domingo, 31 de outubro de 2010

aquele abraço de boa noite



Mapping projection on the Christ, Rio, by Fernando Salis
Contact Fernando Salis: fasalis@uol.com.br
RIO - O Cristo Redentor "fechou" os braços, num abraço simbólico ao Rio de Janeiro, na noite da última terça-feira.

O efeito - uma ilusão de ótica provocada por projeção de luzes e imagens - faz parte da campanha "Carinho de Verdade", de combate à violência e exploração sexual de crianças.
Para simular o abraço, o cineasta Fernando Salis usou oito projetores, que cobriram a estátua com imagens do Rio, como sobrevoos de asa-delta, as florestas e até mesmo o trânsito.
Ao som de Bachianas Brasileiras n.º 7, de Villa Lobos, e com animação em 3D, a estátua parece fechar os braços.

a mulher é encantada por dentro

Sonhar esperança é pensar a vida


Mauro Marques

Eis a Dilma, em insistência suave, mas decidida. Não se deixa influir por caras feias, vozes aterradoras anunciando o fim da história e que tudo já está decidido, enquanto só nos resta o sonho da cruz. Não busca desacreditar qualquer reflexão crítica sobre a maneira de conduzir nossos acertos e erros com as crianças, jovens ou adultos. Mas o dragão do mal ou do bem, pronto para matar, precisa ser olhado de frente, pois não nos acabamos no sonho de uma cruz, nem no desespero das cicatrizes que carregamos pela nossa existência, precisamos sem medo olhar adiante e aprender da malícia. Necessitamos enfrentar o sorriso falso, o elogio venéfico, a conduta meretriz e afrontar a sua desumanidade.

A mulher é encantada por dentro, esperando uma filha, brotando um filho e florescendo afluída ao sabor da maré, com novos sabores, a refletir a luz que se liberta da opressão, da ignorância, fazendo desaparecer a escravidão humana.

A mim parece importante chamar a atenção para quantas e quantas vezes sucumbimos frente a falas destrutivas e desesperançadas, que nos fragmentam e nos implodem em pequeninos pedaços voadores, transformando em poeira nossas tentativas íntimas. Nas muitas e mais tantas oportunidades em que isto acontece, não o sabemos se ocorre por intenção deliberada ou por não sabermos pensar e sentir diferente. Guardamos silêncio para o enfrentamento final quando o bem vencerá definitivamente o mal. Eis o imobilismo na crença que haverá somente um embate e que todos os desgastes dos afrontamentos anteriores se dão sem razão. Ao assumir uma posição critica e não lírica deixamos de assumir os defeitos e dificuldades dos outros para estabelecer parcerias razoáveis de comprometimento com a esperança, dentro de uma aceitação libertadora do outro em mim que retorna ao outro que está fora de mim.

Somos energizado ao ouvir Lula e Dilma!

Superamos dia-a-dia estes papéis mágicos e autoritários, descobrimos que precisamos de novos olhares sobre o nosso quê fazer, sacudindo a poeira do tempo e descobrindo aos poucos um novo eu que já existia, permanecia escondido pela poeira da imperturbabilidade ingênua ou solércia medrosa.

A esperança no homem e na mulher, independentemente da maneira como se manifesta e se diz pertencente e querendo a humanidade que nos habita, é permanentemente mobilizada para recriar as condições humanas de ser mais. Esperar o que se deseja é o natural, a necessidade que transcende a biologia e vem se assentar em nossa condição humana, no desejo que existe na palavra e na reflexão que impregna nossa ação. E é esta palavra carregada com nossos desejos que aviva a vida voltada para o humano que se quer sendo mais humana, recriadora das possibilidades e oportunidades que nos aproximam.

Sonhar esperança é pensar a vida com um chá refrescante de hortelã na xícara, em nossas mãos, quentinho e aconchegante, que necessita ser sorvido, tomado delicada e decisivamente, sem esperar que amorne ou esfrie. A esperança do chá está na sua delicadeza e na sua maneira diferente de observar e influir na vida, na saúde da existência, na ausência de agressões e resultados inflamados por fármacos tirânicos e imediatistas.

A receita antibiótica se revela eficaz para acabar com a fome porque acaba com o esfomeado, excluindo a vida ela recolhe a mão que ampara e ajuda. Antes das receitas está o amor capaz de nos aliviar aos poucos um pouco mais, antes que o tempo veloz nos engula e nos impeça de estarmos juntos, novamente, descobrindo que o amor não é paz, mas a contradição do outro e da outra em mim mesmo. Assim, na diversidade, deveríamos ajudar o mundo a mudar.

Por isso eu votei Dilma neste domingo!

1ª fala da Presidenta eleita

A fala de Dilma

Transmissão encerrada. Abaixo, a transcrição:


Minhas amigas e meus amigos de todo o Brasil,

É imensa a minha alegria de estar aqui.

Recebi hoje de milhões de brasileiras e brasileiros a missão mais importante de minha vida.

Este fato, para além de minha pessoa, é uma demonstração do avanço democrático do nosso país: pela primeira vez uma mulher presidirá o Brasil. Já registro portanto aqui meu primeiro compromisso após a eleição: honrar as mulheres brasileiras, para que este fato, até hoje inédito, se transforme num evento natural. E que ele possa se repetir e se ampliar nas empresas, nas instituições civis, nas entidades representativas de toda nossa sociedade.

A igualdade de oportunidades para homens e mulheres é um principio essencial da democracia. Gostaria muito que os pais e mães de meninas olhassem hoje nos olhos delas, e lhes dissessem: SIM, a mulher pode!

Minha alegria é ainda maior pelo fato de que a presença de uma mulher na presidência da República se dá pelo caminho sagrado do voto, da decisão democrática do eleitor, do exercício mais elevado da cidadania. Por isso, registro aqui outro compromisso com meu país:

Valorizar a democracia em toda sua dimensão, desde o direito de opinião e expressão até os direitos essenciais da alimentação, do emprego e da renda, da moradia digna e da paz social.

Zelarei pela mais ampla e irrestrita liberdade de imprensa.

Zelarei pela mais ampla liberdade religiosa e de culto.

Zelarei pela observação criteriosa e permanente dos direitos humanos tão claramente consagrados em nossa constituição.

Zelarei, enfim, pela nossa Constituição, dever maior da presidência da República.

Nesta longa jornada que me trouxe aqui pude falar e visitar todas as nossas regiões.

O que mais me deu esperanças foi a capacidade imensa do nosso povo, de agarrar uma oportunidade, por mais singela que seja, e com ela construir um mundo melhor para sua família.

É simplesmente incrível a capacidade de criar e empreender do nosso povo. Por isso, reforço aqui meu compromisso fundamental: a erradicação da miséria e a criação de oportunidades para todos os brasileiros e brasileiras.

Leia na íntegra

desmontando a versão dos perdedores

Três mitos sobre a eleição de Dilma


Marcos Coimbra*

Marcos Coimbra desfaz falsas análises a respeito da eleição da petista

Enquanto o País vai se acostumando à vitória de Dilma Rousseff, uma nova batalha começa. Nem é preciso sublinhar quão relevante, objetivamente, é o fato de ela ter vencido a eleição, nas condições em que aconteceu. Ela é a presidente do Brasil e, contra este fato, não há argumentos.

Sim e não. Porque, na política, nem sempre os fatos e as versões coincidem. E as coisas que se dizem a respeito deles nos levam a percebê-los de maneiras muito diferentes.

Nenhuma versão muda o resultado, mas pode fazer com que o interpretemos de forma equivocada. Como consequência, a reduzir seu significado e lhe diminuir a importância. É nesse sentido que cabe falar em nova batalha, que se trava em torno dos porquês e de como chegamos a ele.

Para entender a eleição de Dilma, é preciso evitar três erros, muito comuns na versão que as oposições (seja por meio de suas lideranças políticas, seja por seus jornalistas ou intelectuais) formularam a respeito da candidatura do PT desde quando foi lançada. E é voltando a usá-los que se começa a construir uma versão a respeito do resultado, como estamos vendo na reação da mídia e dos “especialistas” desde a noite de domingo.

O “economicismo” – O primeiro erro a respeito da eleição de Dilma é o mais singelo.

Consiste em explicá-la pelo velho bordão “é a economia, estúpido!”

É impressionante o curso que tem, no Brasil, a expressão cunhada por James Carville, marqueteiro de Bill Clinton, quando quis deixar clara a ênfase que propunha para o discurso de seu cliente nas eleições norte-americanas de 1992. Como o país estava mal e o eleitorado andava insatisfeito com a economia, parecia evidente que nela deveria estar o foco do candidato da oposição.

Era uma frase boa naquele momento, mas só naquele. Na sucessão de Clinton, por exemplo, a economia estava bem, mas Al Gore, o candidato democrata, perdeu, prejudicado pelo desgaste do presidente que saía. Ou seja, nem sempre “é a economia, estúpido!”

Aqui, as pessoas costumam citar a frase como se fosse uma verdade absoluta e a raciocinar com ela a todo momento. Como nas eleições que concluímos, ao discutir a candidatura Dilma.

É outra maneira de dizer que os eleitores votaram nela “com o bolso”.

Como se nada mais importasse. Satisfeitos com a economia, não pensaram em mais nada. Foi o bolso que mandou.

Esse reducionismo está equivocado. Quem acompanhou o processo de decisão do eleitorado viu que o voto não foi unidimensional. As pessoas, na sua imensa maioria, votaram com a cabeça, o coração e, sim, o bolso, mas este apenas como um elemento complementar da decisão. Nunca como o único critério (ou o mais importante).

A “segmentação” – O segundo erro está na suposição de que as eleições mostraram que o eleitorado brasileiro está segmentado por clivagens regionais e de classe. Tipicamente, a tese é de que os pobres, analfabetos, moradores de cidades pequenas, de estados atrasados, votaram em Dilma, enquanto ricos, educados, moradores de cidades grandes e de estados modernos, em Serra.

Ainda não temos o mapa exato da votação, com detalhe suficiente para testar a hipótese. Mas há um vasto acervo de pesquisas de intenção de voto que ajuda.

Por mais que se tenha tentado, no começo do processo eleitoral, sugerir que a eleição seria travada entre “dois Brasis”, opondo, grosso modo, Sul e Sudeste contra Norte, Nordeste e Centro-Oeste, os dados nunca disseram isso. Salvo no Nordeste, as distâncias entre eles, nas demais regiões, nunca foram grandes.

Também não é verdade que Dilma foi “eleita pelos pobres”. Ou afirmar que Serra era o “candidato dos ricos”. Ambos tinham eleitores em todos os segmentos socioeconômicos, embora pudessem ter presenças maiores em alguns do que em outros.

As diferenças no comportamento eleitoral dos brasileiros dependem mais de segmentações de opinião que de determinações materiais. Em outras palavras, há tucanos pobres e ricos, no Norte e no Sul, com alta e com baixa escolaridade. Assim como há petistas em todas as faixas e nichos de nossa sociedade.

Dilma venceu porque ganhou no conjunto do Brasil e não em razão de um segmento.

O “paternalismo” – O terceiro erro é interpretar a vitória de Dilma como decorrência do “paternalismo” e do “assistencialismo”. Tipicamente, como pensam alguns, como fruto do Bolsa Família.

Contrariando todas as evidências, há muita gente que acha isso na imprensa oposicionista e na classe média antilulista. São os que creem que Lula comprou o povo com meia dúzia de benefícios.

As pesquisas sempre mostraram que esse argumento não se sustenta. Dilma tinha, proporcionalmente, mais votos que Serra entre os beneficiários do programa, mas apenas um pouco mais que seu oponente. Ou seja: as pessoas que tinham direito a ele escolheram em quem votar de maneira muito parecida à dos demais eleitores. Em São Paulo e Minas Gerais, por exemplo, os candidatos do PSDB aos governos estaduais foram eleitos com o voto delas.

Os três erros têm o mesmo fundamento: uma profunda desconfiança na capacidade do povo. É o velho preconceito de que o “povo não sabe votar” que está por trás do reducionismo de quem acha que foi a barriga cheia que elegeu Dilma. Ou do argumento de que foram o atraso e a ignorância da maioria que fizeram com que ela vencesse. Ou de quem supõe que a pessoa que recebe o benefício de um programa público se escraviza.

É preciso enfrentar essa nova batalha. Se não, ficaremos com a versão dos perdedores

*Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi. Também é colunista do Correio Braziliense

tijolaço

Dilma é a nova presidente do Brasil

Brizola Neto

Com 93,34% das urnas apuradas, Dilma Rousseff é a nova presidente do Brasil. A diferença de 11% é inalcançável. Faltam 9 milhões votos e Dilma tem mais de 10 milhões de votos da vantagem. A vitória do povo brasileiro está assegurada.


A verdade, o sentimento de pátria, a fé no Brasil justo e independente venceram. A mentira, a vocação subalterna e mesquinha, que se opuseram a um caminho que levantou o nosso país e que nos fez ver que um grande Brasil é a chave para que sejamos todos grandes brasileiros, foi derrotada.

Não há inclusão e justiça social fora do desenvolvimento. Não há desenvolvimento que não se alicerce na igualdade de direitos entre os brasileiros. Viva o Brasil! Viva Dilma Rousseff, a primeira mulher a presidir essa nação!

36° presidente do Brasil

Dilma Rousseff, 36º presidente do Brasil



Eduardo Guimarães

Não devo escrever muito. O momento é de os democratas comemorarem a vitoria da verdade sobre a mentira, da democracia sobre os vassalos da ditadura militar que ameaçaram retomar o poder por meio de um homem sem caráter, capaz de tudo para atingir objetivos pessoais.


Haverá muito, muito tempo para analisar o novo Brasil que não pára de surgir no horizonte. Agora é hora de comemorar. Comemore, pois. Escreva aqui o que quiser. O blog é seu. Você merece por ajudar este espaço a travar o bom combate com seu apoio, com sua leitura, sua repercussão.

Viva Lula!

Viva Dilma!

Viva a Democracia!

Viva a verdade!

Viva o Brasil!

mulheres na arte

Women In Art

a mulher mais poderosa do mundo

Brasil elege Dilma para ser “a mulher mais poderosa do mundo”

Viomundo

A foto acima não ilustrou a reportagem do jornal britânico Independent, que reproduzo abaixo, publicado antes do primeiro turno e traduzido pela Katarina Peixoto para a Carta Maior:


Hugh O’Shaughnessy – The Independent

A mulher mais poderosa do mundo começará a andar com as próprias pernas no próximo fim de semana. Forte e vigorosa aos 63 anos, essa ex-líder da resistência a uma ditadura militar (que a torturou) se prepara para conquistar o seu lugar como Presidente do Brasil.

Como chefe de estado, a Presidente Dilma Rousseff seria mais poderosa que a Chanceler da Alemanha, Angela Merkel e que a Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton: seu país enorme de 200 milhões de pessoas está comemorando seu novo tesouro petrolífero. A taxa de crescimento do Brasil, rivalizando com a China, é algo que a Europa e Washington podem apenas invejar.

Sua ampla vitória prevista para a próxima eleição presidencial será comemorada com encantamento por milhões. Marca a demolição final do “estado de segurança nacional”, um arranjo que os governos conservadores, nos EUA e na Europa já tomaram como seu melhor artifício para limitar a democracia e a reforma. Ele sustenta um status quo corrompido que mantém a imensa maioria na pobreza na América Latina, enquanto favorece seus amigos ricos.

A senhora Rousseff, filha de um imigrante búlgaro no Brasil e de sua esposa, professora primária, foi beneficiada por ser, de fato, a primeira ministra do imensamente popular Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ex-líder sindical. Mas com uma história de determinação e sucesso (que inclui ter se curado de um câncer linfático), essa companheira, mãe e avó será mulher por si mesma. As pesquisas mostram que ela construiu uma posição inexpugnável – de mais de 50%, comparado com menos de 30% – sobre o seu rival mais próximo, homem enfadonho de centro, chamado José Serra. Há pouca dúvida de que ela estará instalada no Palácio Presidencial Alvorada de Brasília, em janeiro.

Assim como o Presidente Jose Mujica do Uruguai, vizinho do Brasil, a senhora Rousseff não se constrange com um passado numa guerrilha urbana, que incluiu o combate a generais e um tempo na cadeia como prisioneira política.

Quando menina, na provinciana cidade de Belo Horizonte, ela diz que sonhava respectivamente em se tornar bailarina, bombeira e uma artista de trapézio. As freiras de sua escola levavam suas turmas para as áreas pobres para mostrá-las a grande desigualdade entre a minoria de classe média e a vasta maioria de pobres. Ela lembra que quando um menino pobre de olhos tristes chegou à porta da casa de sua família ela rasgou uma nota de dinheiro pela metade e dividiu com ele, sem saber que metade de uma nota não tinha valor.

Seu pai, Pedro, morreu quando ela tinha 14 anos, mas a essas alturas ele já tinha apresentado a Dilma os romances de Zola e Dostoiévski. Depois disso, ela e seus irmãos tiveram de batalhar duro com sua mãe para alcançar seus objetivos. Aos 16 anos ela estava na POLOP (Política Operária), um grupo organizado por fora do tradicional Partido Comunista Brasileiro que buscava trazer o socialismo para quem pouco sabia a seu respeito.

Os generais tomaram o poder em 1964 e instauraram um reino de terror para defender o que chamavam “segurança nacional”. Ela se juntou aos grupos radicais secretos que não viam nada de errado em pegar em armas para combater um regime militar ilegítimo. Além de agradarem aos ricos e esmagar sindicatos e classes baixas, os generais censuraram a imprensa, proibindo editores de deixarem espaços vazios nos jornais para mostrar onde as notícias tinham sido suprimidas.

A senhora Rousseff terminou na clandestina VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares). Nos anos 60 e 70, os membros dessas organizações sequestravam diplomatas estrangeiros para resgatar prisioneiros: um embaixador dos EUA foi trocado por uma dúzia de prisioneiros políticos; um embaixador alemão foi trocado por 40 militantes; um representante suíço, trocado por 70. Eles também balearam torturadores especialistas estrangeiros enviados para treinar os esquadrões da morte dos generais. Embora diga que nunca usou armas, ela chegou a ser capturada e torturada pela polícia secreta na equivalente brasileira de Abu Ghraib, o presídio Tiradentes, em São Paulo. Ela recebeu uma sentença de 25 meses por “subversão” e foi libertada depois de três anos. Hoje ela confessa abertamente ter “querido mudar o mundo”.

Em 1973 ela se mudou para o próspero estado do sul, o Rio Grande do Sul, onde seu segundo marido, um advogado, estava terminando de cumprir sua pena como prisioneiro político (seu primeiro casamento com um jovem militante de esquerda, Claudio Galeno, não sobreviveu às tensões de duas pessoas na correria, em cidades diferentes). Ela voltou à universidade, começou a trabalhar para o governo do estado em 1975, e teve uma filha, Paula.

Em 1986 ela foi nomeada secretária de finanças da cidade de Porto Alegre, a capital do estado, onde seus talentos políticos começaram a florescer. Os anos 1990 foram anos de bons ventos para ela. Em 1993 ela foi nomeada secretária de minas e energia do estado, e impulsionou amplamente o aumento da produção de energia, assegurando que o estado enfrentasse o racionamento de energia de que o resto do país padeceu.

Ela fez mil quilômetros de novas linhas de energia elétrica, novas barragens e estações de energia térmica construídas, enquanto persuadia os cidadãos a desligarem as luzes sempre que pudessem. Sua estrela política começou a brilhar muito. Mas em 1994, depois de 24 anos juntos, ela se separou do Senhor Araújo, aparentemente de maneira amigável. Ao mesmo tempo ela se voltou à vida acadêmica e política, mas sua tentativa de concluir o doutorado em ciências sociais fracassou em 1998.

Em 2000 ela adquiriu seu espaço com Lula e seu Partido dos Trabalhadores, que se volta sucessivamente para a combinação de crescimento econômico com o ataque à pobreza. Os dois se deram bem imediatamente e ela se tornou sua primeira ministra de energia em 2003. Dois anos depois ele a tornou chefe da casa civil e desde então passou a apostar nela para a sua sucessão. Ela estava ao lado de Lula quando o Brasil encontrou uma vasta camada de petróleo, ajudando o líder que muitos da mídia européia e estadunidense denunciaram uma década atrás como um militante da extrema esquerda a retirar 24 milhões de brasileiros da pobreza. Lula estava com ela em abril do ano passado quando foi diagnosticada com um câncer linfático, uma condição declarada sob controle há um ano. Denúncias recentes de irregularidades financeiras entre membros de sua equipe quando estava no governo não parecem ter abalado a popularidade da candidata.

A Senhora Rousseff provavelmente convidará o Presidente Mujica do Uruguai para sua posse no Ano Novo. O Presidente Evo Morales, da Bolívia, o Presidente Hugo Chávez, da Venezuela e o Presidente Lugo, do Paraguai – outros líderes bem sucedidos da América do Sul que, como ela, têm sofrido ataques de campanhas impiedosas de degradação na mídia ocidental – certamente também estarão lá. Será uma celebração da decência política – e do feminismo.

Tradução: Katarina Peixoto

12 milhões

56 a 44: Dilma deu uma surra.

O PiG (*) vai esconder


Dilma estreou com uma goleada


Em 2002 e 2006, Lula derrotou os tucanos pelo mesmo placar: 61 a 39.

O PiG (*) e seus notáveis colonistas (**) jamais disseram que foi uma surra.

O único que disse isso foi o New York Times que considerou a vitória de Lula acachapante.

Agora Dilma, que jamais se candidatou a um cargo eletivo, deu outra surra: 56% a 44% com 12 milhões de votos de diferença.

José Serra manteve o padrão sórdido que empreendeu em sua sólida campanha.

No mundo inteiro, o candidato derrotado fala primeiro ao público e dá parabéns ao vitorioso.

Aqui no Brasil, José Serra, que até hoje não admite ter perdido a eleição de 2002, deu-se ao direito de falar depois de ouvir discurso da vencedora.

Uma vez calhorda, sempre calhorda.

Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (*) que combatem na milícia para derrubar o presidente Lula. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.

dilma eleita

Dilma eleita:maioria para governar e mudar

A presidente Dilma Rousseff e o presidente Lula construiram uma coalização política poderosa.


Maioria no Senado.

Maioria da Camara.

Maioria dos governadores.

Além de fazer o sucessor, Lula teceu, ponto por ponto, a aliança com o PMDB e os partidos da esquerda para formar esse conjunto político que pode mudar o Brasil significativamente.

Não só manter controle do pré-sal e da Petrobrás (a maior vitoria de Lula !).

Não só uma Ley de Medios e a democratização da informação.

Uma reforma tributária.

Uma reforma política.

E aprofundar o processo

Além de montar os mecanismos que aprofundem a educação dos mais pobres .

Dilma pode fazer o Brasil seguir mudando.

Sem o gerundio, pode fazer, sim, uma mudança profunda.

Poucos presidente desfrutaram de uma coalização tão ampla.

É um patrimônio político respeitável.


Paulo Henrique Amorim

é

Já temos Presidenta!

é

É - Gonzaguinha/Gonzaguinha

as clarices, cecílias, marias, clementinas

Dilma e o momento épico da mulher brasileira



Juarez Guimarães e Marlise Matos


Pense em Cecília Meireles e logo se ouvirá uma canção lírica: “Pus o meu sonho num navio/ e o navio em cima do mar;/- depois, abri o mar com as mãos,/para o meu sonho naufragar.”


Leia Clarice Lispector e, então, um feminino dramático tomará de assalto sua respiração: “(…) sobretudo um dia virá em que todo meu movimento será criação, nascimento, eu romperei todos os nãos que existem dentro de mim, provarei a mim mesma que nada há a temer, que tudo o que eu for será sempre o meu princípio…”

Ouça Clementina de Jesus e saiba de pronto, assim com a certeza dos mistérios, que a raiz da raiz de nossa humanidade comum é negra, é África, é Brasil.

Imagine Leila Diniz: nenhuma chance de não sentir o mar e suas canções libertárias.

Imagine agora as milhares de mulheres anônimas deste pais (uma em cada cinco mulheres brasileiras) que recebem de seus parceiros e companheiros, ao invés de gestos de carinho, acolhimento e amor, a forca bruta da mão pesada, e ainda assim se levantam e seguem em frente, na busca permanente do amor.

Pense também naquele um terço de famílias brasileiras que tem na forca de uma mulher o sustento, o alimento, a forca e a coragem para seguir construindo um futuro melhor para si e para os seus.

Lembre-se daqueles milhões de mulheres que conquistaram os bancos escolares, ousaram estudar, se escolarizar, se instruir para através da forca da palavra romper os muros da ignorância, do preconceito e do desconhecimento acadêmico da história e das lutas das mulheres.

Por fim, lembre-se daquelas mulheres, ainda poucas, mas corajosas e resistentes, que estão na vida política pública, construindo pontes entre os nossos poderes constituídos e os direitos das mulheres.

Quando sentimos esta força interior que vem de Dilma Roussef – “esta mulher não tem medo de nada, enfrenta tudo”, disse Chico Buarque em público diante de seu mistério – ainda não sabemos direito o que sentir, o que imaginar, como identificá-la na gramática das nossas impressões.

Força, coragem, grandes feitos públicos, os valores mais associados ao gênero épico, são desde sempre valores e atos concebidos como masculinos. Tanto é assim, que se o substantivo for feminino, quando se fala de uma heroína e não de um herói épico, logo a ele se associa um adjetivo da ordem masculina: corajosa e dura como um homem, “dama-de-ferro”, valente como se não fosse mulher.

Mas Dilma, não tenhamos mais dúvidas, é personagem de um grande momento épico brasileiro. Lula encarnou um grande movimento épico dos operários e dos pobres. Dilma promete hoje, diante dos nossos olhos, um grande épico feminino.

“Luta, substantivo feminino. Mulheres torturadas, desaparecidas e mortas na resistência à ditadura” é o livro de nosso “Direito à memória e à verdade”, recém editado pela Caros Amigos Editora, em parceria com a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres e a Secretaria Especial dos Direitos Humanos. E se Dilma fosse Catarina, Marilena, Iara, Ísis, Ligia, Ana Maria, Aurora, Soledad, Sonia, Maria Regina, Miriam, Lourdes ou Anatália, ou muitas outras incógnitas ainda assassinadas entre 1964 e 1974? “Quem perde, ganha uma grande capacidade de lutar e resistir. Disso, uma geração não pode abrir mão. Eu tenho muito orgulho das minhas derrotas, que fizeram parte da luta correta”, disse Dilma na noite de seu encontro com artistas e intelectuais no Rio de Janeiro.

Os motivos da Folha de S. Paulo, ao publicar uma ficha falsificada do Dops sobre Dilma e ao editar o depoimento de um homem das engrenagens do cárcere sobre a sua personalidade, valem-se do fato de que entre nós a cultura do que se chama direitos de transição – o direito de julgar os crimes cometidos durante a ditadura militar a partir dos valores e procedimentos da democracia – é ainda muito fraca. Na verdade, querem julgar Dilma com os valores próprios da ditadura militar! Mas este momento mais escabroso da campanha de calúnias contra Dilma – o de apagar o contexto da sua corajosa luta e sofrimento pela liberdade em seu pais e de denunciá-la como “bandida”, “terrorista”, “criminosa” – vale-se também do fato de que a uma mulher, ao modo mais rasteiro e machista, não se associam os dons da luta mais dura, aguerrida, guerreira, aqueles que opõem o mais desvalido ou a mais vulnerável à desumanidade do torturador.

Dilma eleita presidente é como se Catarina, Marilena, Iara, Isis, Lígia, Ana Maria, Aurora, Soledad, Sonia, Maria Regina, Miriam, Lourdes ou Anatália, e tantas outras companheiras assassinadas, esquecidas e anônimas estivessem permanentemente evocadas, no centro da vida pública brasileira. E se os caluniadores de Dilma ganhassem sua aposta tenebrosa de transformar mártires da luta democrática em bandidos, ao modo de Walter Benjamin, seria possível dizer que até os nossos mortos correm perigo.

Expansão da identidade feminina e feminismo

Mas os lugares comuns da calúnia – Dilma já é, certamente, a mulher mais caluniada, difamada, da história brasileira (e também a mulher mais votada da historia brasileira – haverá aqui alguma transgressão?) – concentram-se ali nos pontos falhos ou fracos da nossa cultura democrática. Há uma vastíssima e profunda defasagem entre a expansão da identidade social das mulheres e a cultura pública do feminismo no Brasil contemporâneo. Este abismo está nitidamente expresso no livro editado pela Fundação Perseu Abramo, “A mulher nos espaços públicos e privados. Como vivem e o que pensam as brasileiras no início do século XXI”, baseado em pesquisas nacionais feitas em outubro de 2001.

Os motivos da expansão da identidade feminina, seja no mercado de trabalho e na educação, seja também na sua vida sexual estão ali bem expressos. Três quintos das entrevistadas têm orgulho de ser mulher; 39 % identificam ser mulher com ter a sua própria autonomia econômica no mundo do trabalho, 33 % associam ser mulher com a liberdade e independência social, mas apenas 8 % fazem tal associação com ter os mesmos direitos que os homens. Praticamente 80 % dizem estar satisfeitas com a sua vida sexual e 74 % julgam que a sua vida vai melhorar, independente da situação do país, graças ao seu auto-esforço.

Mas se 89 % julgam que há muito machismo no Brasil, só 22 % consideram-se total ou parcialmente feministas. Este índice cai inclusive com a escolarização. Explica-se: as décadas de oitenta e noventa foram décadas duramente conservadoras do ponto de vista moral no Ocidente, com grandes reflexos na nossa cultura brasileira. Houve como que uma onda de retrocesso em relação aos tempos mais libertários e igualitários dos anos sessenta e setenta. Em parte, essa configuração se deveu a involução conservadora da Igreja Católica no período, reforçando e retirando seus dividendos do quadro geral de retrocesso. Ser feminista, neste contexto cultural, associou-se a algo negativo, ruim ou até pejorativo.

Após a primeira fase épica de sua vida, Dilma, como mulher emancipada, retomou a sua vida pessoal em compasso com a sua vida profissional e pública, como fazem hoje as dezenas de milhões de mulheres brasileiras. A sua vida após o cárcere faz parte, então, desta “expansão da identidade feminina” na sociedade brasileira, que a pesquisa da Fundação Perseu Abramo demonstrou muito bem. Mas a cultura pública desta expansão da identidade feminina, isto é, uma cultura real e cotidianamente experimentada de emancipação das mulheres, com suas histórias centenárias, suas gramáticas, seus motivos, seus valores, seus personagens, seus argumentos e profunda beleza, não está ainda composta ou estabelecida na cena pública brasileira. Até mesmo a universidade brasileira, de norte a sul, leste a oeste, com toda a sua inteligência consolidada, apenas balbucia em seus currículos e programas de ensino, o feminismo.

É impressionante como a propaganda de Serra abusou desta falha democrática da cultura brasileira: caluniando de ser contra a vida aquela cultura das mulheres que exige o direito de decidir sobre o seu próprio corpo, proclamando a sua evidente limitação para ser governante do Brasil, lançando todo tipo de suspeições sobre a personalidade das mulheres emancipadas do Brasil. Ao fazer isto, mobilizava milenares, ancestrais, retrógrados estereótipos sobre as mulheres inscritos numa cultura tradicional Ocidental e em centenários arquétipos patriarcais formados e ainda preservados na cultura brasileira.

O segundo momento efetivamente épico de Dilma foi enfrentar não o torturador, mas o caluniador. Sua primeira sobrevivência foi em nome da liberdade; a sua segunda vitória será em nome da dignidade de todas as mulheres livres do Brasil.

Mulher cidadã

“Se as mulheres podem ir ao cadafalso, por que não podem também ir à tribuna?”, perguntou Olympe de Gouges, a redatora da esquecida Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã durante a revolução francesa e, afinal, guilhotinada . Por que esta mulher que foi ao cárcere pelo fundamento da democracia em nosso país, dos direitos fundamentais da liberdade, não pode agora ir agora à presidência da República?

Qual é hoje, afinal, o lugar das mulheres nas tribunas da democracia brasileira? É, sem dúvida, um lugar menor. Não nos referimos às eleitoras, já que estas, paradoxalmente, são maioria, nos referimos aqui às mulheres titulares de cargos públicos, as parlamentares ou aquelas no executivo. Há uma brutal subrepresentação, que não pode deixar de ter repercussão na agenda política do país, em seus costumes, em seus regulamentos e procedimentos, porque diz de uma déficit, de uma falha no processo de consolidação da democracia brasileira. Para gerar o seu filho, a deputada federal pelo PC do B, Jandira Feneghali foi instada a obter licença por doença porque não havia no Regulamento da Câmara Federal a figura da licença maternidade!

Dilma eleita presidente descortina uma nova história que começa na relação das mulheres com a política institucional no Brasil, que teve início há tempos com os movimentos sufragistas liderados nos inícios do século XX com Bertha Lutz. É apenas o começo de um amplo movimento político e social pela paridade e a justiça na representação – um direito devido as mulheres brasileiras – que certamente ganhará maior profundidade nos próximos anos. E, sem partilhar de nenhuma presunção sobre a natureza das mulheres, se poderá dizer que outra será a agenda, outra devera ser a relação dos temas públicos e privados, outra a linguagem da democracia brasileira em formação. Pois é, finalmente, a figura plena da mulher cidadã política que está tardiamente se formando entre nós.

No momento mais lírico de sua nova jornada épica, Dilma Roussef, na Convenção Nacional do PT, citou o verso de Drummond “Teus ombros suportam o mundo/ e ele não pesa mais que a mão de uma criança”, para lembrar que o seu reencontro com a vida após a experiência do cárcere foi quando sentiu em seu ombro, pela primeira vez, a mão da sua filha recém nascida. Será que, como imaginou Chico Buarque em uma das suas muitas canções inesquecíveis, virá, com Dilma, enfim, o “tempo das delicadezas”?

Juarez Guimarães é professor de ciência Política da UFMG e autor de “a esperança crítica” ( Editora Scriptum, 2008).
 Marlise Matos é professora do Departamento de Ciência Polaítica da UFMG e autora de “Reivenções do vínculo amoroso” ( Editora da UFMG/Iuperj, 2000)

é hoje o dia

MONOBLOCO - É Hoje

bem no final o mal confessa, quer o Brazil

Serra confessa intenção de privatizar pré-sal

Publicado no Vermelho


Durante os debates televisivos do segundo turno o candidato tucano José Serra negaceou e evitou o tempo todo assumir uma posição sobre o marco regulatório do pré-sal, mas na véspera da eleição ele resolveu abrir o jogo. Divulgou um “programa de governo” que confessa a intenção privatizante denunciada por Dilma Rousseff.

O programa tucano, neste ponto, é uma lista de compromissos do candidato com as transnacionais do petróleo. Reflete com fidelidade os interesses do capital estrangeiro na exploração do pré-sal e torna mais compreensível a bizarra posição da revista inglesa The Economist e do jornal Financial Times, também britânico, porta-vozes destacados do imperialismo anglo-americano.

Compromissos com as transnacionais

Conforme informações do jornal O Estado de São Paulo (na matéria intitulada “Candidatos divergem sobre marco para pré-sal”, edição de sábado, 30, página A9), o documento prevê o retorno dos leilões de áreas para exploração do petróleo promovidos pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), que foram suspensos desde a descoberta do pré-sal; a “reavaliação” da estatal Pré-Sal Petróleo S.A, criada com o objetivo de gerenciar a exploração e a apropriação dos lucros do pré-sal. Além disto, acena com a manutenção do modelo de concessões, que o governo Lula alterou, introduzindo o regime de partilha na exploração do pré-sal.

Esses compromissos coincidem com as críticas que o capital estrangeiro e seus porta-vozes fazem com o novo marco regulatório proposto por Lula, onde se destaca a mudança do regime de exploração, a criação da estatal e a suspensão dos leilões, precisamente o que o candidato Serra promete rever.

A candidata Dilma Rousseff acusou o tucano de intenções privatizantes principalmente pela ideia de manter o regime de concessões, defendida ostensivamente por “especialistas” tucanos, e pela falsa suposição de que “a Petrobras não tem como explorar sozinha as gigantescas reservas de petróleo do pré-sal”, apregoada pelo assessor econômico da campanha do ex-governador paulista, Luiz Paulo Vellozo Lucas. “O governo deveria trabalhar para atrair grupos estrangeiros", defendeu Lucas, candidato do PSDB ao governo do Espírito Santo que sofreu uma humilhante derrota no primeiro turno para Renato Casagrande, do PSB.

Interesses antinacionais

Por trás de argumentos técnicos e das divergências entre os “especialistas” estão os interesses sorrateiros de poderosas transnacionais com quem o tucanato sempre teve o rabo preso. Recordemos que os interesses maiores da nação passaram ao largo das negociatas tenebrosas celebradas no programa de privatização comandado por FHC e Serra, que o presidenciável da coligação demo-tucana pretende retomar.

Abusando da hipocrisia, a campanha de José Serra chegou a acusar a candidata Dilma Rousseff de privatização pelo fato do governo Lula ter promovido leilões para exploração do petróleo em certas áreas, dentro do regime de concessões e antes da descoberta do pré-sal. Os leilões foram interrompidos desde a descoberta do pré-sal e o modelo de concessões deve ser alterado. Mas o programa serrista se compromete a retomar os leilões e manter o marco regulatório herdado de FHC. Haja hipocrisia.

Os leilões e o regime de concessões foram estabelecidos durante o governo FHC nos marcos das reformas neoliberais realizadas na época, incluindo o fim do monopólio da Petrobras. Os trabalhadores da empresa e os movimentos sociais nunca deixaram de criticar este aspecto da herança maldita deixada pelo neoliberalismo. Apesar disto, o governo Lula achou por bem não alterar as regras do jogo, até porque a descoberta e a exploração do combustível eram, então, bem mais difíceis.

Novas regras para uma nova realidade

O cenário mudou com a descoberta do pré-sal, conforme salientou a candidata da coligação Para o Brasil Seguir Mudando. “O pré-sal é um bilhete premiado”, assinalou Dilma. Por esta razão, o governo Lula decidiu suspender os leilões e mudar o marco regulatório.

No regime de concessões, as empresas privadas (principalmente transnacionais) ficam com o direito de se apropriar de toda a renda proveniente da extração do óleo, pagando apenas royalties ao Estado. No sistema de partilha, a Petrobras terá o monopólio da exploração e o grosso dos lucros será apropriado pelo Estado através da nova estatal criada para gerenciar o pré-sal (Pré-Sal Petróleo S.A, que Serra quer “reavaliar”).

Com sabedoria, o governo mudou as regras do jogo, tendo em conta a nova realidade, renunciando à herança neoliberal. Serra argumenta, no programa tucano divulgado na última hora, que a mudança do marco regulatório “representa um voto de desconfiança na Petrobras, retarda a exploração do pré-sal e traz insegurança para o setor”.

São argumentos falsos, de quem não confia no Brasil, usados para encobrir as intenções privatizantes, inconfessáveis porque rechaçadas pelo eleitorado. O processo de capitalização da Petrobras, no qual a estatal levantou 120 bilhões de dólares, fala mais alto sobre a capacidade da empresa operar o pré-sal. O petróleo é nosso e não das transnacionais, como quer Serra.

Da redação, Umberto Martins

sentido histórico... #globomente, você sabe disso(?)

O sentido histórico de uma candidatura


Marco Aurélio Weissheimer

Reproduzo aqui artigo publicado no início da campanha na televisão, dia 17 de agosto. Acho que resume bem o sentido histórico da candidatura de Dilma Rousseff:



O primeiro programa de TV da candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República calou fundo. E a emoção que despertou não foi resultado de um truque de marketing. A excelência técnica, neste caso, foi submissa ao sentido histórico da candidatura. Entregou-se por inteiro, de joelhos – a qualidade de imagem, de edição, de som, de roteiro –, para narrar um pedaço da história recente do Brasil e para apresentar uma importante personagem dessa história. A imagem de abertura é simples e poderosa: uma estrada, um veículo e somos convidados a seguir em frente com as nossas crenças, paixões e compromissos. Essa jornada, no programa, não é uma invenção aleatória, mas sim um trajeto muito bem situado historicamente. Tem passado, presente e futuro. E estabelece nexos entre eles.

Há vários detalhes que devem ser destacados. Nos programas vitoriosos de Lula, em 2002 e 2006, a ditadura militar não foi tema no debate eleitoral. Agora, aparece já no primeiro programa de Dilma. Por duas razões. Os adversários de Dilma querem usar contra ela seu passado na luta armada contra a ditadura militar, apresentando-a como uma “terrorista”. O expediente, explicitado didaticamente na capa da revista Época, já depõe contra o candidato José Serra que, supostamente, também foi perseguido pela ditadura militar. Se não foi supostamente, ou seja, se foi de fato, não deveria jamais autorizar esse tipo de argumento autoritário e aliado do fascismo que governou o país por aproximadamente duas décadas. Mas o tiro da Época saiu pela culatra e ajudou a consolidar, na figura pública de Dilma, uma dimensão histórica que não era desejada por seus adversários (não deveria ser ao menos). A capa da revista vai, entre outras coisas, inundar o país com milhares de camisetas como a fotografia de uma mulher que entregou-se de corpo e alma na luta em defesa da democracia. Então, ela não é apenas uma “gerentona linha dura”, sombra de Lula, sem história nem passado. A candidata não só tem passado, como o resgate desse passado parece incomodar o candidato Serra, ele também, supostamente, um resistente da ditadura.

Isso não é pouca coisa. Como tantos outros brasileiros e brasileiras valorosos, Dilma participou da resistência armada contra um regime criminoso que pisoteou a Constituição brasileira e depôs um presidente legitimamente eleito. E a palavra legitimidade adquire um sentido muito especial neste caso. A transição da ditadura para a democracia, como se sabe, ocorreu com muitos panos quentes e mediações. Muita coisa foi varrida para debaixo do tapete por exigência dos militares e seus aliados civis conservadores. E agora, uma filha da geração dos que lutaram contra a ditadura apresenta-se como candidata a disputar o posto mais alto da República. Mais ainda, como candidata a dar prosseguimento ao governo do presidente com a maior aprovação da história do país. Um presidente saído das fileiras do povo pobre, sindicalista, que também participou da luta contra o regime militar e ajudou a acelerar a transição para a democracia.

Dilma representa, portanto, a linha de continuidade de uma luta interrompida pelo golpe de 1964, retomada no processo de redemocratização e que hoje materializa-se em um governo com aproximadamente 75% de aprovação popular. Ela representa também a possibilidade de outras retomadas para fazer avançar a democracia brasileira. Em outras palavras, é uma candidatura com sentido histórico bem definido, um sentido que remonta a um período anterior inclusive ao golpe militar de 1964. Quando Dilma diz que olha o mundo com um olhar mineiro e que pensa o mundo com um pensamento gaúcho, não está fazendo um gracejo regionalista, mas sim retomando uma referência histórica que remonta à primeira metade do século XX e que, ainda hoje, causa calafrios nas elites econômicas e políticas de São Paulo. Essas são algumas das razões pelas quais o programa de Dilma calou fundo. Ele fala da história do Brasil, de algumas das lutas mais caras (na dupla acepção da palavra, querida e custosa) do povo brasileiro, de vitórias e derrotas. Isso transparece em suas palavras e em seu olhar. Há verdade aí, não invenção de propaganda eleitoral. Ela viveu aquilo tudo e tem hoje a oportunidade de conduzir o Brasil nesta jornada, na estrada que nos leva todos para o futuro.

Passado, presente e futuro não são categorias isoladas e aleatórias. Um não existe sem outro. São diferentes posições que assumimos nesta estrada que aparece no programa. É um programa que cala tão mais fundo quanto mais percebemos os elos de ligação nesta jornada e a oportunidade histórica que essa eleição oferece de religar alguns fios dessa trama que, em função de algumas doloridas derrotas, acabaram ficando soltos pelo caminho.

também concordamos... a #rbsconde também, né(?)

Serra é a favor da decência. O C Af também !
(O blog do mauro também!)


O C Af concorda: é preciso dar um BASTA à indecência !


O novo presidente da Liga Católica da UDN de São Paulo, o santarrão do José Serra escreveu um artigo na pagina três da Folha (*) em defesa da Decência.

Este Conversa Afiada subscreve esse trecho do memorável artigo: queremos Moralidade, Decência, Valores ( nada de aborto, nem no Chile !) !

Leia o que diz sobre esse momentoso assunto o Blog Amigos do Presidente Lula:

Paulo Preto e os negócios em família

Empresa de transportes criada pelo genro e pela mãe do ex-diretor do Dersa alugou guindastes às empreiteiras que construíram o rodoanel paulista

À medida que são esmiuçados os passos de Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, nos subterrâneos do governo tucano, vão ficando cada vez mais claras as relações comprometedoras do ex-diretor do Dersa com as empreiteiras responsáveis pelas principais obras de São Paulo. Em agosto, quando trouxe a denúncia formulada por dirigentes do PSDB do sumiço de pelo menos R$ 4 milhões dos cofres da campanha de José Serra à Presidência, ISTOÉ revelou que a maior parte da dinheirama fora arrecadada junto a grandes empreiteiras responsáveis pela construção do rodoanel. Agora é descoberto um elo ainda mais forte entre o engenheiro e as construtoras da obra, considerada uma das vitrines do governo tucano em São Paulo.

A empresa Peso Positivo Transportes Comércio e Locações Ltda., de propriedade da mãe e do genro do ex-diretor do Dersa, prestou serviços para as obras do lote 1 do trecho sul do rodoanel por um período de, pelo menos, três meses no ano de 2009. A informação foi confirmada à ISTOÉ pela Andrade Gutierrez/Galvão, do consórcio de empreiteiras contratado pela obra. Os serviços consistiram no fornecimento de guindastes para o transporte e a elevação de cargas. “A empresa Peso Positivo, assim como outros fornecedores prestadores de serviços do consórcio, é contratada sempre de acordo com a legislação em vigor. A decisão de contratar prestadores de serviços é exclusivamente técnica”, alega a Andrade Gutierrez. Leia a matéria completa na IstoÉ



Cartas marcadas no metrô de Serra

Fraude em licitação de R$ 4 bilhões indica um acerto prévio entre o governo paulista e as construtoras para definir os vencedores de uma das maiores obras da gestão tucana


Por essa José Serra não esperava. Na reta final da campanha, o tucano passou a ter de explicar uma fraude numa obra de R$ 4 bilhões na licitação do Metrô de São Paulo. O esquema com empreiteiras contratadas pelo governo paulista foi revelado pela “Folha de S. Paulo”. Na terça-feira 26, o jornal mostrou que teve acesso aos resultados da concorrência seis meses antes de o governador do Estado, Alberto Goldman, anunciar os vencedores. A reportagem não deixa dúvidas de que as obras de expansão da Linha 5 (Lilás) – que devem levar 12 quilômetros de trilhos do Largo Treze, na zona sul da cidade, às estações Santa Cruz (Azul) e Chácara Klabin (Verde) – fazem parte de um jogo de cartas marcadas.

No dia 23 de abril, o jornal havia registrado em cartório e em vídeo gravado na redação os nomes dos consórcios que seriam escolhidos para vencer a concorrência de um processo iniciado em outubro de 2008, quando Serra era governador de São Paulo. Três dias depois do registro, começou uma estranha movimentação: o Metrô rejeitou a oferta do consórcio Galvão/Serveng para as obras do lote 2 da Linha 5 por suspeita de superfaturamento e determinou que os 17 consórcios que disputavam todos os lotes em aberto (2, 3, 4, 5, 6, 7 e apresentassem novas propostas entre maio e junho. Em 21 de outubro, o atual governador, Alberto Goldman (PSDB), divulgou o nome dos novos vencedores. Surpresa: os felizardos escolhidos eram exatamente os mesmos que a “Folha” tinha identificado seis meses antes.

“Direcionamento não houve”, alegou o presidenciável Serra. “Pode ter havido acordo de construtoras e eu creio que o governador Goldman vai instaurar uma investigação.” A candidata do PT, Dilma Rousseff, sugeriu que “pelo menos desta vez” a gestão tucana tomasse providências diante das evidências de um escândalo. Mas Serra deixou claro que defende uma apuração apenas parcial, excluindo o governo do Estado das investigações. “Não houve nada”, disse ele. Há sinais claros de que o Estado de São Paulo, na gestão de Serra, fez uma licitação acertada previamente com as empreiteiras, mas, mesmo assim, ele entende que não existe razão para que o governo seja investigado. Para se defender, o ex-governador usa a tática do ataque: “Quem faz isso publicamente e abertamente é o governo federal.” É fato: Serra sempre aponta que não existem escândalos que o comprometam, mesmo quando eles surgem com provas evidentes.

“Não basta interromper as obras, ocorreram vários crimes”, afirma o deputado estadual Major Olímpio (PDT). “Houve formação de cartel e há fortes indícios de improbidade administrativa. Não adianta só a polícia e o Ministério Público apurarem. Apenas a Assembleia Legislativa, através de uma CPI, pode investigar todos os níveis do poder público, inclusive o governador.” Acuado, Goldman, a exemplo de Serra, partiu para o ataque: “O que eu posso esperar dessa gente? Qualquer coisa que não tenha nossa responsabilidade eles tentam colocar como responsabilidade nossa.”

Os problemas no processo de licitação da Linha 5 não são os únicos que lançam dúvidas sobre autoridades e empresas ligadas à Secretaria de Transportes do governo paulista, responsável pelas principais obras do Estado e protagonista de vários escândalos. No ano passado, a Justiça de São Paulo pediu o bloqueio de uma conta de Jorge Fagali Neto, irmão do presidente do Metrô, num banco da Suíça. Para os promotores do caso, há indícios de que ele tenha recebido recursos ilegais da Alstom – empresa que está sob investigação no Brasil e na Suíça por suspeita de pagar propina para fechar contratos milionários com o governo de São Paulo. A conta atribuída a Fagali Neto recebeu créditos que somam quase R$ 20 milhões. Ele nega a acusação. Outro processo que tira o sono de Serra corre desde 2007. Em janeiro daquele ano, uma cratera de 38 metros de profundidade surgiu, de repente, numa rua da zona oeste de São Paulo, onde estava sendo escavado um túnel da Estação Pinheiros. Sete pessoas morreram soterradas. O Ministério Público descobriu uma série de irregularidades na obra, entre elas a alteração do projeto inicial e a inversão do sentido e da sequência das escavações. Catorze funcionários e ex-funcionários do Metrô e das empreiteiras contratadas respondem na Justiça. Mas, até agora, ninguém foi punido.

Quem vive o cotidiano do Metrô não se surpreende com as irregularidades. “O mais grave é que as obras costumam atender a apelos políticos. Por isso, elas demoram tanto. O metrô da Cidade do México, que tem 230 quilômetros de extensão, começou a ser construído na mesma época que o de São Paulo, que tem apenas 65 quilômetros de trilhos”, afirma Wagner Fajardo, presidente da Federação Nacional dos Metroviários. “O PSDB, nos últimos 16 anos, construiu cerca de 20 quilômetros de metrô em São Paulo. Em média, 1,2 quilômetro por ano de governo. Nesse ritmo, Serra levaria 400 anos para fazer o que ele está prometendo, se for eleito presidente da República.” Fajardo lembra que os passageiros viajam como sardinha em lata. Nos horários de pico, em determinadas linhas, dez ou 11 pessoas se espremem em cada metro quadrado de vagão. Em setembro, a Linha Vermelha, a mais movimentada da cidade, ficou paralisada durante mais de duas horas. Pelo menos 150 mil usuários foram afetados. De acordo com a direção do Metrô, uma blusa presa numa das portas provocou o caos. Em pânico, passageiros que estavam dentro dos trens quebraram as janelas, saíram dos vagões e começaram a andar sobre os trilhos. Naquele dia, problemas técnicos levaram o Metrô paulista às manchetes nacionais. Agora, foi a corrupção. Aqui na IstoÉ veja fotos
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O blog do mauro vem de público dizer que aborto no Chile não vale, isso é baixaria. Não conta. Acho que a gente deveria fechar um olho pra isso. Aqui, a burguesia também faz e a gente já fecha os dois olhos faz um bom tempo. O probrema são essas mulheres pobres que engravidam e mudam da idéia. É baixaria. É um horror. O blog do mauro tem quase certeza que isso vai se resolver. A burguesia vai continuar fazendo o aborto, aqui ou no Chile, e as mulheres pobres vão continuar morrendo. então, já ta resolvido.

e o paulo preto (?) esse não vai dar pra varrer

Lula e a sordidez do Serra: até o Papa ele usou na campanha

Serra à direita, com os Reis Magos do Metrô


Logo após votar em São Bernardo do Campo, Lula desabafou, com incontida irritação.

Acusou o Serra de realizar a campanha eleitoral mais sórdida de que ele, Lula, se lembra.

E Lula participou de quatro campanhas presidenciais e de uma para governador.

Ele – nem ninguém – nunca viu nada igual.

Lula recriminou em Serra a politização da religião.

Primeiro, o casamento gay e o aborto.

Como Bush, o filho, sem tirar nem pôr.

Como se a Dilma fosse a favor de matar criancinhas.

E o aborto só se tornou menos visível (porque, “invisível”, sempre esteve) quando se soube que a própria mulher do santarrão tinha feito aborto.

Depois, a irreligiosidade da Dilma.

Logo ele, Serra, que crê em Deus como FHC: com a devoção com que crê na monogamia.

Serra manipulou até uma declaração do Papa contra o aborto.

Disse o Lula hoje de manhã: a Igreja é contra o aborto desde sempre.

Por que só agora a Igreja seria contra o aborto com o propósito de eleger o Serra ?

Serra termina a sórdida campanha de 2010 na manjedoura em que se acolherá, daqui em diante.

Segundo o artigo da página três da Folha (*) de hoje, Serra, além de convertido à Opus Dei, é favor da “decência”.

É a velha UDN de São Paulo, de Herbert Levy, do Padre Godinho, o último redutos dos santarrões de São Paulo.

Decência, sem duvida.

Ele é a favor da decência do Robanel.

A decência do Paulo Preto.

A decência da mãe do Paulo Preto, que cedia guindastes ao Robanel.

A decência da licitação com carta marcada do metrô.

O Alckmin deveria pregar ao Serra a mesma peça que o Serra lhe pregou.

Ao assumir o Governo do Estado, Serra, na frente de Alckmin, como um Defensor Implacável dos Valores, anunciou que ia “rever os contratos”.

Como se o Alckmin fosse um corrupto.

Agora, Alckmin, ao assumir, deveria fazer o mesmo: rever os contratos da “família Paulo Preto” e a concorrência de carta marcada do metrô.

Em nome da decência.


Paulo Henrique Amorim

(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

vem de longe

Dilma representa luta que “vem de longe”

Este é do Escrevinhador

Serra não deu as caras pela manhã nesse dia decisivo. Ele prefere a noite e as sombras. Dilma começou a jornada com um café-da-manhã simbólico em Porto Alegre: ao lado de Alceu Collares (PDT), Olívio Dutra e Tarso Genro (PT). Já escrevi aqui que Dilma é o reencontro do PT com o trabalhismo de origem varguista.


Depois de lutar contra a ditadura em organizaçções de esquerda marxista, Dilma optou pelo PDT quando a democracia voltou, nos aos 80. Esteve ao lado de Brizola, foi secretária de Alceu Collares no governo gaúcho. E não renega essa história, assim como não renega o passado de resistência à ditadura.

Brizola, esse grande brasileiro, costumava dizer: “venho de longe, de muito longe”. A frase tinha um sentido duplo: ele queria dizer que vinha de uma cidadezinha lá do interior gaúcho, e ao mesmo tempo que representava uma corrente de lutas enraizada no imaginário popular. Era um contraponto ao PT – que na época imaginava que as lutas populares no Brasil tinham começadao em 79, com as greves do ABC.

Dilma vem de longe, sim!

Dilma representa as lutas sociais do Brasil, e poderíamos ir buscar esse fio da história lá nas lutas anti-coloniais e anti-escravistas – de Tiradentes e Zumbi. Mas fiquemos no passado mais recente. Dilma é o tenentismo que lutou contra a República Velha. Dilma é o trabalhismo de esquerda. Dilma é o nacionalismo de Vargas – com Petrobrás, BNDES e o fortalecimento do Estado. Não é à toa que o ódio da elite anti-nacional contra Vargas tenha reaparecido agora com o ódio contra Lula e Dilma.

A candidata petista vem de muito longe.

Dilma é a Campanha da Legalidade em 61 – movimento em que Brizola resistiu contra o golpe, entricheirando-se no Palácio do Piratini e convocando a Rede da Legalidade.

Dilma é Luiz Carlos Prestes. Dilma é Arraes. Dilma é Francisco Julião e suas Ligas Camponesas.

Dilma é a resistência ao Golpe de 64, a resistência à ditadura e ao AI-5. Dilma é Lamarca, é Marighella e a esquerda de armas na mão contra a ditadura. Mas Dilma é também o MDB de Ulysses e da luta pela democracia formal. Nos anos 70, parecia que essa duas vertentes não iriam se encontrar nunca. Mas elas se encontraram!

Dilma é a greve de 79. Dilma é Vila Euclides. Dilma é a Campanha das Diretas e a Constituição cidadã de 88.

Dilma é Brizola. Dilma é Lula.

Dilma vem de longe. Concentra em sua candidatura lutas históricas do povo brasileiro. Dilma é a defesa de um legado de 8 anos. Defesa de um governo que teve, sim, muitos erros. Mas significou um avanço tremendo nesse país de tradição oligárquica e conservadora.

Dilma é a retomada do fio da história do Brasil. Um fio interrompido em 64. Dilma é o MST e as centrais sindicais. Dilma é o Brasil dos movimentos sociais, da luta contra concentração de terra e renda, contra a concentração da informação na mão de meia dúzia de famílias.

É importante eleger uma mulher – sim! Importantíssimo, e nos próximos dias poderemos avaliar isso melhor. Mas Dilma não é simplesmente “mulher”. É uma brasileira que ousou lutar contra a ditadura, em organizações clandestinas. Isso a velha elite não perdoa. É uma marca tão forte quanto os quatro dedos do operário que nunca será aceito na velha turma.

Dilma vem de longe. Dilma não é uma “invenção do Lula”. Dilma concentra a esperança de um Brasil mais justo.

Nesse dia histórico, depois de uma campanha exaustiva e lamentável por parte da direita, é preciso ainda estar atento. Porque do outro lado há gente que também vem de longe.

Serra representa o golpismo de Lacerda, Olympio Mourão, das marchas com Deus e a família. Serra é a concentração de renda dos militares, Serra é a ditadura. Infelizmente, jogou no lixo sua história somando-se ao que há de pior na história brasileira.

Serra vem de longe também. Serra é o liberalismo de FHC, Serra é o desmonte do Estado, Serra é Brasil dos anos 90 que se ajoelhava diante dos EUA, e que desprezava a unidade latino-americana.

Serra é um Brasil que vem de longe nos grandes e pequenos golpes contra a democracia. Por isso, é preciso estar atento nessa dia decisivo. Atento às urnas, aos boletins de urna, à fiscalização das urnas.

Votar em Dilma é votar num país que vem de longe. E que pode chegar muito mais longe nas próximas décadas.

sem tirar onda de herói

Raul Seixas - Cowboy fora da lei

sBREPASTO

Raul Seixas - Tente Outra Vez

iGUARIA lEVE

Raul Seixas - Sociedade Alternativa

rEFEIÇÃO cASEIRA

Raul Seixas - Eu Nasci hÁ DeZ Mil Anos Atrás

gênero, raça e etnia

Brasil - Série "Trabalho Doméstico, Trabalho Decente"



Este vídeo faz parte da série Trabalho Doméstico, Trabalho Decente, fruto da parceria entre o Canal Integración/TV Brasil e o UNIFEM Brasil e Cone Sul (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher), por meio do Programa Regional de Gênero, Raça e Etnia desenvolvido no Brasil, Bolívia, Guatemala e Paraguai. A série revela a realidade do trabalho doméstico na América Latina e Caribe e medidas de promoção de políticas públicas efetivas para a inclusão e a valorização do trabalho doméstico na região.
O dia decisivo. E a paz do dever cumprido

Publicado no Tijolaço


 

Chegamos ao dia decisivo.


Foram meses que ensinaram muito a todos nós.

Creio que o primeiro ensinamento foi algo que todos partilhamos: do mais humilde dos brasileiros ao próprio presidente Lula.

O de que não existe caminho para justiça social no Brasil que não passe pelo desenvolvimento econômico e pela afirmação de nossa soberania como nação.

Acho que todos entendemos que, reescrevendo a frase que ficou famosa nos tempos do “milagre econômico” da ditadura, o bolo só cresce se for mais bem dividido e só é mais bem dividido quando cresce.

Progresso econômico e progresso social são duas faces inseparáveis de um Brasil que quer e precisa crescer.

De fato, basta examinar todos os indicadores econômicos e sociais para que se veja que o governo Lula disparou em realizações e em popularidade no seu segundo mandato, ao assumir claramente sua natureza nacional e popular, deixando à beira do caminho aqueles que defendiam, embora com menos ferocidade, as mesmas regras neoliberais que marcaram o governo FHC.

Numa palavra, foi finalmente o governo Lula quem retomou a linha de afirmação nacional, econômica e social que marcou a vida brasileira nas décadas de 30, 40, 50 e até mesmo na década de 60, pois o progresso desse país tinha uma força inercial que nem mesmo a ditadura militar, embora com seus componentes entreguistas, conseguiu romper de imediato.

A década final do regime autoritário, marcada pela estagnação, foi sucedida primeiro pela nulidade de Sarney, o energúmeno, e depois, pelo neoliberalismo privatista se afirmou com a nova ditadura: a do pensamento único.

Em 1995, com Fernando Henrique Cardoso, o viés subalterno que passou a comandar a vida brasileiro sentiu-se seguro ao ponto de rasgar o véu da hipocrisia e declarar que sua missão era sepultar definitivamente o que chamaram de Era Vargas, significando com isso o seu desejo de alienar todas as riquezas desta nação e conformar o Brasil a uma condição colonial.

Mas manter o Brasil como colônia, embora o venham conseguindo há cinco séculos, é algo que não se consegue se há liberdade.

Um grande e maravilhoso país, com um grande e generosa população só pode ser pequeno se nos aceitarmos assim, se nos desprezarmos como povo e como nação. Se vivermos na tristeza e no silêncio.

Foi por isso que suprimiram a liberdade em 64. Foi por isso que a deformaram, com o poder midiático, na eleição de Collor e, depois, com a ideia de que a história dos conflitos pela afirmação das nações era passado e a globalização e o mercado eram fenômenos divinos e invencíveis.

Daí nos vem o segundo ensinamento: se a liberdade de imprensa sempre foi uma ferramenta da rebeldia generosa e da decência humana, o direito à comunicação, que a engloba, é ainda maior: é o fundamento da liberdade e da democracia.

Controlá-lo, desde os tempos em que os livros dependiam do imprimatur dos senhores dos feudos terrestres e celestiais, sempre foi a chave do poder.

É verdade que os meios tecnológicos, pouco a pouco, foram eliminando estes “privilégios de impressão”, culminando nesta maravilhosa ferramenta que é a internet.

Mas um a um, o poder sempre procurou se apoderar deles e desvirtuar o seu sentido libertário, fazendo dele não apenas o que deve também ser, diversão e entretenimento, mas diversionismo e entorpecimento.

E, sejamos realistas, os espaços que abrimos aqui, na internet, ainda são pequenos e pouco significativos perto das estruturas de manipulação e mentira que dominam e que, também aqui, conseguem montar.

Um governo popular, no Brasil, tem de encarar a democratização da comunicação como a espinha dorsal de sua sobrevivência política.

Porque os inimigos de um Brasil popular contam com quase toda a comunicação, com suas máquinas de produzir mentiras, de distorcer verdades e de deformar consciências.

Outro dia, num evento na Carta Capital exortou os políticos a não terem medo da grande imprensa.

Concordo com ele, mas é preciso que o Governo também não a tema, como vem sendo tristemente verdadeiro há décadas.

Procurei praticar aqui, tanto quanto pude, este conselho.

Este pequeno espaço, que começamos a abrir há menos de um ano e meio, modestamente, procurou não ter este medo, nem viver em função de vantagens, poder ou sucesso eleitoral.Nunca, apesar dos conselhos para que o fizesse, deixei de lado as grandes lutas para cair no terreno estéril e falso da promessa, da cooptação, da formação de grupos de interesse.

Hoje, no dia em que se encerra uma etapa importante da luta histórica de nosso povo, o corpo está extenuado, mas a consciência serena.

Este mês, 1,2 milhão de acessos ao Tijolaço e , sobretudo, os mais de 15 mil comentários postados desde 1º de outubro mostram que este se tornou um lugar de encontro, para dividir ideias, angústias, revoltas e paixões.

Para dividirmos o que somos de verdade, pois é o que somos de verdade o melhor que podemos dar uns aos outros.

A minha gratidão a todos os que colaboraram neste processo, lendo, criticando, sugerindo, me dando até uns “foras” de vez em quando.

Carregar este sobrenome e escrever sob um título que identifica a luta de um grande homem é um enorme peso para alguém tão pequeno.

Mas se cada um de nós, nas nossas pequenas forças, pudermos, cada um, conduzir um grão de areia, é certo que juntos podemos fazer uma montanha.

A minha gratidão e reconhecimento a todos, e que o destino sorria a este povo tão sofrido.

Viva o povo brasileiro, razão de ser do Brasil!

PS. Em cumprimento da legislação eleitoral, não farei postagens mencionando candidatos hoje, dia das aleições, até o fechamento das urnas. A tela de Di Cavalcanti que encima este post, chamada “Mulheres Protestando”, diz tudo

sábado, 30 de outubro de 2010

a mulher é encantada por dentro

Sonhar esperança é pensar a vida

Mauro Marques

Eis a Dilma, em insistência suave, mas decidida. Não se deixa influir por caras feias, vozes aterradoras anunciando o fim da história e que tudo já está decidido, enquanto só nos resta o sonho da cruz. Não busca desacreditar qualquer reflexão crítica sobre a maneira de conduzir nossos acertos e erros com as crianças, jovens ou adultos. Mas o dragão do mal ou do bem, pronto para matar, precisa ser olhado de frente, pois não nos acabamos no sonho de uma cruz, nem no desespero das cicatrizes que carregamos pela nossa existência, precisamos sem medo olhar adiante e aprender da malícia. Necessitamos enfrentar o sorriso falso, o elogio venéfico, a conduta meretriz e afrontar a sua desumanidade.
A mulher é encantada por dentro, esperando uma filha, brotando um filho e florescendo afluída ao sabor da maré, com novos sabores, a refletir a luz que se liberta da opressão, da ignorância, fazendo desaparecer a escravidão humana.
A mim parece importante chamar a atenção para quantas e quantas vezes sucumbimos frente a falas destrutivas e desesperançadas, que nos fragmentam e nos implodem em pequeninos pedaços voadores, transformando em poeira nossas tentativas íntimas. Nas muitas e mais tantas oportunidades em que isto acontece, não o sabemos se ocorre por intenção deliberada ou por não sabermos pensar e sentir diferente. Guardamos silêncio para o enfrentamento final quando o bem vencerá definitivamente o mal. Eis o imobilismo na crença que haverá somente um embate e que todos os desgastes dos afrontamentos anteriores se dão sem razão. Ao assumir uma posição critica e não lírica deixamos de assumir os defeitos e dificuldades dos outros para estabelecer parcerias razoáveis de comprometimento com a esperança, dentro de uma aceitação libertadora do outro em mim que retorna ao outro que está fora de mim.
Somos energizado ao ouvir Lula e Dilma!
Superamos dia-a-dia estes papéis mágicos e autoritários, descobrimos que precisamos de novos olhares sobre o nosso quê fazer, sacudindo a poeira do tempo e descobrindo aos poucos um novo eu que já existia, permanecia escondido pela poeira da imperturbabilidade ingênua ou solércia medrosa.
A esperança no homem e na mulher, independentemente da maneira como se manifesta e se diz pertencente e querendo a humanidade que nos habita, é permanentemente mobilizada para recriar as condições humanas de ser mais. Esperar o que se deseja é o natural, a necessidade que transcende a biologia e vem se assentar em nossa condição humana, no desejo que existe na palavra e na reflexão que impregna nossa ação. E é esta palavra carregada com nossos desejos que aviva a vida voltada para o humano que se quer sendo mais humana, recriadora das possibilidades e oportunidades que nos aproximam.
Sonhar esperança é pensar a vida com um chá refrescante de hortelã na xícara, em nossas mãos, quentinho e aconchegante, que necessita ser sorvido, tomado delicada e decisivamente, sem esperar que amorne ou esfrie. A esperança do chá está na sua delicadeza e na sua maneira diferente de observar e influir na vida, na saúde da existência, na ausência de agressões e resultados inflamados por fármacos tirânicos e imediatistas.
A receita antibiótica se revela eficaz para acabar com o analfabetismo porque acaba com o analfabeto. Antes das receitas está o amor capaz de nos aliviar aos poucos um pouco mais, antes que o tempo veloz nos engula e nos impeça de estarmos juntos, novamente, descobrindo que o amor não é paz, mas a contradição do outro e da outra em mim mesmo. Assim, na diversidade, deveríamos ajudar o mundo a mudar.
Por isso eu voto Dilma neste domingo!

ditadura

Gonzaguinha

Eu apenas queria que você soubesse

Gonzaguinha

O que é, O que é?

Gonzaguinha

essa é a hora

Lula: É a hora da nossa militância digital agir!

dilma é 13

Mulher na Presidência

debate cauteloso

Vitória de Dilma em debate cauteloso

Publicado no Tijolaço


É muito difícil que uma edição mal intencionada nos telejornais possa prejudicar o desempenho de Dilma no debate da Globo. O modelo criado pela emissora deixou os candidatos cautelosos e as respostas não foram muito além do que já vinha sendo dito nos programas eleitorais. mesmo assim, minha opinião é a de que Dilma se saiu significativamente melhor do que Serra.


E recebi uma informação de que isso foi também registrado dos grupos de pesquisa montados pela direção da campanha para avaliar o debate.

É muito bom que tenha sido assim, mesmo que, a esta altura, um empate não tivesse força para interferir nessa eleição e os indecisos nem são tantos assim que pudessem modificar o curso que aponta para a vitória de Dilma, de acordo com todos os institutos de pesquisa. Só o que nos pode ameaçar é algum golpe de mídia – que tem pouco tempo para repercutir – e uma eventual acomodação que tire de nós a iniciativa, a alegria e o empenho na conquista final de cada voto e no clima de confiança que temos de transmitir aos eleitores.

Acho que Dilma foi bem,embora não tenha sido um massacre, que seria possível pela falta de credibilidade que Serra passa e por seu mau desempenho, sobretudo pela incapacidade de dar respostas objetivas. Sobretudo para quem trabalha ou se interessa pelo tema educação, ficou claro que Serra defende modelos privados de gestão na educação pública, que não costumam funcionar e que foram repudiados pelos educadores em São Paulo.

Dilma aproveitou diferentes perguntas para frisar programas do governo Lula importantes para a população, como o “Luz para Todos”, o “Minha Casa, Minha Vida” e o “Bolsa Família”. E também soube rebater Serra quando o tucano levantou falsas questões, como falta de crédito agrícola e a impossibilidade dos pequenos agricultores suportarem os juros. Nesse momento, Dilma expôs com números a elevação do crédito e esclareceu que o juro para o agricultor é subsidiado e nada tem a ver com a taxa real de juros do país.

A questão da corrupção caiu para Serra, o que lhe permitiu falar duas vezes sobre o tema, mas como o eleitor escolhido para a questão era de Brasília, o tucano não se aventurou a críticas exacerbadas com medo que o ex-governador cassado e seu aliado José Roberto Arruda lhe caisse na cabeça. A cautela, aliás, foi a tônica do debate. Serra não atacou como de outras vezes. Dilma também se conteve, mas deu algumas estocadas bem interessantes, sem exageros.

Dilma aproveitou para falar da profissionalização da Polícia Federal e da prisão de peixes grandes em suas operações, o que não acontecia antes no país. Ela também acuou Serra ao lembrar a Operação Sanguessuga, de combate ao desvio de dinheiro público na saúde, que envolveu a gestão do tucano.

Dilma também não perdeu a oportunidade de dar umas estocadas em Serra, como ao discutir política social, ressaltando que “quem cuida de pobre em São Paulo é o governo federal”. Dilma disse que São Paulo tem 1,4 milhão de pessoas em condições de serem atendidas pelo Bolsa Família, e que o governo alcança 1,1 milhão, porque as outras 300 mil não foram cadastradas pelo estado (PSDB) ou pelo município (DEM).

Em relação às condições de trabalho dos professores da rede pública, Dilma destacou que não se pode estabelecer relação de atrito com os professores quando reivindicam melhores salários, tratando-os a cassetete, numa referência direta ao governo de Serra em São Paulo.

Dilma teve um pequeno problema na administração do tempo, muitas vezes não concluindo o raciocínio antes de ser interrompida pelo apresentador. Mas nada que comprometesse o seu desempenho ou a colocasse em desvantagem. E ainda teve o “erro” do cronômetro, que roubou 15 segundos da candidata. Ela soube administrar o protesto com a gentileza e deixou o Bonner descadeirado.

Nas considerações finais, Dilma enfatizou representar o projeto que tem foco principal nas pessoas e não nos números. Aproveitor para lembrar de sua tristeza com as calúnias que sofreu por meio de panfletos e telefonemas, que partiram da campanha de Serra, mas disse não guardar mágoas.

Em entrevista logo a seguir no Jornal da Globo disse esperar ter convencido os indecisos a seu favor. Serra teve a pachorra de falar da importância infundada da alternância no poder, fingindo ignorar que seu partido governa São Paulo há 16 anos.

Resumindo, acho que Dilma, que poderia ter empatado ou perdido de pouco, ganhou inequivocamente.

E vai vencer, no domingo, com a força do povo.
Quem conquistou os indecisos?


Quando uma imagem vale mais do que mil palavras….

Leonardo Boff, sem hipocrisias à favor da vida

Leonardo Boff, aborto e o Papa: “É importante não sermos vítimas de hipocrisia”


Publicado no Viomundo texto de Leonardo Boff, no informativo Rede de Cristãos

É importante que na intervenção do Papa na política interna do Brasil acerca do tema do aborto, tenhamos presente este fato para não sermos vítimas de hipocrisia: nos catolicíssimos países como Portugal, Espanha, Bélgica, e na Itália dos Papas já se fez a descriminalização do aborto (Cada um pode entrar no Google e constatar isso). Todos os apelos dos Papas em contra, não modificaram a opinião da população quando se fez um plebiscito. Ela viu bem: não se trata apenas do aspecto moral, a ser sempre considerado (somos contra o aborto), mas deve-se atender também a seu aspecto de saúde pública. No Brasil acada dois dias morre uma mulher por abortos mal feitos , como foi publicado recentemente em O Globo na primeira página. Diante de tal fato devemos chamar a polícia ou chamar médico? O espírito humanitário e a compaixão nos obriga a chamar o médico até para não sermos acusados de crime de omissão de socorro.

Curiosamente, a descriminalização do aborto nestes países fez com que o número de abortos diminuisse consideravelmente.

O organismo da ONU que cuida das Populações demonstrou há anos que quando as mulheres são educadas e conscientizadas, elas regulam a maternidade e o número de abortos cai enormente. Portanto, o dever do Estado e da sociedade é educar e conscientizar e não simplesmente condenar as mulheres que, sob pressões de toda ordem, praticam o aborto. É impiedade impor sofrimento a quem já sofre.

Vale lembrar que o canon 1398 condena com a excomunhão automática quem pratica o aborto e cria as condições para que seja feito. Ora, foi sob FHC e sendo ministro da saude José Serra que foi introduzido o aborto na legislação, nas duas condições previstas em lei: em caso de estupro ou de risco de morte da mãe. Se alguém é fundamentalista e aplica este canon, tanto Serra quanto Fernando Henrique estariam excomungados. E Serra nem poderia ter comungado em Aparecida como ostensivamente o fez. Mas pessoalmene não o faria por achar esse cânon excessivamente rigoroso.

Mas Dom José Sobrinho, arcebispo do Recife o fez. Canonista e extremamente conservador, há dois anos atrás, quando se tratou de praticar aborto numa menina de 9 anos, engravidada pelo pai e que de forma nenhuma poderia dar a luz ao feto, por não ter os orgãos todos preparados, apelou para este canon 1398 e excomungou os medicos e todos os que participaram do ato. O Brasil ficou escandalizado por tanta insensibilidade e desumanidade. O Vaticano num artigo do Osservatore Romano criticou a atitude nada pastoral deste Arcebispo.

Mas Dom José Sobrinho, arcebispo do Recife o fez. Canonista e extremamente conservador, há dois anos atrás, quando se tratou de praticar aborto numa menina de 9 anos, engravidada pelo pai e que de forma nenhuma poderia dar a luz é edicos e todos os que participaram do ato. O Brasil ficou escandalizado por tanta insensibilidade e desumanidade. O Vaticano num artigo do Osservatore Romano criticou a atitude nada pastoral deste Arcebispo.

É bom que mantenhamos o espírito crítico face a esta inoportuna intervenção do Papa na política brasileira fazendo-se cabo eleitoral dos grupos mais conservadores. Mas o povo mais consciente tem, neste momento, dificuldade em aceitar a autoridade moral de um Papa que durante anos, como Cardeal, ocultou o crime de pedofilia de padres e de bispos.

Como cristãos escutaremos a voz do Papa, mas neste caso, em que uma eleição está em jogo, devemos recordar que o Estado brasileiro é laico e pluralista. Tanto o Vaticano e o Governo devem respeitar os termos do tratado que foi firmado recentemente onde se respeitam as autonomias e se enfatiza a não intervenção na política interna do pais, seja na do Vaticano seja na do Brasil.

Um abraço fraterno

Leonardo Boff