quarta-feira, 28 de setembro de 2011

atira pedra na geni...

Ataques a Lula são ponta mais visível do neonazismo midiático





 
Desde que Dilma Rousseff começou a ser cotada como candidata do PT à sucessão de Lula a mídia hegemônica brasileira começou a deslegitimá-la e diminuí-la pelo fato de ser mulher. Essa ação aconteceu das mais diversas formas, da mais sutil à mais violenta, e já foi diversas vezes tratada, analisada e criticada aqui no Jornalismo B. A crítica a Dilma partir de um elemento social pessoal, e não político ou ideológico, não é, porém, nenhuma novidade. Com Lula já era assim. Nordestino, pobre, metalúrgico, sem diploma universitário. Desde sempre foram esses os elementos fundamentais do veneno destinado a Lula pela mídia oligárquica nacional – e internacional.

Lula saiu da presidência, mas seu status de grande liderança do PT – nacionalmente – e do Brasil – no cenário internacional – continua intacto. Na tarde desta terça-feira, recebeu de Ruchard Descoings, diretor do Sciences Po, da França, o doutorado Honoris Causa, concedido pela primeira vez pelo instituto a um latino-americano.

Foram enviados repórteres de alguns veículos brasileiros. Mas, ao que tudo indica, não foram a Paris para cobrir a entrega da distinção. Foram fazer lá o papel que fazem aqui, ou seja, de oposição raivosa e intransigente, de ataque gratuito justamente a um presidente que pouco ou nada fez para acabar com o monopólio de que usufruem esses mesmos meios de comunicação.

Trechos da matéria de um repórter do jornal argentino Página 12, impressionado com as perguntas feitas pelos brasileiros a Descoings na coletiva do diretor do Sciences Po: “Um dos colegas perguntou se era o caso de se premiar a quem se orgulhava de nunca ter lido um livro”; “‘Por que premiam a um presidente que tolerou a corrupção?’, foi a pergunta seguinte”; “Outro colega perguntou se era bom premiar a alguém que uma vez chamou de ‘irmão’ a Muamar Khadafi”; “Outro colega brasileiro perguntou, com ironia, se o Honoris Causa de Lula era parte da política de ação afirmativa do Sciences Po”. O próprio jornal O Globo publicou entrevista entrevista com Descoings na qual a primeira pergunta da repórter Deborah Berlinck é “Por que Lula e não Fernando Henrique Cardoso, seu antecessor, para receber uma homenagem da instituição?”.

Os relatos de brasileiros que vão ao exterior – inclusive alguns repórter – falam de países onde o Brasil passou a ser respeitado nos últimos dez anos. Nossa imagem para o resto do mundo inegavelmente foi modificada durante o governo Lula. É contra esse avanço que os lacaios da mídia entreguista neoliberal lutam como baleias agonizantes na areia. Lutam contra um país que já não se ajoelha perante o imperialismo e contra o operário que liderou seu levantar.

Fernando Henrique Cardoso é o presidente ideal da mídia elitista. Paulista, branco, rico, intelectual, cheio de diplomas, homem. Mulher, nordestino, pobre, sem diploma, operário, negro, homossexual, nem pensar. A mídia dominante quer impor seu padrão de gênero, de classe e de etnia às lideranças do país, e não pode, em seus padrões “arianos” de excelência, aceitar o comando de um subalterno, de um sujo. Lula não pertence à “raça perfeita” do neonazismo midiático que, se não mata, semea o ódio. E o ex presidente é apenas a ponta mais alta dos ataques dessa mídia contra os setores sociais oprimidos. Diariamente esses setores são atacados de forma ainda mais violenta, e são muito mais vulneráveis a esses ataques do que Lula.

Vale lembrar, por fim, que em oito anos na presidência Lula pouco ou nada fez para combater o domínio dessa mesma mídia que o ataca de forma tão baixa. Dilma também não sinaliza possibilidades de avanço. Alimentam o monstro. Parafraseando Augusto dos Anjos, o PT afaga quem apedreja sua mão, beija a boca que lhe escarra.

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