorme desigualdade social no país.

Questões iguais ou semelhantes são tratadas de forma distinta pela mídia. Aula prática: prestar atenção como a mídia conduz o noticiário sobre o escabroso caso que veio à tona com as informações da alemã Siemens. Não houve nenhuma indignação dos principais colunistas, nenhum editorial contundente. A principal emissora de TV do país calou-se por duas semanas após matéria de capa da revista IstoÉ denunciando o esquema de superfaturar trens e metrôs em 30%.



Bancada do Jornal Nacional (Divulgação)

O analfabeto midiático é tão burro que se orgulha e estufa o peito para dizer que viu/ouviu a informação no Jornal Nacional e leu na Veja, por exemplo. Ele não entende como é produzida cada notícia: como se escolhem as pautas e as fontes, sabendo antecipadamente como cada uma delas vai se pronunciar. Não desconfia que, em muitas tevês, revistas e jornais, a notícia já sai quase pronta da redação, bastando ouvir as pessoas que vão confirmar o que o jornalista, o editor e, principalmente, o “dono da voz” (obrigado, Chico Buarque!) quer como a verdade dos fatos. Para isso as notícias se apoiam, às vezes, em fotos e imagens. Dizem que “uma foto vale mais que mil palavras”. Não é tão simples (Millôr, ironicamente, contra-argumentou: “então diga isto com uma imagem”). Fotos e imagens também são construções, a partir de um determinado olhar. Também as imagens podem ser manipuladas e editadas “ao gosto do freguês”. Há uma infinidade de exemplos. Usaram-se imagens para provar que o Iraque possuía depósitos de armas químicas que nunca foram encontrados. A irresponsabilidade e a falta de independência da mídia norte-americana ajudaram a convencer a opinião pública, e mais uma guerra com milhares de inocentes mortos foi deflagrada.Leia também

Garota Black Bloc rebate matéria de capa da revista Veja

Audiência do Jornal Nacional em queda livre

Pragmatismo Político na revista Locaweb

O analfabeto midiático não percebe que o enfoque pode ser uma escolha construída para chegar a conclusões que seriam diferentes se outras fontes fossem contatadas ou os jornalistas narrassem os fatos de outro ponto de vista. O analfabeto midiático imagina que tudo pode ser compreendido sem o mínimo de esforço intelectual. Não se apoia na filosofia, na sociologia, na história, na antropologia, nas ciências política e econômica – para não estender demais os campos do conhecimento – para compreender minimamente a complexidade dos fatos. Sua mente não absorve tanta informação e ele prefere acreditar em “especialistas” e veículos de comunicação comprometidos com interesses de poderosos grupos políticos e econômicos. Lê pouquíssimo, geralmente “best-sellers” e livros de autoajuda. Tem certeza de que o que lê, ouve e vê é o suficiente, e corresponde à realidade. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e o espoliador das empresas nacionais e multinacionais.”

O analfabeto midiático gosta de criticar os políticos corruptos e não entende que eles são uma extensão do capital, tão necessários para aumentar fortunas e concentrar a renda. Por isso recebem todo o apoio financeiro para serem eleitos. E, depois, contribuem para drenar o dinheiro do Estado para uma parcela da iniciativa privada e para os bolsos de uma elite que se especializou em roubar o dinheiro público. Assim, por vias tortas, só sabe enxergar o político corrupto sem nunca identificar o empresário corruptor, o detentor do grande capital, que aprisiona os governos, com a enorme contribuição da mídia, para adotar políticas que privilegiam os mais ricos e mantenham à margem as populações mais pobres. Em resumo: destroem a democracia.

Para o analfabeto midiático, Brecht teria, ainda, uma última observação a fazer: Nada é impossível de mudar. Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual.




O analfabeto político

O pior analfabeto, é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, não participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida,
O preço do feijão, do peixe, da farinha
Do aluguel, do sapato e do remédio
Depende das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que
Se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia política.
Não sabe o imbecil,
Que da sua ignorância nasce a prostituta,
O menor abandonado,
O assaltante e o pior de todos os bandidos
Que é o político vigarista,
Pilanta, o corrupto e o espoliador
Das empresas nacionais e multinacionais.

Bertold Brecht

domingo, 22 de dezembro de 2013

Meninas competentes, lutadoras e vencedoras!


Dilma comprou o título do mundial feminino de handebol por 300 milhões de dólares 


Beto Bertagna a 24 quadros




Mais uma vez a farsa nos esportes foi vencedora ao beneficiar pelo logro a equipe auriverde, que arrebatou indevidamente o título do certame mundial após forte suborno pago pelo governo brasileiro à federação internacional dessa modalidade decadente. Até que o país tinha uma equipe competente, não fosse o impedimento de receber patrocínio da iniciativa privada, estabelecido por Dilma, já com intuito de levar a fraude adiante, visto que milhões de empresas privadas brasileiras se interessariam em colaborar com o escrete canarinho, mas para que o mal triunfasse, não era permitido o envolvimento dos homens bons na equipe.



A iniciativa privada foi impedida de patrocinar a equipe pelas estatais falidas e deficitárias

Para comprar o título, visando distrair a sociedade nacional dos graves problemas de seu pífio governo, a búlgara usurpadora pagou cerca de 300 milhões, sendo 270 milhões para os dirigentes internacionais, 20 milhões para os sérvio e cerca de 10 milhões a serem rateados entre a equipe inimiga, para que a mesma facilitasse o jogo para as brasileiras. Agora, se Dilma age assim hoje, imaginem nas Olimpíadas, o que não fará a serva maléfica do bolchevismo?

Mais um domingo negro para o esporte internacional, data a ser lembrada através dos tempos por essa vitória indevida do Brasil, onde os petrodólares desviados pelos asseclas do comunismo falou mais alto que o espírito de competição, que deveria reinar entre os desportistas, um grande motivo de tristeza para todos nós. Lamentável.


via Prof. Hariovaldo

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Esse Prof. Hariovaldo tem cada ideia factoide, parece que escreve tudo ao contrário! Pensa o que não escreve, escreve o que não pensa! Hehehehehehe! Dá-lhe, professor Hariovaldo!

Brasil 22 X 20 Sérvia - Final MUndial de Handebol Feminino

Brasil Campeão Mundial de Handebol Feminino!


Melhores Momentos









Handebol Feminino Campeão do Mundo!


sábado, 21 de dezembro de 2013

Mundial Feminino de Handebol - Brasil está na final!

Belgrado (Sérvia)


Melhores Momentos da campanha das meninas até chegar na final com a Sérvia





A equipe feminina brasileira vai pegar a Sérvia, no domingo, às 14h15 (horário de Brasília), na final do torneio.

Abaixo, alguns momentos da campanha das meninas!

















O Brasil está na final!




A "Batalha de Belgrado" contra a Hungria, dois dias antes, colocou o nome das meninas da seleção na história do handebol brasileiro. Pela primeira vez, elas chegavam tão longe em um Mundial. Mas a semifinal não era o bastante. Elas queriam mais. Queriam tanto que repetiram a dose, venceram a Dinamarca de novo - assim como na fase de grupos -, dessa vez por 27 a 21, garantindo assim a vaga na final e uma medalha inédita para o país. A decisão marca o reencontro com a Sérvia, derrotada por 25 a 23 no Grupo B. O GloboEsporte.com acompanha os lances em Tempo Real, domingo, às 14h15m (de Brasília).

Ao contrário do primeiro duelo, ainda na fase de classificação, Brasil e Dinamarca começaram o confronto desta sexta com cautela. Sem queimar a posse da bola, as europeias equilibravam as ações, mas com a defesa coesa, o Brasil saiu na frente com Ana Paula, Alê (duas vezes), Dara e Deonise: 5 a 2 em sete minutos. Ao parar Kristiansen duas vezes, Babi fechava o gol. Ao contrário de Morten Soubak, o técnico dinamarquês revezava bastante suas titulares.

A defesa brasileira dava conta do recado. Aos 17, por cobertura, a melhor do mundo Alexandra Nascimento fez um golaço, abrindo 10 a 5. Atrás, Babi aparecia de novo, como em arremesso de Schumacher, aos 20. Com o jogo físico se sobressaindo, os dois ataques tinham dificuldades, e por quatro minutos ninguém mudou o placar, até a Dinamarca trazer o marcador para 10 a 8, com Thorsgaard e Burgaard. A seleção, porém, logo se recompôs e voltou a abrir quatro gols de vantagem com Dani Piedade, Ana Paula, Deonise e Samira, fechando a etapa com 14 a 10.

Concentrado, o Brasil começou o segundo tempo de forma aguda. Com seis minutos, ampliou para sete gols a vantagem que já era grande: 19 a 12. Gigantes, Deonise (duas vezes), Duda e Alê não deixavam a Dinamarca crescer na partida. Aos dez, com seis gols de vantagem, a seleção perdeu Duda por dois minutos após falta técnica, e a Dinamarca diminuiu com Gravholt: 20 a 15. Aos 12, em milagre, Babi defendeu em dois tempos, salvando em cima da linha, para delírio da torcida sérvia, que torcia para a seleção brasileira.

Faltando 15 para o fim do duelo, o Brasil tinha 22 a 17, e quando não conseguia o gol, defendia bem, até Jensen diminuir. Babi, porém, levantou o ginásio ao salvar contra-ataque e fazer mais uma defesa quando a Dinamarca podia trazer a diferença para apenas três. Com dificuldades ofensivas, o Brasil só voltou a fazer gol aos 21, com Samira, mantendo quatro gols de vantagem: 23 a 19. Aos 24, em lance decisivo, Alê voltou a abrir quatro gols para a seleção em tiro de sete metros: 24 a 20. Nervosas, as dinamarquesas começaram a errar, e, com Duda, Ana Paula e Dani, o Brasil fez 27 a 21, liquidando o jogo e colocando a seleção em uma final histórica contra a Sérvia, no domingo.

ESCALAÇÕES

Brasil: Babi; Dara, Ana Paula, Alê, Deonise, Duda e Fernanda. Entraram: Mayara, Dani Piedade, Amanda, Déborah Hannah e Samira.

Dinamarca: Greve; Kristiansen, Stine Jorgensen, Fisker, Burgaard, Gravholt e Jensen. Entraram: Norgaard, Line Jorgensen, Schumacher, Bonde, Tholsgaard, Hansen e Holmsgaard.

Semifinais
Sérvia 24 x 18 Polônia
Brasil 27 x 21 Dinamarca

Final (domingo)
14h15m - Brasil x Sérvia

A campanha do Brasil no Mundial
Primeira fase:
Brasil 36 x 20 Argélia
Brasil 34 x 21 China
Brasil 25 x 23 Sérvia
Brasil 24 x 20 Japão
Brasil 23 x 18 Dinamarca

Oitavas: Brasil 29 x 23 Holanda
Quartas: Brasil 33 x 31 Hungria
Semifinal: Brasil 27 x 21 Dinamarca
Final: Brasil x Sérvia

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

o stf aceitou julgar sem o domínio dos fatos, nós aceitamos que o nazismo se emprenhasse na carne e no sangue

Balanço 2013
A linguagem seletiva do “mensalão”


publicada quinta-feira, 19/12/2013 às 13:17 e atualizada quinta-feira, 19/12/2013 às 13:04


Escrevinhador


por Venício A. de Lima no Observatório da Imprensa




Quando pouco ainda se falava sobre “história conceitual”, isto é, sobre a semântica histórica de conceitos e palavras, foi publicado o indispensável Palavras-Chave (um vocabulário de cultura e sociedade) [1ª edição 1976; tradução brasileira Boitempo, 2007], do ex-professor de Cambridge, Raymond Williams (1921-1988).

Ao analisar as mudanças na significação de 130 palavras-chave como ciência, democracia, ideologia, liberal, mídia, popular e revolução, Williams argumentava que as questões de significação de uma palavra estão inexoravelmente vinculadas aos problemas em cuja discussão ela esta sendo utilizada. E, mais ainda, que o uso dos diferentes significados de palavras identifica formas diversas de pensar e ver o mundo. Para ele, a apropriação de um determinado significado que serve a um argumento específico exclui aqueles outros significados que são inconvenientes ao argumento. Trata-se, portanto, de uma questão de poder.

Anos mais tarde, através do precioso Language and Hegemony in Gramsci do cientista político estadunidense, radicado no Canadá, Peter Ives (1ª edição 2004), soube-se que o filósofo sardenho desenvolveu o conceito de hegemonia – a formação e a organização do consentimento – a partir de seus estudos de linguística. Poucos se lembram de que, por ocasião da unificação italiana (1861), apenas entre 2,5% e 12% da população falavam a mesma língua. Daí serem previsíveis as enormes implicações sociais e políticas da unificação linguística, sobretudo o enorme poder de ajustamento e conformidade em torno da institucionalização de uma língua única que se tornaria a língua italiana.

Na verdade, não só as palavras mudam de significação ao longo do tempo, como palavras novas são introduzidas no nosso cotidiano e passam a constituir uma nova linguagem, um novo vocabulário dentro do qual se aprisionam determinadas formas de pensar e ver o mundo.

Mais recentemente, a leitura tardia do impressionante LTI – A linguagem do Terceiro Reich (1ª. edição 1947, tradução brasileira Contraponto, 2009), do filólogo alemão Victor Klemperer (1881-1960), dissipou qualquer dúvida que ainda restasse sobre a importância fundamental das palavras, da linguagem, do vocabulário para a conformação de uma determinada maneira de pensar. Está lá:

“O nazismo se embrenhou na carne e no sangue das massas por meio de palavras, expressões e frases impostas pela repetição, milhares de vezes, e aceitas inconscientemente e mecanicamente. (…) A língua conduz o meu sentimento, dirige a minha mente, de forma tão mais natural quanto mais eu me entregar a ela inconscientemente. (…) Palavras podem ser como minúsculas doses de arsênico: são engolidas de maneira despercebida e parecem ser inofensivas; passado um tempo, o efeito do veneno se faz notar” (p.55).

Vale a epígrafe do LTI retirada de Franz Rosenzweig (1886-1929): “A linguagem é mais do que sangue”.

Balanço do ano

As referências a Williams, Ives (Gramsci) e Klemperer são apresentadas aqui para justificar a escolha que fiz diante da necessidade de produzir um balanço de 2013 em relação ao setor de mídia.

O que de mais importante aconteceu no nosso país de 2005 para cá – vale dizer, ao longo dos últimos oito anos – e se consolidou em 2013 com as várias semanas de julgamento televisionado, ao vivo, no Supremo Tribunal Federal?

Estou convencido de que foi a formação de uma linguagem nova, seletiva e específica, com a participação determinante da grande mídia, dentro da qual parcela dos brasileiros passaram a “ver” os réus da Ação Penal nº 470, em particular aqueles ligados ao Partido dos Trabalhadores.

Ainda em 2006 (cf. capítulo 1 de Mídia: crise política e poder no Brasil; Editora Fundação Perseu Abramo) argumentei que uma das consequências mais visíveis da crise política foi o aparecimento na grande mídia de uma série de novas palavras/expressões como mensalão,mensaleiros,partidos do mensalão,CPI do mensalão,valerioduto,CPI chapa-branca,silêncio dos intelectuais,homem da mala,doleiro do PT,conexão cubana,operação Paraguai,conexão Lisboa,república de Ribeirão Preto,operação pizza,dança da pizza,dentre outros.

Em artigo publicado na Folha de S.Paulo, Fábio Kerche também chamou atenção para a recuperação pela grande mídia de dois conceitos clássicos de nossa sociologia política – coronelismo e populismo –, que passaram a ser utilizados na cobertura da crise política com nova significação desvinculada de suas raízes e especificidades históricas (cf. “Simplificações conceituais” in Folha de S.Paulo, 23/3/2006, p. A-3).

O verdadeiro significado dessas novas palavras/expressões, dizia à época, só pode ser compreendido dentro dos contextos concretos em que surgiram e passaram a ser utilizadas. São tentativas de expressar, de maneira simplificada, questões complexas, ambíguas e de interpretação múltipla e polêmica (aberta). Elas buscam reduzir (fechar) um variado leque de significados a apenas um único “significado guarda-chuva” facilmente assimilável. Uma espécie de rótulo.

Exaustivamente repetidas na cobertura política tanto da mídia impressa como da eletrônica, essas palavras/expressões vão perdendo sua ambiguidade original pela associação continuada a apenas um conjunto de significados. É dessa forma que elas acabam sendo incorporadas ao vocabulário cotidiano do cidadão comum.

Mas elas passam também a ser utilizadas, por exemplo, nas pesquisas de “opinião pública”, muitas vezes realizadas por institutos controlados pela própria grande mídia. Esse movimento circular viciado produz não só aferições contaminadas da “opinião pública” como induz o cidadão comum a uma percepção simplificada e muitas vezes equivocada do que realmente se passa.

Relacionei ainda as omissões e/ou as saliências na cobertura que a grande mídia oferecia da crise política – evidentes já àquela época –, protegendo a si mesma em relação à destinação de recursos publicitários e/ou favorecendo politicamente à oposição político-partidária ao governo Lula e ao Partido dos Trabalhadores (PT). Algumas dessas omissões foram objeto de denúncia do jornalista Carlos Dorneles, então na Rede Globo (13/10/2005) e do ombudsman da Folha de S.Paulo (23/10/2005).

De 2005 a 2013

Nos últimos oito anos, o comportamento da grande mídia não se alterou. Ao contrário. A crise política foi se transformando no “maior escândalo de corrupção da historia do país” e confirmou-se o padrão de seletividade (omissão e/ou saliência) na cobertura jornalística, identificado desde 2005.

Até 2005, “mensalão” era apenas “o imposto que pode ser recolhido pelo contribuinte que tenha mais de uma fonte pagadora. Se o contribuinte recebe, por exemplo, aposentadoria e salário e não deseja acumular os impostos que irão resultar num valor muito alto a pagar na declaração mensal, ele pode antecipar este pagamento por meio de parcela mensal” (ver aqui).

Nos últimos anos “mensalão” passou a ser “um esquema de corrupção” e tornou-se “mensalão do PT”, enquanto situações idênticas e anteriores, raramente mencionadas, foram identificadas pela geografia e não pelo partido político (“mensalão mineiro”). Como resultado foi se construindo sistematicamente uma associação generalizada, seletiva e deliberada entre corrupção e os governos Lula e o PT, ou melhor, seus filiados e/ou simpatizantes.

“Mensaleiro” passou a designar qualquer envolvido na Ação Penal nº 470, independentemente de ter sido ou não comprovada a prática criminosa de pagamento e/ou recebimento de mensalidades em dinheiro “sujo” com o objetivo de se alterar o resultado nas votações de projetos de lei no Congresso Nacional.

A generalização seletiva tornou-se a prática deliberada e rotineira da grande mídia e, aos poucos, as palavras “petista” – designação de filiado ao Partido dos Trabalhadores – e “mensaleiro”, se transformaram em palavrões equivalentes a “comunista”, “subversivo” ou “terrorista” na época da ditadura militar (1964-1985). “Petista” e “mensaleiro” tornaram-se, implicitamente, inimigos públicos e sinônimos de corruptos e desonestos.

O escárnio em relação aos “mensaleiros petistas” atingiu o seu auge com a prisão espetaculosa de alguns dos réus, por determinação do presidente do STF, no simbólico feriado da Proclamação da República (15 de novembro), antes do transito em julgado da Ação Penal nº 470, com ampla cobertura ao vivo das principais emissoras de televisão. Ofereceu-se assim a oportunidade para que articulistas da grande mídia passassem a citar seletivamente os nomes dos petistas detidos precedidos do adjetivo “presidiário”.

Da mesma forma, o que poderia ser questionado como uma prisão arbitrária (antes do trânsito em julgado; exposição desnecessária em périplo aéreo por três cidades do país; regime fechado para condenados em regime aberto; substituição arbitrária do juiz da vara de execuções penais de Brasília, etc.) foi se transformando em “um privilégio dos mensaleiros petistas”.

Na cobertura oferecida pela grande mídia esses “privilégios” foram identificados pelas visitas incialmente permitidas em dias diferentes daqueles dos demais detidos no complexo da Papuda; pela solicitação de regime diferenciado em função da saúde precária de um dos “mensaleiros petistas” e pela remuneração elevada do emprego oferecido (em seguida descartado) a outro.

Sinais de intolerância

Não é necessário mencionar aqui as inúmeras e pendentes questões – inclusive jurídicas – envolvendo o polêmico julgamento da Ação Penal nº 470 e os interesses político-partidários em jogo relativos a situações idênticas e anteriores que, todavia, ainda não mereceram a atenção correspondente do Poder Judiciário e, muito menos, da grande mídia.

O ano de 2013 certamente poderá ser lembrado como aquele em que ocorreu o julgamento da Ação Penal nº 470 e pelo desmesurado papel que a grande mídia desempenhou em todo o processo. Um vocabulário seletivo específico e uma linguagem correspondente se consolidaram em relação aos eventos nomeados pela nova palavra “mensalão”.

Tendo como referência os ensinamentos de Williams, Ives (Gramsci) e Klemperer, vale a pergunta: até que ponto este vocabulário e esta linguagem influenciam a maneira pela qual alguns dos envolvidos passaram a ser “vistos” pela população brasileira (ou parte dela) e contribuem para criar um clima político não democrático, de intolerância, de ódio e de recusa intransigente a sequer ouvir qualquer posição diferente da sua?

Para além da formação seletiva de um vocabulário e de uma linguagem específicas, bastaria relembrar as declarações do ministro Celso Melo por ocasião do julgamento dos embargos infringentes: “Nunca a mídia foi tão ostensiva para subjugar um juiz” (ver aqui).

Vale a pena repetir com Victor Klemperer:

“Palavras podem ser como minúsculas doses de arsênico: são engolidas de maneira despercebida e parecem ser inofensivas; passado um tempo, o efeito do veneno se faz notar”.



Leia outros textos de Outras Palavras

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OProfessor lembrou este vídeo, já publicado por estas páginas virtuais:

Tolerantia




quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Sindicato dos Metalúrgicos do ABC pilotou um Gripen (é o fim do mundo!)


“EU PILOTEI
O GRIPEN”


Flávio Aguiar revela que os metalúrgicos do ABC apoiaram o caça sueco. O Ataulfo vai ficar uma fera !


Conversa Afiada



O Major Richard Ljungberg e Flávio Aguiar: lições de guerra e de reconhecimento à bordo do Gripen, com direito a instruções sobre luzes, mostradores e visor holográfico.


O Conversa Afiada reproduz importante depoimento da Carta Maior:



EU PILOTEI UM GRIPEN


Em 2009, o editor de uma revista ligada ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, me ligou e pediu que eu fosse a Suécia fazer uma matéria sobre o avião.

Flávio Aguiar

Acabo de ler a notícia e de assistir ao ministro Celso Amorim anunciando a compra dos 36 aviões Gripen, suecos, para a FAB. Não pude deixar de me emocionar. Eu fui o primeiro brasileiro a pilotar um Gripen, em plena Suécia.

No meio de 2009, o editor-chefe da Inovabcd, revista ligada ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, me ligou aqui em Berlim.

“Flávio, queremos que você vá à Suécia”. A conversa era no Skype.

“Como assim”?

“É que o nosso sindicato resolveu apoiar a oferta da Gripen/Saab/Scania para a compra das 36 aeronaves com que a FAB deseja renovar seu plantel de caças de defesa”.

“Celso, eu sou um zero em matéria de caças. Só entendo deles em filmes de guerra”.

“É, mas você está aí perto, em Berlim”. “Vamos te arranjar um contato na Saab”. “Topa”? “Vai ser matéria de nossa inauguração da revista Inovabcd, sobre tecnologia”.

“Claro que eu topo, Celso. Tudo pelo social, como dizia… deixa pra lá”.

Celso me explicou: a concorrência, depois de (naquela altura) mais de dez anos, estava entre o Gripen sueco, o Dessault francês e um Boeing norte-americano. O então ministro da Defesa, Nelson Jobim, anunciara a preferência pelo Dessault. E sentenciara: “o Gripen só existe no papel”.

“Queremos que você vá lá, Flávio, e veja se o Gripen só existe no papel”, complementou o Celso.

Bom, tudo demorou um pouco. Mas fui, vi, e constatei que o Gripen era algo mais do que papel impresso.

A reportagem completa pode ser vista aqui:
http://file.smetal.org.br/Publicacao/INOVABCD/maio-2010.pdf

Inclusive com fotos, da equipe que me recebeu, e de mim – eu – no cockpit do Gripen, com um oficial da Forá Aérea Sueca ao lado. Ele me disse:

“Está vendo este botão aqui, no meio das suas pernas? Não aperte nele, porque senão você vai parar no teto deste galpão (que tinha uns dez ou doze metros de altura, pelo menos). É o botão de ejeção no caso do piloto precisar saltar de pára-quedas”.

Não apertei.

Daí ele me explicou um monte de coisas sobre os botões e luzinhas à minha frente, e sobre o avião à minha volta. Compreendi que um caça de guerra é, antes de tudo, um tanque de combustível. Tudo precisa ser poupado para o avião ter combustível para ir, atirar e voltar. Assim o próprio aviào é o tanque de combustível. O resto são mísseis, metralhadoras, bombas nas asas, e pilotagem: o piloto precisa ser super-treinado, mais para apertar botões e decidir como executar as ordens que recebeu – e voltar vivo.

Tive também verdadeiras aulas sobre a história dos Gripen, da aviação sueca, uma das mais poderosas do mundo, explicações sobre investimentos e transferências de tecnologias, além da projetada parceria na produção das peças do avião.

Para completar pilotei um Gripen. O primeiro brasileiro a tal fazer.

Bom, tratou-se de um protótipo, no salão de simulações, com direito a telão e tudo.

E daí? Algum outro brasileiro já fizera isto, em Linköping, Suécia, perto de Götteborg e Estocolmo, onde o Brasil conquistara a Copa de 58?

Com ajuda do instrutor, decolamos o aparelho. Aí ele me instruiu como fazê-lo voar. E fomos sobre a simulação da própria fábrica da Scaab/Scania, em Linköping.

Ele me obrigou atá a fazer piruetas, loops, parafusos, voar de cabeça para baixo (enjoei, voltei rápido à posição normal). De repente ele me disse:

“Vamos entrar em combate”.

Senti-me como num filme da Segunda Guerra. É impressionante como estas coisas podem ser enebriantes.

“Veja lá, ali estão os aviões. Se você apertar aqui, dispara um míssil. Vai!”.

Olhei, mirei, apertei, disparei, derrubei. O avião à minha frente explodiu.

“Tudo bem?”, perguntei.

“OK”, ele me disse. “Só que você derrubou um avião amigo. Mas não tem importância”.

Senti dois frios no estômago. Primeiro: não tinha importância ser um avião amigo. Segundo: eu sentira uma forma de júbilo por derrubar um avião, mesmo que um simulacro de avião.

A partir daí começamos a voltar. Fazer o raio do avião aterrissar é muito mais difícil do que pô-lo no ar. A trancos e barrancos, com ajuda do simpático instrutor consegui fazê-lo pousar, derrapando, com as rodas de uma das asas fora da pista de simulação. Mas pousei.

Conclusão para mim: nunca mais, nem de mentirinha.

Fico contente de ter participado desta experiência, que levou o Brasil – cuja defesa é necessária – a optar pelos Gripen suecos, que, pelo que entendi, trarão com eles vantagens tecnológicas que os outros não trariam, além de problemas de dependência que os outros trariam. De todas as maneiras, cada um destes modelos traz consigo componentes de muitos e vários páises, na dependência tecnológica destes tempos de século XXI em que as utopias estão na UTI e as distopias sobre a mesa.

Parece que os Gripen são os que trarão menos dependência e mais transferência, além de vários componentes de todos os modelos, em escala mundial, serem produzidos aqui.

Parabéns Gripen e equipe, parabéns aviões. Que eles venham, sejam produzidos.

E espero – rezo para todos os santos de todas as religiões, inclusive as ateias – que jamais sejam usados para valer.



Clique aqui para ler “Gripen é o melhor para defender o pré-sal”.