terça-feira, 29 de junho de 2010

Folha tenta superar Globo como “mico da Copa”


A Folha, que adora ficar achando defeito nos outros, pisou na bola, hoje, publicando um anúncio dos Supermercados Extra que “se despedia” da Seleção brasileira na Copa. Trocaram os anúncios, que são entregues em versões para cada situação. Perfeitamente normal e humano, como o próprio mercado classificou na nota publicada no R7. Aliás, a Folha publicou também na edição de hoje um anúncio, na página 32, da Rádio Transamérica convidando os leitores a ouvirem, acreditem, o jogo de ontem!

Tudo bem, isso acontece. Mas é bom para a Folha tirar um pouco a máscara de perfeição, de quem fica apontando impiedosamente qualquer defeito nos outros.

PS: Tem também um anúncio da Band no caderno da Copa, da Folha, dizendo que a audiência da emissora cresceu 57%. Esse deve estar certo.

Kaká de novo

No dia 22 postei um artigo que saiu no Yahoo, com o título: Kaká, sua fé e seus recados.
Posto este artigo postado no Vermelho:

Kaká e Kfouri na terra do futebol

Carlos Pompe *

Em entrevista coletiva concedida dia 22, na África do Sul, o jogador Kaká disse sentir-se perseguido por motivos de crença pelo jornalista Juca Kfouri. Juca vem criticando os gestos de jogadores que fazem sinais religiosos ou exibem camisetas de suas crenças após sofrer ou defender (no caso de goleiros) gols. Profissionais de comunicação identificados com as empresas para as quais trabalham tratam o assunto como se fosse uma briga entre a seleção de futebol e a mídia. Mas não é este o caso.


Ao responder, na coletiva televisionada, à pergunta do jornalista André – filho de Juca Kfouri –, Kaká atacou: "Há algum tempo, em seu blog, os canhões do teu pai têm me atingido. Queria aproveitar a pergunta para responder às críticas que ele vem fazendo. O motivo pelo qual Juca me ataca não é profissional, ele já deixou claro que me ataca porque eu defendo publicamente a minha fé em Jesus. Mas da mesma forma que eu respeito ele como ateu, gostaria que ele respeitasse a mim e a milhões de brasileiros que crêem em Jesus Cristo", disse.

Alguns meios de comunicação, desinformados (o que não é raro) ou de má fé (raro?) relacionaram a agressividade do jogador com uma informação dada pelo bloguista a respeito de problemas de quadril do atleta, que afetariam sua carreira.

Kfouri rebateu, repondo a questão religiosa: "Kaká se engana e enfiou Jesus onde Jesus não foi chamado. Critico sim o merchandising religioso que ele e outros jogadores da Seleção costumam fazer, tentando nos enfiar suas crenças goela abaixo. Um tal exagero que a Fifa tratou de proibir, depois do que houve na comemoração da Copa das Confederações".

A peleja não começou agora. No artigo “Deixem Jesus em paz”, de agosto de 2009, ele escreveu: ... se bem me lembro de minhas aulas de catecismo” (é pecado usar seu santo nome em vão), “está no segundo mandamento das leis de Deus.

E como o santo nome anda sendo usado em vão por jogadores da seleção brasileira, de Kaká ao capitão Lúcio, passando por pretendentes a ela, como o goleiro Fábio, do Cruzeiro, e chegando aos apenas chatos, como Roberto Brum.

Ninguém, rigorosamente ninguém, mesmo que seja evangélico, protestante, católico, muçulmano, judeu, budista ou o que for, deveria fazer merchandising religioso em jogos de futebol nem usar camisetas de propaganda demagógicas e até em inglês, além de repetir ameaças sobre o fogo eterno e baboseiras semelhantes.

Como as da enlouquecida pastora casada com Kaká, uma mocinha fanática, fundamentalista ou esperta demais para tentar nos convencer que foi Deus quem pôs dinheiro no Real Madrid para contratar seu jovem marido em plena crise mundial.

Ora, há limites para tudo.

É um tal de jogador comemorar gol olhando e apontando para o céu como se tivesse alguém lá em cima responsável pela façanha, um despropósito, por exemplo, com os goleiros evangélicos, que deveriam olhar também para o alto e fazer um gesto obsceno a cada gol que levassem de seus irmãos...
Ora bolas!

Que cada um faça o que bem entender de suas crenças nos locais apropriados para tal, mas não queiram impingi-las nossas goelas abaixo, porque fazê-lo é uma invasão inadmissível e irritante.

Não é mesmo à toa que Deus prefere os ateus...”

Palavras da salvação, Kfouri, palavras da salvação!

Guerrilha do Araguaia: retomadas buscas por ossadas de militantes

Saiu no Vermelho

As buscas pelos corpos dos ex-combatentes desaparecidos na Guerrilha do Araguaia, na década de 1970, foram retomadas esta semana. No sábado (26), o grupo de trabalho criado pelo Ministério da Defesa fez um rastreamento em torno do cemitério de Xambioá (TO), mas as escavações só poderão ser feitas após autorização judicial.

A procura tinha sido suspensa em outubro de 2009, devido ao início do período chuvoso na região. Desde de maio, uma equipe retornou à região para ouvir novas testemunhas e complementar informações recebidas pelas expedições anteriores. Na última terça-feira (22), o grupo deslocou-se para áreas no Tocantins e Pará com o intuito de reiniciar a fase de escavações.

Um dos principais pontos de busca é a Fazenda Araguaia, no município de São João do Araguaia, no Pará. Segundo o Ministério da Defesa, técnicos que participam da expedição já encontram alguns obstáculos para identificar corpos no local porque, na época do movimento guerrilheiro, muitos garimpeiros viviam na mesma região. Por isso, é grande a possibilidade de que eventuais ossadas encontradas sejam de trabalhadores dos garimpos.

Durante o recesso do grupo que coordena as buscas, parentes de um ex-guerrilheiro fizeram escavações por conta própria e encontraram pedaços de um crânio. Os despojos serão avaliados pela perícia da Polícia Federal junto com outros restos encontrados por expedições da década de 1990.

A Guerrilha do Araguaia foi um movimento do início da década de 1970, que surgiu para enfrentar a ditadura militar. Muitos guerrilheiros e militares foram mortos em combates na selva amazônica. Até hoje, dezenas de participantes do movimento estão desaparecidos. No ano passado, a juíza da 1ª Vara Federal do Distrito Federal, Solange Salgado, determinou que o governo federal reiniciasse as buscas na região.

O movimento armado de resistência à ditadura militar foi liderado pelo PCdoB, e aconteceu às margens do rio Araguaia, entre o sul do Pará e o norte do Tocantins (na região conhecida como Bico do Papagaio), entre a segunda metade dos anos 60 e a primeira metade da década de 1970.

A resistência heroica sobreviveu a duas expedições militares de grande envergadura do Exército Brasileiro, sendo dizimada apenas na terceira. O confronto aos guerrilheiros foi a maior mobilização de tropas do Exército Brasileiro desde a Segunda Guerra Mundial.

Com Agência Brasil

Como Lula deu o drible da vaca no Banco Central

Saiu na Folha (*), pág. B1 (clique aqui para ler):

“Crédito subsidiado chega a 1/3 do total.”

“Empréstimos com taxas controladas pelo governo, abaixo das de (sic) de mercado, voltam a ganhar força após a crise.”

“Para economistas, alta do credito direcionado diminui a eficácia da politica de juros do BC na economia.”


Ainda bem !

Ainda bem que os bancos estatais deram o drible da vaca no BC e reduziram o aperto.

O amigo navegante se lembra de que, na crise de 2008, quando a urubóloga Miriam Leitão anunciou que um tsunami ia tragar o Brasil, o Banco Central se trancou.

Aumentou os juros.

E deixou que os bancos privados deitassem e rolassem na poça: não emprestavam e viviam das altas taxas dos títulos do Tesouro – a doce poça.

O empoçamento.

Para se livrar disso, o que fez o Lula ?

Assumiu, de fato, a presidência do Banco Central e botou o Banco do Brasil, a Caixa, o BNDES e o Banco do Nordeste para emprestar a rodo.

Foi o que nos salvou.

Se o Brasil ficasse na mão dos teólogos do Banco Central (e dos urubólogos), estava frito.

E para onde mais vai dinheiro “direcionado” ou subsidiado ?

Para o financiamento da casa própria.

Clique aqui para ler “Leilões multiplicam credito para a casa própria”.

Bye-bye Serra 2010.

Clique aqui para ler “PiG (**) não sabe o que perguntar à Dilma”.

Paulo Henrique Amorim

O PiG não tem o que perguntar à Dilma.

Só resta a baixaria!


O programa “Roda Morta” da TV Cultura – clique aqui para ler “Dilma desafia a Folha (*): cadê as provas ?” – fez importante revelação.

O PiG (**) não tem o que perguntar à Dilma.

E isso é muito significativo.

Porque, como disse a presidente da associação dos jornais, Judite Brito, funcionária da Folha (*), o PiG é a oposição.

(Porque, de fato, se depender do Álvaro Dias …)

O PiG estava bem representado ali na bancada.

Dilma passou uma escavadeira sobre o funcionário da Folha que perguntou sobre a (falta de) infra-estrutura.

Natural.

Porque existe um PAC, o de verdade, e um “PAC da Folha”, que não sai do lugar.

O PiG quis saber se a Dilma é um poste; se a Dilma vai controlar o PT; se vai reduzir os impostos dos leitores do PiG; se vai taxar a fortuna dos leitores do PiG; se o Lula vai mandar nela; se há “desindustrialização” do Brasil (só se foi no Governo do Farol de Alexandria).

(Faltou perguntar se o Bolsa Família é o Bolsa Vagabundagem.)

Dilma tirou de letra.

A amostra que estava ali é lamentável.

Se a elite do PiG não passa disso, é melhor chamar o Marcelo Bielsa.

E, como diz o Luiz Claudio Cunha – clique aqui para ler “O casamento Serra e Roriz é a sopa no mel” : “em todas as regiões do país, a aprovação popular do inventor de Dilma varia de 80% (sul) a 90% (nordeste), batendo em 84% no triângulo estratégico de Rio-São Paulo-Minas, onde se concentram 58 milhões dos 134 milhões de eleitores.”

Ao PiG e ao Serra só resta a baixaria.

Que virá.

(E o livro do Amaury, também.)

Paulo Henrique Amorim

(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que avacalha o Presidente Lula por causa de um comercial de TV; que publica artigo sórdido de ex-militante do PT; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Dilma desafia a Folha:


Cadê as provas ? Cadê o áudio do grampo ?


No programa “Roda Morta” (clique aqui para ver um trecho), o funcionário da Folha (*) tentou imprensar a Dilma Rousseff sobre os dois dossiês da Folha (*): o dossiê sobre a relação da filha do Serra com a irmã do Dantas; e sobre o Imposto de Renda de um grão tucano, Eduardo Jorge.

Dilma deu o troco.

Exigiu que a Folha mostrasse as provas de que os dois dossiês saíram da campanha dela.

Dilma disse que processou o Serra, quando fez a acusação.

E só não processou a Folha, porque respeita o direito de a Folha resguardar a fonte.

Mas, exigiu: cadê as provas ?

Ou seja, cadê o áudio do grampo ?

Dilma disse: numa democracia não se aceita acusação sem prova.

Para ficar claro: o tal dossiê sobre a filha do Serra não é dossiê nenhum, mas um livro que o jornalista Amaury Ribeiro Jr vai lançar logo depois da Copa.

Clique aqui para ler sobre o “Livro que aloprou o Serra”.

O livro vai se chamar “Os porões da privataria”.

A “privataria” do Governo FHC/Serra que, entre outras coisas, transformou o Daniel Dantas em “brilhante”, e vendeu a Vale na bacia das almas, por pressão do Ministro do Planejamento José Serra.

É a privataria que será descrita pelo Amaury.

E vai deixar o Serra nu.

E, antes de ficar nu, Serra, com a Folha (*), acusou a Dilma de cumplicidade com o tal dossiê do dossiê do dossiê.

E terá que responder por isso na Justiça.

E o mais importante, além da provocação do funcionário da Folha (*):
Dilma disse que não se podem criar obstáculos à liberdade de imprensa, opinião, expressão e organização.

Nisso, não se toca – disse ela.

Agora, sobre um novo “marco regulatório” para a mídia, isso é um assunto de controle público, e não privado – disse ela.

Ou seja, Dilma não repudiou fazer, como a Cristina Kirchner, uma “Ley de Medios”.

Ou seja, estabelecer controle público sobre a mídia.

Através de uma lei publicamente discutida.

Como de hábito, os jornalistas do PiG (**) fingiram não perceber o que ela disse.

Mas a Dilma sabe que muita gente percebeu.

Como este ordinário blogueiro.

Paulo Henrique Amorim


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que avacalha o Presidente Lula por causa de um comercial de TV; que publica artigo sórdido de ex-militante do PT; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

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domingo, 27 de junho de 2010

JINGLE DILMA/2010

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É COM A DILMA QUE EU VOU!

Desenterrando mais uma vez

CASO FORD

JUREMIR MACHADO DA SILVA

juremir@correiodopovo.com.br


Tem dias em que a ficha cai.
Chega de conversa fiada.
Basta de falsa objetividade.
Que se abra o jogo...
Que se ford.
Vamos ao problema.
A reabertura do caso Ford, com a condenação da montadora a devolver o dinheiro gaúcho que pegou adiantado, não usou e não entregou, dá o que pensar.
Foi a maior manipulação ideológica do Rio Grande do Sul moderno. Uma guerra sem quartel e estratégica.
Não uma guerra ideológica da esquerda contra a Ford.
Uma guerra ideológica da direita contra o governo Olívio Dutra. Um pretexto para atingir o petismo.
Uma vingança contra a chamada arrogância do PT.
Se a Ford não tivesse ido embora, talvez a direita tivesse lhe pedido para fazer isso, pois nunca uma ruptura de contrato foi tão benéfica e providencial para a propaganda ideológica da direita gaúcha.
A Ford queria mundos e fundos.
Antônio Britto estava disposto a dar tudo.
Olívio Dutra teve a coragem de ponderar.
O antipetismo gaúcho é tão visceral, tão xiita, tão fanático e fundamentalista, que precisava de um motivo para se vingar dessa pedra no sapato. Encontrou. O PT incomodava demais. Havia desbancado os tradicionais donos do poder.
Nada mais inadmissível. Um verdadeiro pecado mortal. Tinha de ser punido por essa ousadia.
Certamente houve erros na condução da negociação com a Ford.
O PT cometeu erros ao longo da sua curta trajetória. A lista é longa das suas babadas.
Olívio Dutra também errou.
A Ford cometeu mais erros ainda. Na época, tinha um presidente medíocre e arrogante que não sabia e não queria negociar. Representava a poderosa Ford e pretendia impor no grito todos os seus desejos.
Queria tudo: isenção de impostos, adiantamentos, infraestrutura, mamão com açúcar, privilégios sem fim.
Uma multinacional não aceita ser tratada como qualquer empresa. Quem abre uma empresa, paga impostos. Salvo de for uma montadora messiânica. Ao cair fora, a Ford aplicou um cambalacho de vigarista barato.
Partiu com a grana dos gaúchos.
A mídia amiga da direita deitou e rolou. Convenceu os convencidos de que a Ford havia sido expulsa. Afetou a consciência dos mais simples e dos mais ideológicos. Deliciou-se dando as cartas e jogando de mão.
Falava sozinha. Foi a época de ouro do conservadorismo na mídia gaúcha.
Tudo tem um preço: o da Ford era alto demais.
A manipulação ideológica em torno do caso Ford continua rendendo. É o hit mais tocado pela direita.
Ainda toca o coração dos incautos.
Dizem que os petistas são xiitas, radicais e ultrapassados. Muitos, claro, são. Mas nem todos.
Desconheço gente mais xiita do que os da tribo dos antipetistas. É um fundamentalismo rasteiro, primário, rastaquera, carregado de ódio e de simplificações, do tipo petista come criancinha e vomita heresias.
Eu não sou petista. Não tenho partido. Nunca terei.
Tenho é paciência para levar anos analisando certos fatos.
Tem muita gente que deveria pedir desculpas a Olívio Dutra. Gente que, se o PT estivesse no governo gaúcho agora, nem ficaria a favor da devolução do dinheiro pela Ford. Essa montadora é cara-de-pau.
Desenterrei tudo sobre o caso Ford. Estudei o dossiê como quem se prepara para uma tese. Mergulhei na história. Não hesito em afirmar: a saída da Ford foi um motivo para esculhambar o petismo. Continua sendo.
Só há coisa a repetir: queremos nosso dinheiro.
O resto é conversa para reacionário dormir feliz.

África

Deus Abençoe a África (Nkosi Sikeleli Africa)- Children of Africa



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Eleições/ RS


Quanto custam 20 páginas de propaganda colorida de um governo sombrio?

Eleições / RS

Nova derrota de um governo fraco

O Fórum dos Servidores Públicos Estaduais (FSPE) divulgou nota tratando da nova derrota sofrida pelo governo Yeda Crusius na Assembléia Legislativa:

O governo do estado voltou a amargar uma derrota na Assembleia Legislativa. Pressionado pela opinião pública, especialmente pela comunidade do Morro Santa Tereza e pelo Fórum dos Servidores Públicos Estaduais (FSPE), o governo viu sua base de sustentação na Assembleia Legislativa mais uma vez ruir e com isso foi forçado a retirar da pauta de votações o projeto que vendia o Morro Santa Tereza.

Contribuiu para essa nova derrota do governo a unidade entre o Fórum e a comunidade do Morro. Como aconteceu em outras oportunidades, o Fórum organizou acampamento em frente a Assembleia Legislativa em todos os dias em que o projeto estava na pauta de votações do Legislativo. A derrota mais uma vez deixou claro que o governo não tem legitimidade e nem força política para aprovar os seus projetos.

Acostumado a colocar nas mãos dos deputados projetos polêmicos, a derrota de hoje soma-se a outras tantas ocorridas ao longo do atual governo. Em março deste ano, a mobilização dos educadores impôs duas derrotas ao governo. Foram derrubadas: a política de reajuste zero para a categoria e a aprovação de um projeto que possibilitaria alterações nas carreiras dos trabalhadores em educação.

DMAE / Porto Alegre

Projeto de mudança no DMAE viola princípio de isonomia salarial na prefeitura de Porto Alegre

Atualmente os salários de quem ocupa funções de cargos de mando na estrutura do DMAE, correspondem, por isonomia, aos praticadas nas estruturas das diversas secretarias municipais e autarquias, respeitando a tradicional simetria entre os organismos do Executivo municipal. A proposta apresentada pelo Executivo, alertou Maria Celeste, acarretará em valores diferenciados e maiores para as funções gratificadas e cargos em comissão, gerando uma distorção em relação aos planos de carreira da administração centralizada e das demais autarquias (DEMAH, DMLU e Previmpa) e FASC, abrindo precedentes para reivindicações futuras em função da quebra do princípio da isonomia.

O projeto que prevê um aumento de mais de 100% das FGs de diretores e superintendentes está sendo encaminhado sem uma ampla discussão com os funcionários. A pressa na implementação do mesmo pode ser uma forma disfarçada de atender aos ditames do Banco Mundial em relação ao empréstimo do Programa Socioambiental e preparar uma planta de privatização num futuro próximo para o DMAE.

Eleições/RS

Ibope mostra Tarso na frente

Do Sul 21

Pesquisa realizada pelo Ibope no Rio Grande do Sul, entre os dias 10 e 15 deste mês, mostra que o petista Tarso Genro lidera as intenções de voto na disputa pelo governo estadual, com 37%, contra 30% do ex-prefeito de Porto Alegre José Fogaça (PMDB) e 11% da governadora Yeda Crusius (PSDB).

Em uma simulação de segundo turno, Tarso teria 47% e Fogaça 39%. Foram realizadas 1.204 entrevistas e a margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. A informação foi dada pelo colunista Claudio Humberto, ainda na quinta-feira (24), às 22h.

O Ibope, por meio de sua assessoria de imprensa, confirma que realizou uma pesquisa nessa data no estado, mas não revela quem solicitou o estudo.

Eleições/RS

Fogaça ganha troféu Rolando Lero



“Imparcialidade ativa não é uma posição em cima do muro. É uma posição altamente proativa, efetiva, em favor da nossa eleição aqui no Rio Grande do Sul. Uma posição extremamente corajosa inclusive”.

José Fogaça, ex-prefeito de Porto Alegre e pré-candidato do PMDB ao governo gaúcho, ao ser indagado sobre a posição de seu partido na eleição presidencial.




sábado, 26 de junho de 2010

Poetando

Manuel Bandeira


"...o sol tão claro lá fora,
o sol tão claro, Esmeralda,
e em minhalma — anoitecendo."

Poetando

Manoel Bandeira



Quando estás vestida,
Ninguém imagina
Os mundos que escondes
Sob as tuas roupas.

(Assim, quando é dia,
Não temos noção
Dos astros que luzem
No profundo céu.

Mas a noite é nua,
E, nua na noite,
Palpitam teus mundos
E os mundos da noite.

Brilham teus joelhos,
Brilha o teu umbigo,
Brilha toda a tua
Lira abdominal.

Teus exíguos
- Como na rijeza
Do tronco robusto
Dois frutos pequenos -

Brilham.) Ah, teus seios!
Teus duros mamilos!
Teu dorso! Teus flancos!
Ah, tuas espáduas!

Se nua, teus olhos
Ficam nus também:
Teu olhar, mais longe,
Mais lento, mais líquido.

Então, dentro deles,
Bóio, nado, salto
Baixo num mergulho
Perpendicular.

Baixo até o mais fundo
De teu ser, lá onde
Me sorri tu'alma
Nua, nua, nua...

Poetando

Manoel Bandeira


NEOLOGISMO

-------------------------------------------


Beijo pouco, falo menos ainda.
Mas invento palavras
Que traduzem a ternura mais funda
E mais cotidiana.
Inventei, por exemplo, o verbo teadorar.
Intransitivo:
Teadoro, Teodora.

Petrópolis 25/2/1947

Poetando

Manoel Bandeira

ARTE DE AMAR

Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.

As almas são incomunicáveis.

Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.

Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

nEM ÀS PAREDES CONFESSO...

Amália Rodrigues - "Nem as paredes confesso"



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Amália 2

A arte de AMÁLIA (Parte 11 - Gaivota 1965)



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sOBREPASTO

Rui Veloso e Mariza



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Na digressão "Os Vês pelos Bês"

iGUARIA lEVE

Rui Veloso - Porto Sentido


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Rui Veloso - Porto Sentido - No Concerto dos 20 Anos de Carreira.

rFEIÇÃO cASEIRA DE Lisboa

Fabuloso e Arrepiante !!! Gente da minha terra - Mariza


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sexta-feira, 25 de junho de 2010

A volta de Lula Miranda

Postado no blog da Cidadania
A noite estava fria e eu e a esposa saíramos do hospital em que nossa filha estava internada para fazermos um lanche rápido e desfrutar um da companhia do outro, pois já estávamos no meio da noite e havia dias que não tínhamos um tempo só para nós.
Eis que, na estrondosamente barulhenta avenida Paulista, sobrepondo-se ao ribombar dos escapamentos e das buzinas, ouço a voz tonitruante de Lula Miranda.
Magro, quase um metro e oitenta de altura, meia idade (como yo), com seus longos cabelos e seu sotaque de bom baiano, chama-me o nome com pompa e circustância:
Eduardo Guimarães!
Voltamo-nos, eu e a Cristina, e lá estava o meu amigo, quem, da última vez em que nos falamos – e foi ao telefone no fim de 2007, se não me falha a memória –, dissera-me de seu desalento com a política no país, com o “fla-flu”, entre outras razões que alegou para parar de escrever…
Lula Miranda é poeta e cronista, entre outras coisas. É colaborador da imprensa alternativa (publicou, por muitos anos, artigos no site da revista Caros Amigos, no Observatório da Imprensa e na Agência Carta Maior). E é, também (segundo as suas próprias palavras), um “militante da utopia”. Lula me disse, naquele dia na Paulista, há algumas semanas, que se animara de novo a escrever – ele parou por uns dois anos, pelo menos. E disse que decidira que sua volta se daria no blog de Eduardo Guimarães.
Tenho, portanto, o prazer de fazer as honras para a volta de Lula Miranda ao debate político nacional. Abaixo, seu artigo de (re)estréia.

*****

Os militantes da utopia

Tenho acompanhado na “blogosfera” notícias de reuniões (acho que duas já foram realizadas) que alguns dos chamados “blogueiros independentes” têm participado visando formatar e realizar um encontro nacional que, me parece, será em Brasília no mês de agosto. Está aí uma iniciativa para lá de oportuna e, ousaria dizer, fundamental nesse momento atual que vivemos. Pois é inegável que a “blogosfera” está pouco a pouco colocando uma pá de cal na mediocridade e na “sabujice” da grande imprensa.

Temos mesmo que estar, todos, vigilantes e colocar, com muita paciência e esmero, mais esse pequenino tijolo na construção de uma mídia o mais próxima possível do que seria uma imprensa verdadeiramente livre e democrática – sem o jugo dos empresários, dos partidos ou dos oligarcas dos grandes veículos de comunicação que se travestem de imprensa “livre” e “pluralista”(livre?! pluralista?!onde?!). Uma utopia?

Nós, leitores e militantes da chamada mídia independente (ou alternativa, progressista… o leque de adjetivações é vasto), devemos estar na melhor sintonia possível e devidamente “antenados”, pois, bem sabemos, não devemos nos iludir: os jornalistas, editores e publishers dos “jornalões”, a grande imprensa, o “PIG” [como bem imortalizou um leitor do blog de PHA] estão ”afinadíssimos” e em plena campanha para, nesse primeiro momento, estrategicamente, “encher a bola” da candidatura da Marina enquanto, “no paralelo”, fazem críticas tendenciosas/capciosas ao atual governo (e à sua candidata) e, sem pudor algum, fazem campanha escancarada para o candidato da oposição [o arrogante, o autoritário, o ilusionista, o fadado à derrota, segundo a nossa forma de ver o mundo; e , segundo eles, o "competente", o "preparado"]. Ou até mesmo, ardilosamente, de modo sub-reptício, mudar/inverter a pauta plantando, dia sim dia também, notícias e manchetes sobre supostos “dossiês” gestados nos porões soturnos e fétidos das gestapos daqueles que fazem política de modo sórdido – a mesma máfia que armou as arapucas do caso Lunus (caixa 2 da campanha de Roseana Sarney) e dos chamados “aloprados”.

A desfaçatez, o moralismo e o “denuncismo” seletivos, a arrogância alienada e a falta de pudor (ou seria falta de ética?) da grande imprensa é algo estarrecedor, vergonhoso até.

Globo e RBS estão cometendo injúria e difamação

“Qualquer diagnóstico psiquiátrico à distância é perigoso”

por Conceição Lemes

Paranoico, mania de perseguição, desequilibrado, neurótico…

São alguns dos “diagnósticos” que alguns “especialistas”, especialmente psicanalistas, têm feito sobre o comportamento de Dunga, desde que o treinador da seleção brasileira de futebol acabou com anos e anos de privilégios da TV Globo na cobertura desses eventos e passou a tratar isonomicamente toda a mídia. Ponto para o Dunga. Zero, para o oportunismo e o simplismo grosseiro de tais “especialistas”.

“Para nós, a Copa do Mundo é um evento de curtição, interação social, e a nossa expectativa é de que o técnico participe desta festa”, analisa a médica psiquiatra Laura Helena Andrade, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo e professora colaboradora da Faculdade de Medicina da USP. “Só que o Dunga está numa’ guerra’, sob forte pressão. Junto com o seu ‘exército’, está pensando em tática. Se abrir o jogo ou se der muita trela para a imprensa, está abrindo a guarda para o inimigo. Além disso, ficar paparicando este ou aquele veículo tira o foco do trabalho do treinador, que é o de comandar a equipe, e dos próprios jogadores. Dispersa. Atrapalha.”

“Numa situação de ‘guerra’, ninguém fica tranqüilo”, avança a doutora Laura. “É inadequado. Se bobear, o inimigo vem e te ‘corta’ a garganta. O que Dunga está fazendo é ficar alerta, defendendo a equipe e a estratégia dele.”

O Dunga realmente não é simpático. E daí? Ele é um técnico, não é um apresentador de TV nem um garoto-propaganda. O papel dele não é fazer o social, mas ganhar o jogo dentro do campo.

“Além disso, qualquer diagnóstico psiquiátrico à distância é perigoso, pois depende do contexto”, prossegue a doutora Laura. “A irritação do Dunga à crítica desvairada da mídia por ele não estar fazendo o jogo dela não é inadequada. Inadequados são o desrepeito à vontade do treinador e a exigência de privilégios por parte da imprensa. A irritação dele é absolutamente compreensível, é a reação normal de qualquer humano. É sinal de saúde mental.”

“Consequentemente, parte da mídia e certos profissionais de saúde estão interferindo, sim, na saúde psíquica tanto do Dunga como de toda a equipe, pois tudo o que se passa aqui fora, chega lá dentro para eles”, adverte a doutora Laura. “Lamentavelmente jogam contra a seleção brasileira, fazendo o papel do inimigo.”

O clínico geral Arnaldo Lichtenstein, do Hospital das Clínicas de São Paulo e professor colaborador do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP.

“Se o Dunga fosse paciente desses profissionais, eles estariam infringindo o Código de Ética Médica, que veda a divulgação de qualquer diagnóstico”, afirma Lichtenstein. “Como o técnico não é paciente deles, estão cometendo injúria e difamação.”

É HOJE!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Dunga e a ética jornalística

Do Adnews

Dunga e a ética jornalística

Alberto Luchetti

24/06/2010

- O que Dunga está fazendo de errado na África do Sul para merecer tantas críticas?

Se você, leitor do AdNews, responder essa pergunta falando de futebol, posso até concordar com algumas afirmações, como por exemplo: Dunga não convocou tal jogador; preferiu escalar fulano de tal na mesma função de outro que considero melhor; optou por um profissional com características diferente das que eu acredito serem as melhores; mandou o centroavante – como fez o técnico de Camarões - jogar de lateral direita; ou até qualquer outra observação nesse sentido. Isso até posso aceitar. Mas não é isso o que está acontecendo.

Dunga está sendo duramente criticado por não permitir privilégios a um veículo de comunicação em detrimento de outros.

O texto em negrito merece tradução. Dunga não deixou, não está deixando e não deixará a Rede Globo tomar conta dos jogadores e de toda a comissão técnica da seleção brasileira.

A Rede Globo não pretende fazer reportagens com a seleção brasileira na Copa do Mundo de Futebol, o que ela deseja é entrevistar com exclusividade jogadores e todos os integrantes da comissão técnica, quando desejar e a hora que pretender. E, para isso, utiliza de todos os artifícios de que dispõe.

No último domingo, após a vitória do Brasil, enquanto festejávamos e Maradona reclamava do golaço de Luiz Fabiano com o auxílio do braço esquerdo, a Rede Globo tramava nos bastidores contra o técnico Dunga e tentava alterar as regras propostas pelo treinador brasileiro.

Diretores da emissora carioca, no Brasil e na África do Sul, ao telefone, exigiam entrevistas exclusivas com os protagonistas da partida - Kaká e Luiz Fabiano – para o Fantástico, programa dominical da Rede Globo que agoniza em audiência há anos.

Diante da negativa de Dunga, que segue sem alterar suas determinações de não privilegiar ninguém, a Rede Globo apelou. Sem nenhuma ética jornalística, os diretores da emissora telefonaram para o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e exigiram sua interferência contra as orientações de seu funcionário e técnico da seleção brasileira.

Teixeira nada conseguiu como principal pauteiro e produtor da Rede Globo. Dunga manteve-se irredutível. E o resultado foi transmitido em rede nacional. Dunga perdeu o controle. Acabou sobrando para um jornalista da Rede Globo, durante a entrevista coletiva, que foi ofendido. No Fantástico a emissora carioca fez um editorial mentiroso culpando apenas Dunga pelos acontecimentos. Em nenhum momento relatou a sua participação e a sua falta de ética no episódio.

O que a Rede Globo deseja de Dunga não é jornalismo. É tráfico de influência.

Esse negrito do texto também necessita de tradução. Mal acostumada pelo regime militar, a Globo e seus funcionários ainda acreditam que o tráfico de influência facilita o trabalho jornalístico. Esse método não ajuda e sim compromete. Em troca de favores, a Rede Globo une o seu jornalismo a amorais, como o seu Ricardo Teixeira. Além disso, como a Globo gastou milhões para comprar os direitos de transmissão da Copa, acredita que pode tudo e com todos.

Esse episódio, acreditem, decretou o fim da era Dunga na seleção brasileira. Ganhando ou não o campeonato, Dunga não será o técnico em 2014 na Copa do Mundo no Brasil. A Rede Globo não deixará. A pouca visibilidade que os patrocinadores da seleção e da emissora tiveram nessa Copa da África em razão das regras de Dunga será fatal. Isso sem falar na falta de moral do presidente da CBF.

Dunga foi, está sendo e será até o final da Copa da África muito mais firme, coerente e seguro em suas determinações, do que a Rede Globo em cumprir princípios básicos da ética jornalística.
Prova ainda maior do autoritarismo, prepotência, arrogância e incoerência da emissora carioca é o que se seguiu. Solicitada por vários veículos de comunicação, para liberar o seu principal locutor esportivo, Galvão Bueno, para uma entrevista sobre a febre do twitter "Cala a boca Galvão" a Rede Globo negou e alegou que o locutor precisava de concentração para poder transmitir as partidas.

Se para falar tanta besteira e para cometer tantos erros na transmissão dos jogos Galvão ainda precisa de concentração, imagine você leitor, o que não será necessário fazer com os jogadores que estão disputando a Copa. Certo está Dunga. A Rede Globo com sua postura provou que Dunga sempre esteve certo. A coerência do treinador da seleção brasileira deixou uma lição para todos nós, com pequena modificação de "Che"Guevara: "Hay que endurecer-se, a pesar de perder la razón".

Alberto Luchetti é jornalista

É AMANHÃ


DIASEMGLOBO

Por que somos infelizes?

"Podemos pensar verdadeiramente que encontramos a felicidade por meio da negação do traço característico da condição humana? Como Edoardo Boncinelli escreve: 'A infelicidade não é um acidente, é um destino'".

A análise é de Umberto Galimberti, filósofo, psicólogo e psicanalista italiano, professor da Universidade Ca' Foscari, de Veneza, em artigo para o jornal La Repubblica, 16-06-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Se eu sei que devo morrer, não entendo por que devo ser feliz. A diferença entre o homem e o animal está toda nessa consciência, pela qual a infelicidade é o elemento constitutivo da condição humana, que as religiões, tempos atrás, e as psicoterapias ou os achados farmacológicos, hoje, buscam narcotizar inutilmente.

Mas podemos pensar verdadeiramente que encontramos a felicidade por meio da negação do traço característico da condição humana? E, então, como Edoardo Boncinelli escreve oportunamente em "Perché siamo infelici" [Por que somos infelizes] (Ed. Einaudi, 184 páginas): "A infelicidade não é um acidente, é um destino".

Além de Boncinelli, que enfrenta o problema do ponto de vista genético, o livro hospeda as intervenções de eminentes psiquiatras e psicanalistas como Maurizio Andolfi, Vittorino Andreoli, Eugenio Borgna, Bruno Callieri e Paolo Crepet, que edita essa coleção de ensaios, cuja intenção é desmascarar os falsos remédios que todos os dias são propostos por todos os que tiram proveito da infelicidade difundida, para vender aquelas que Ésquilo já chamava de "esperanças cegas" (thuphlás elpídas).

Com a clareza do cientista que não se deixa encantar por esperanças cegas, Boncinelli nos adverte que a natureza nos gera para a continuidade da espécie e não pela felicidade do indivíduo. Mas para que os indivíduos não se desmotivem uma vez alcançada essa consciência, a natureza provê uma série de enganos, que são os desejos do indivíduo, os seus projetos, os seus investimentos, os seus entusiasmos, particularmente vívidos na idade juvenil, que é o período mais fecundo para a procriação.

"Resistiremos, de fato, até a idade reprodutiva – a meta que interessa à natureza – se não tivermos essa espécie de ilusão quando crianças, que não nos deixa ver perfeitamente as asperezas do mundo?", pergunta-se Boncinelli, que responde: "Estou certo que não. Temos uma fase transitória, mas longa, de menor lucidez, graças a Deus. Senão, estou convicto de que muitas pessoas abandonariam este mundo bem antes da morte natural".

A essa infelicidade de base, que podemos chamar de "biológica", acrescenta-se uma "cultural", determinada pelo fato de que o indivíduo promove desejos, projetos, investimentos que, escreve Boncinelli, são "uma mola na base de toda a civilização e de toda a evolução cultural, mas também uma pedra no sapato, um desconforto, um desconcerto, uma amplificação da infelicidade sobre toda a vida", porque os nossos desejos são quase sempre desproporcionais à nossa capacidade de realização, e a escolha entre o desejo e a sua realização é a fonte de uma nova infelicidade.

Sobre esse tema, retornam as belíssimas páginas de Eugenio Borgna, que, depois de ter examinado todas as formas patológicas de felicidade e infelicidade e os remédios farmacológicos que atenuam os sintomas, mas sem dar um horizonte de sentido, aprofunda radicalmente o olhar na condição trágica do homem que não pode viver sem uma produção de sentido, em vista da morte que é a implosão de todo sentido. Captada na sua dimensão abissal, essa infelicidade não é curável com os fármacos, mas é possível atenuá-la por meio de uma intensificação das relações interpessoais, das afetivas às de cuidado, recuperando aquele traço constitutivo da essência do homem, que a natureza prevê como "animal social".

Mas que tipo de sociedade é essa que nos circunda? Uma sociedade que nos enche de objetos para consumir, escreve Paolo Crepet, que estão no lugar de relações faltantes. Uma sociedade que mede a felicidade a partir do lucro, em vez da circulação dos sentimentos, até o ponto em que, sempre em nome do lucro, faz da infelicidade um negócio. De fato, escreve Crepet: "assistentes sociais, religiosos, psicólogos, psicoterapeutas, psiquiatras, filósofos, organizações de voluntariado, farmacologistas, até prostitutas veriam os seus ganhos se reduzir se, de repente ou por mágica, a maior parte dos infelizes cessassem de sê-lo". Sem falar depois do controle social que tira uma indiscutível vantagem da infelicidade: "porque é mais fácil controlar pessoas resignadas e impotentes do que pessoas vitais e ideativas".

Da infelicidade coletiva vivem também as religiões que "prometem uma felicidade post mortem'" garantindo, de tal modo, que se suporte a infelicidade sobre esta terra, até induzir a viver os momentos de felicidade com um sentido de culpa mal escondido, porque saborear a felicidade nesta terra poderia reduzir a fé no além. Mas, observa Crepet oportunamente, não menos insidiosa é a mensagem subentendida a toda forma de publicidade que, para nos convidar a consumir, diz-nos que "Life is now" (a vita é agora). E se a religião se alimenta de infelicidade, projetando a felicidade para um outro mundo, a cultura da nossa sociedade, concentrando-se sobre o presente, exclui que o futuro da vida individual e social possa ser melhor do que o atual.

Mas se essa é a condição humana, para viver não seria necessário frequentar e pelo menos em parte cortejar a nossa loucura? Essa é a mensagem do psiquiatra Vittorino Andreoli, segundo o qual: "Para viver é preciso estar fora da realidade, ser, portanto, como os loucos que a esqueceram, para poder suportar o fato de estar no mundo e de continuar sendo homens, homens sem sentido, porque, de fato, a condição humana não tem nenhum".

A economia do futebol chato

"Livre mercado de atletas e racionalização do negócio esportivo uniformizaram e "europeizaram" o esporte", analisa Vinícius Torres Freire, jornalista, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 20-06-2010.

Eis o artigo.

"Não há mais time bobo." "As seleções jogam de modo cada vez mais parecido." "O futebol da Copa é cada vez mais chato." Cada um desses clichês têm muita verdade; todos refletem uma tendência inevitável e fenômenos conhecidos:

1) O futebol é um negócio europeu e um produto montado finalmente na Europa, com recursos naturais importados do resto do mundo;

2) Os "softwares" (técnicas e táticas) de treinamento são tão acessíveis como planilhas de cálculo;

3) Como qualquer negócio, o futebol é orientado pela maximização de resultado, do campo de jogo à contabilidade, e pelos interesses do corpo burocrático que o dirige;

4) Em termos esportivos, a Copa é prejudicada pelos interesses do negócio europeu do futebol.

A Copa é jogada no final da temporada europeia. Nos clubes, os atletas atuam no limite da capacidade humana, o máximo de tempo possível e exigido por clubes, patrocinadores e TVs. Ao fim da temporada, estão esgotados ou machucados. O interesse dos clubes limita cada vez mais o treinamento das seleções a raras semanas ou a um dia antes de jogos de torneios preparatórios. As seleções, pois, mal existem como equipes entrosadas.

Os principais jogadores do mundo atuam em times europeus. As transferências de atletas são tão antigas como a primeira Copa. Mas começaram a se tornar rotina nos anos 1980. Passaram ao estágio de livre comércio em 1995. O negócio agora em parte regride a algo parecido ao estabelecimento de feitorias coloniais. Em vez de pagar caro por jogadores prontos e famosos, clubes europeus adquirem atletas juvenis e infantis. Ou criam centros de recrutamento e treino de crianças em países das Américas e da África.

A seleção brasileira de 1982 foi a primeira a contar com jogadores "estrangeiros", que jogavam no exterior: 3 de 22. A de 1990 inaugurou a maioria de "estrangeiros": 12 de 22, como a de 1994. Nas de 2006, 20 de 23 eram estrangeiros. Como o time desta Copa de 2010.

Desde 2002, o Brasil "vende" em média cerca de 800 jogadores por ano. Quase 60% da exportação destina-se à Europa. Na Inglaterra, 59% dos jogadores são estrangeiros. Em Portugal, 54%. Na Alemanha, 52%. Itália, 40%. Espanha, 37% (dados de 2008, do Professional Football Players Observatory).

A internacionalização dos times europeus foi impulsionada por uma decisão da Corte de Justiça Europeia, de 1995, liberando os times de cotas para jogadores estrangeiros e dando cabo de contratos que contrariavam a lei europeia de livre fluxo de trabalhadores. Pelo mundo, seguiram-se medidas que abririam o mercado de atletas e os libertariam da propriedade dos clubes.

A mundialização deveu-se ainda ao crescimento do negócio europeu do futebol, favorecido em especial pela alta da renda publicitária. Oligopólios transnacionais pagam cada vez mais para aparecer em transmissões planetárias.

Cada vez mais cedo, atletas submetem-se a rotinas de treinamento e práticas de otimização de resultados muito similares. Fazem-no em campos europeus, segundo técnicas e tradições esportivas do continente, ou lá adaptadas. Antes da "mundialização", os atletas diferenciavam sua maneira de jogar graças à heterogeneidade cultural no modo de encarar o jogo.

ATEMPA


Informativo Eletrônico - 18/6/10

Chapa da situação vence eleição da Atempa

A Chapa 1 – Educação e Luta venceu a eleição da Associação dos Trabalhadores em Educação do Município de Porto Alegre (Atempa) realizada ontem(17/6). Com 734 votos válidos e um percentual de 60,86%, contra os 472 votos da Chapa 2 – Mudança: por uma Nova Direção, a nova diretoria toma posse para o triênio 2010/2013 em julho. Segundo o presidente da Comissão Eleitoral, Flávio Helmann, 1.262 associados votaram. Os votos brancos foram 23, e nulos 33. Total de votos válidos: 1.206.

Entre as principais propostas da nova diretoria estão: defesa intransigente dos direitos dos trabalhadores; luta pela aposentadoria integral e paridade salarial entre ativos e inativos; assegurar o direito de greve, garantido constitucionalmente; luta pela jornada máxima de 40 horas de trabalho semanal para todos os trabalhadore s; solidariedade às lutas nacionais e internacionais dos trabalhadores. Pretendem ainda lutar por salário e questões funcionais, por gestão democrática e qualidade da educação na Rede Municipal de Ensino, por qualidade de vida e de trabalho.

Diretoria Atempa - gestão 2010/2013:

Diretora-geral: Isabel Medeiros
Diretor-geral: João Dornelles
Diretora-geral: Solange Corrêa
Diretor de Finanças: Luis Fernando Silva
Diretora de Assuntos Sindicais: Arine Cougo
Diretora de Imprensa e Divulgação: Martha da Rosa
Diretora de Assuntos Educacionais: Janize Duarte
Diretora de Saúde e Condições de Trabalho: Anabel Cogo
Diretora de Administração e Organização: Joice Walder

Progressão 2004/2006

A Atempa informa que o resultado da Progressão 2004/2006 foi publicado no Diário Oficial de Porto Alegre do dia 19 de maio de 2010. Conforme negociação da data-base, o governo municipal comprometeu-se a pagar retroativo a setembro de 2009 até maio de 2010 no contracheque de junho de 2010. Quanto aos atrasados, ainda não há definição.


Lula, imprensa neutra e diversidade informativa

O que é realmente uma imprensa livre? A que temos no Brasil é prisioneira do poder econômico, controlado pelas classes endinheiradas. Rigorosamente aprisionada dos preconceitos e visões destas classes. Imprensa livre de quem, então? A preferência dos barões da mídia é escandalosa. Há uma unanimidade contra a candidata de Lula. Exceção feita, nas revistas de circulação nacional, à Carta Capital. Exceção que também se verifica na chamada mídia alternativa, porém extremamente pulverizada e de escassa circulação nacional. Com todo o heroísmo que significa a sua sustentação. O artigo é de Beto Almeida.

O tema da falta de neutralidade da imprensa voltou à baila nesta semana por iniciativa do presidente Lula. Quando ele pede que a imprensa seja neutra ou no mínimo diga que tem candidato, está levantando um problema real e verdadeiro. Mas, a solução para isto, está muito longe da simples decisão dos proprietários de veículos de converterem-se repentinamente a uma neutralidade ou a uma diversidade informativa que nunca praticaram historicamente. A solução caminha para o fortalecimento das mídias públicas e pela construção, no caso brasileiro, de um grande jornal popular e nacionalista. E para esta solução, o próprio presidente Lula poderia sim ser um grande aliado.

A reclamação de Lula foi feita em discurso na Convenção do PT que indicou oficialmente Dilma Roussef como candidata presidencial. Ele registrava o desequilíbrio que sente ao assistir pela televisão a cobertura jornalística da campanha eleitoral. Os tempos e o tratamento são obviamente diferenciados. A preferência dos barões da mídia é escandalosa. Há uma unanimidade contra a candidata de Lula. Exceção feita, nas revistas de circulação nacional, à Carta Capital. Exceção que também se verifica na chamada mídia alternativa, porém extremamente pulverizada e de escassa circulação nacional. Com todo o heroísmo que significa a sua sustentação.

No mesmo discurso Lula fala que “somos todos defensores da imprensa mais livre do mundo” e que não se incomoda com as críticas que recebe. Mas, o que é realmente uma imprensa livre? A que temos no Brasil é prisioneira do poder econômico, controlado pelas classes endinheiradas. Rigorosamente aprisionada dos preconceitos e visões destas classes. Imprensa livre de quem, então?

Mais adiante, no mesmo discurso, Lula fala que é preciso ficar atento e “mudar de canal”. Como mudar de canal? Para qual, se não há alternativas?!!

Neutralidade na imprensa do capital?
Aqui entramos no problema que reiteradamente, não apenas este escriba mas também outros mais qualificados, vem tratando de enfrentar, propondo a fundação de um programa público de estímulo da edição e leitura de jornais. Certamente, os barões da mídia, advertimos com antecipação, vão gritar escandalizados. Estatização da mídia!!! Dirão, alguns. Querem o dinheiro público para fazer política!!! Dirão outros.

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Eu apoio o Dunga!


“Xingou o técnico, é jornalismo; xingou os jornalistas, é crime contra a liberdade de imprensa. CALA BOCA TADEU SCHMIDT”, foi uma das mensagens mais retwittadas.

O que todo brasileiro deve saber sobre Leonel Brizola seis anos depois de sua morte


Por Gilberto Felisberto Vasconcellos

Leonel Brizola não gostava do “ismo” brizolismo, considerava-o excessivamente personificado e personalizado, ao contrário de seus detratores (e foram muitos tanto na direita quanto na esquerda) que tripudiavam o “personalismo” dele, líder egocêntrico, personalista, narcisista, individualista, ou senão centralizador tal qual Lênin e Trotsky. Essa calúnia foi repetida durante décadas, muita gente nas universidades e nos sindicatos acreditou que ele fosse um homem neuroticamente obcecado pelo poder, fazendo de tudo para lá chegar, pouco importando por quais meios, se espúrios, imorais e ignominiosos.
Curiosamente a maior parte de sua vida viveu fora do poder e, durante muito tempo, exilado e perseguido. A maledicência a fim de detratá-lo não dava margem a que se perguntasse acerca do mais importante: por que e para que queria o poder? Nos cursos de ciências sociais diziam-no que não estava politicamente vinculado a nenhuma classe social, ora tido como populista, ora bonapartista, ora intersticial, mas foi um homem público que desafiou a própria morte com coragem e intrepidez pelo destino da pátria e a sorte do povo.
Leonel Brizola se identificou politicamente com o trabalhismo, reportando-se ao nome de Getúlio Vargas na história do Brasil e, antes dele, ao mártir Tiradentes. Não abdicou nunca desta filiação, mantendo-a firme no caminho do socialismo, convicto de que o capital não representa solução para a humanidade. Em sua palavra e ação, a centralidade do trabalho indigitava a concepção originada de Marx e Engels (como a do jovem Getúlio procedia de Saint-Simon), ou seja: o trabalho criador de riqueza, o homem se fazendo pelo trabalho, a história do homem como a história do trabalho.
O Trabalho de Quem Não Trabalha
A notória repulsa de Leonel Brizola à monarquia é que ela esteve associada ao latifúndio e à escravidão. Todavia, o problema hoje é que a direita, ainda que de modo transverso e caricato, se apropriou da noção de trabalho. Antonio Ermínio de Moraes se define como trabalhador, George Soros alardeia todo santo dia que começa a trabalhar às cinco horas da manhã, José Serra se vê como um infatigável trabalhador desde quando estava no útero da senhora sua mãe.
A força de trabalho tornou-se objeto de falsificação, tal como tudo no capitalismo, embora sem explorar a força de trabalho nenhum capitalista ganha nada, não obtém aquilo que é o motivo de sua existência: o lucro.
Lembro Samir Amin dando o recado lá da África: a lógica do capitalismo é expandir o capital, e não promover o desenvolvimento. O que move o capitalismo é o lucro, e não a renda distribuída. O Banco Mundial é que juntou capitalismo com desenvolvimento, assim como o neoliberalismo mistifica o laço indissolúvel entre democracia e capitalismo. É mais um logro burguês afirmar que é possível o pleno emprego. O capitalismo é contra a democracia. O desespero do desemprego é um problema para os que estão desempregados, e não para os capitalistas. O desemprego (a existência de “exército industrial de reserva” que divide a classe operária) favorece os interesses dos capitalistas. É ilusória ou demagógica a vontade do capitalista em eliminar o desemprego.
O desemprego dá lucro ao capitalista. Como dizia Darcy Ribeiro, a massa excedentária é um componente estrutural do capitalismo e ineliminável, tal qual o subdesenvolvimento Há jovens deserdados que estarão condenados a não ter nunca na vida emprego.
Leonel Brizola e Darcy Ribeiro, leitores do Manifesto Comunista escrito pelos jovens Marx e Engels, estavam de olho na força de trabalho que não consegue assalariar-se, compelida a se virar no subemprego, nas formas precárias, incertas e perigosas do troco descolado, como acontece no dia a dia do Rio de Janeiro.
A ciência sobre o capitalismo não foi feita por nenhum teórico capitalista, mas pelo comunista Karl Marx, que julgava a palavra “proletário” mais incisiva do que “trabalhador”. Engels explicou que o proletariado é a moderna classe dos trabalhadores assalariados.
Os partidos políticos de esquerda, ou supostamente de esquerda, resolveram adotar a palavra “trabalhador”, o que correspondeu à substituição de “burguesia” por “empresariado”. Fato é que do nosso léxico político desapareceu a palavra “proletariado”. A última pessoa que, se não me engano, remou contra essa maré lingüística, foi o cineasta Glauber Rocha em sua famosa autodefinição: “eu sou um proletário intelectual”.
Nos discursos de Leonel Brizola, logo na seqüência dos primeiros acordes do hino nacional, invariavelmente o vocativo era chamado: “povo brasileiro”. Mudam-se os tempos, muda-se a linguagem. O pensamento não está apartado da linguagem. O pensamento se revela na linguagem. Basta reparar a dicção, a pronúncia de um político tucano abrindo a boca: a fala dele é inconfundivelmente a da classe dominante. A linguagem, tal qual o salário, é luta de classes.
Cidadão Miserável e Cidadão Milionário
Corriqueiro é ouvir a palavra “cidadania” por tudo quanto é canto. Essa palavra “cidadania”, que estava lá no armário burguês da revolução francesa, de repente foi posta em circulação na década de 80 pelas ONGs que se espalharam por toda a América Latina.
Segundo o marxista James Petras, as ONGs foram criadas pelo neoliberalismo, a ideologia da globalização imperialista do capital, com o objetivo de atacar o “estatismo” e as políticas públicas, substituindo-as por uma solidariedade que é falaciosa e aparente.
A aparência do solidarismo trazida pela caridade das ONGs despolitiza e desmobiliza o pobre explorado. A retórica da “cidadania” é moral e tem por objetivo mostrar que a exploração econômica não existe como causa objetiva da pobreza. O pobre deve ter fé no processo eleitoral argentário, deve votar sob a influência do monopólio da mídia. Essas ONGs, bando de gafanhotos endolarados, apareceram para nos ensinar o que é “cidadania”. Assim, começamos a ouvir “cidadania” para cá, “cidadania” para lá, e sempre como alguma distante, alheia e contraposta ao Estado. Tal qual sucedeu com o projeto Camelot da CIA durante a década de 60, foi colocada uma dinheirama nas ONGs a fim de cooptar e seduzir muita gente com a palavra de ordem: “cidadania já”!
Privatizando as empresas estatais, o neoliberalismo precisava se fazer popular com as ONGs da “cidadania”. Na década de 80 o neoliberalismo usou cada vez mais a acústica “cidadã”. Como dizia o maestro Villa Lobos, começamos a papagaiar a palavra “cidadania” por todos os rincões deste país, na mídia, no parlamento, na universidade e até nas conversas das donas de casa. Antes o que se ouvia (também vinda do exterior) era a palavra “modernidade” ou senão “globalização”.
A palavra “cidadania”, o xodó do departamento lingüístico do World Bank, que já foi presidido pelo sádico Roberto Mc Namara durante a guerra do Vietnã, tornou-se um lugar comum dos partidos políticos. As ONGs funcionaram como um eficaz instrumento neoliberal. À semelhança dos pardais que enfeitaram de cocô nossas cidades, importados de Paris, a palavra “cidadania” veio com as ONGs financiadas pelo Banco Mundial. Dentro desse pacote do imperialismo a “cidadania” se fez verbo. A cidadania dos políticos e dos intelectuais, o verbo do poder a partir da década de 80, segundo James Petras, o autor de Neoliberalism and Class Conflict in Latin America (1997).
ONGs, Instrumento do Neoliberalismo
Foi diabólica a estratégia das ONGs por toda a América Latina. “Cidadania” e “sociedade civil” (ocupando a esquerda que discutia se a “sociedade civil” provém dos textos de Hegel ou de Gramsci), enquanto por cima com o “capitalismo da flexibilização” (a cumplicidade entre o Estado e o capital globalizado), o Banco Mundial e as corporações multinacionais faziam a festa “anti-estatista” do livre mercado com as privatizações internacionais, sendo a mais criminosa a da Vale do Rio Doce, “o maior crime do século”, no dizer de Bautista Vidal. Sempre coniventes com o salário baixo da população, os ongueiros (empolgados pela “cidadania” desatrelada do Estado) conduziam o programa de “auto-ajuda” dos pobres e de “educação popular”, ocultando a classe social, o nacionalismo e o imperialismo.
A ONG colocou a “vontade” (tudo se resume em querer) no lugar da classe social como força política. A luta de classes passou a ser uma invenção de ressentidos e de gente que não está bem com a vida tal qual ela é mostrada pela telenovela.
Nas ONGs o conceito econômico de capitalismo converte-se em conceito moral, daí o estribilho “ética na política”, que corresponde à mistificação de que a pobreza, o mar de pobres, não é senão o resultado de erros (que poderiam ser evitados) cometidos por uma administração “incompetente”, palavra essa que se espraiou como uma epidemia revivendo o espírito da UDN.
A ONG afirmou o lado caridoso, compadecido, assistencialista e comunitário do neoliberalismo, a retórica sobre os “excluídos”, “as linhas de pobreza”, os racialmente discriminados e a igualdade de gênero sexual, como se o racismo na historia da humanidade não tivesse nada a ver com o capitalismo. A política da ação voluntária em âmbito local passou a ser sinônimo de realismo e de “transparência” social. Os dólares do Banco de Desenvolvimento Inter-americano e o Banco Mundial cacificavam as micro-empresas de intelectuais e políticos cooptados pela agenda neoliberal.
O discurso das ONGs, a ideologia dominante das multinacionais dominantes, é o discurso do poder econômico e cultural nas últimas décadas. Foi isso o que estruturou os programas de pós-graduação nas universidades. O discurso sobre a pobreza – a referência lacrimosa e emocional aos “excluídos” – separou e inocentou o setor rico da sociedade com a idéia da auto-exploração do pobre, tal qual o pregão pentecostal dos evangélicos sobre o rico que vai para o céu. A “auto-ajuda” das igrejas universais consagrou o pastor barulhento como o novo tipo de político que se legitima cada vez mais no desejo dos pobres e despossuídos. É por isso que o mote da “cidadania” foi o dispositivo lingüístico usado pelos ongueiros contra o conceito de luta de classes do marxismo. O manifesto das ONGs inverte o de Marx e Engels: cidadãos e excluídos uní-vos!
Sopão Pós-Moderno
O assistencialismo ongueiro é tão despolitizante quanto o pós-modernismo, a mais recente ideologia do imperialismo na área da cultura. O pós-modernismo divulga que a história acabou, que não há outra alternativa senão o capitalismo, que a “cidadania globalizada” é a realidade do século XXI com a “sociedade civil internacional”, que o marxismo está morto (a queda da União Soviética é identificada com o fim do socialismo) que nada é possível ser feito politicamente em termos nacionais na era da globalização, que a classe social é um conceito obsoleto, o qual deve ser substituído pela idéia de “identidade” e de gênero, ou seja, o que conta é a condição de lésbica, de gay, de afrodescendente.
Assim, o capitalismo deixa de ser um sistema dividido antagonicamente em classes sociais, a política é enfocada pelo prisma de um embate de celebridades, a exemplo de Fernando Gabeira no Rio de Janeiro. O pós-modernismo é repercutido pelo PSDB e por toda a mídia, é a ideologia de que o poder é difuso, fluido, volátil, não tem base material e econômica, tampouco um ponto central e definido. Tudo se resume a uma questão de “lifestyle” (o estilo de vida que a pessoa leva), e não de classe social.
Nas ciências humanas tudo virou relativo e pluralista, não há mais causas nos fenômenos sociais e políticos. O Banco Mundial fez a cabeça dos professores e estudantes das universidades, os quais dirão amém ao triunfalismo capitalista. A universidade, o que havia de esquerda na universidade, se neoliberalizou com a receita pós-moderna. A ênfase da política foi colocada exclusivamente nas eleições, ou no “cretinismo parlamentar”, como dizia Karl Marx. É a urna eleitoral, e não a mobilização popular, que decide os rumos da sociedade. Com educação (um, dois, três milhões de lepitópis nas favelas) o subdesenvolvimento será eliminado, o imperialismo econômica e políticamente não impede o país de ser passado a limpo. A educação é o motor da história, segundo o Banco Mundial: a educação é a principal alavanca da “cidadania”. E isso nada tem a ver com a estrutura social e econômica do capitalismo que autoperpetua o desenvolvimento do subdesenvolvimento. A agenda do Banco Mundial é suprimir a perspectiva do socialismo, colocando em seu lugar a meta da educação. Não será surpreendente se, mais dia ou menos dia, esse organismo do capital internacional vir a se apropriar do programa educacional dos Cieps.
O discurso da “cidadania” usa e abusa da expressão “vontade política” (outro clichê do Banco Mundial), mas na verdade consagra a impotência política. Lembro Darcy Ribeiro exilado em Montevidéu no ano de 1969, dez anos antes da fundação do PDT, preocupado em amalgamar o nacionalismo com o marxismo, a fim de elaborar um projeto político para ganhar o apoio da massa da população. Vamos, dizia ele, passar o Brasil a limpo. Sabemos que isso lamentavelmente não foi conseguido depois de sua volta do exílio em 1979.
Obsolescência do Trabalhismo
Darcy Ribeiro no final da vida se dizia um homem fracassado, que fracassou em quase todos os seus belos e grandiosos projetos. A questão colocada hoje é a seguinte: estava equivocado o diagnóstico histórico feito por Darcy Ribeiro e Leonel Brizola sobre o Brasil e a América Latina? Claro que, para responder a isso, é preciso saber e estudar em que consiste esse interpretação elaborada desde os anos 50, pois não é com amnésia histórica que se lida com os problemas da atualidade. Eles acertaram em um ponto básico: o subdesenvolvimento (atraso, fome, miséria, injustiça, promiscuidade, violência) irá continuar com o vínculo espoliativo mantido pelo intercâmbio internacional do sistema capitalista.
O que há na conjuntura atual do capitalismo que não foi mentalizado por Darcy e Brizola? Mudou substancialmente alguma coisa na relação entre países atrasados e avançados? Com a didática de tarimbado professor, Darcy Ribeiro dizia que a direção multinacional da sociedade latinoamericana continuou a questão-chave, principalmente depois de 1945, que é o ponto de inflexão na história do imperialismo. Com United Fruit na Guatemala plantavam-se bananas, hoje são plantadas indústrias estrangeiras, mas a rapinância continua a mesma, com o detalhe de que Darcy e Brizola denunciaram a financeirização da acumulação de capital, ou seja, o capitalismo cybervideofinanceiro aumenta ainda mais o atraso histórico da América Latina.
O colapso econômico do neoliberalismo não quer dizer no entanto que houve o colapso ideológico da hegemonia neoliberal. Esta continua firme e forte em todos os partidos políticos. A razão é pragmática e cínica. Principal agência das multinacionais, a televisão não perde as eleições. Portanto, dizem as vozes pós-modernas, o futuro do trabalhismo está na televisão do futuro. É este o conteúdo adaptacionista do “neotrabalhismo”, que apresenta Leonel Brizola como se ele tivesse sido um político telefóbico.
Com a ênfase abstrata e demagógica na educação, retroagindo às formulações elaboradas por Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro, o “neotrabalhismo” subtrai a centralidade do trabalho superexplorado das massas, assim como desconecta-o do atraso nacional que não é mais decorrência espoliativa imperialista, ou seja, é o adeus à concepção sobre as “perdas internacionais da nossa economia”.
Os intelectuais orgânicos das ONGs, que colocam a “cidadania” no lugar da crítica ao capitalismo, propagam pelas universidades que o legado anacrônico de Darcy Ribeiro e Leonel Brizola deveria ser jogado no lixo da história. Se o diagnóstico de ambos estivesse correto, eles teriam alcançado o poder pelo voto, como se a derrota eleitoral fosse indício de inconsistência teórica. Esse argumento é uma falácia com má fé porque pressupõe que triunfar na política, que é conflito de interesses materiais, seja o resultado da razão e de argumentos. Convenhamos que Stalin não triunfou na União Soviética porque pensou melhor a realidade russa do que Trotsky.
Luta de Classes
“Briga de foice no escuro”, assim definiu Leonel Brizola a política, isto é, a luta de classes. Leonel Brizola morreu com seu cérebro (sentimentalismo é dizer que ele vive), mas perdura o seu pensamento e o que deixou como exemplo público, inclusive a relação do trabalhismo brizolista com as classes sociais, ou seja, com as classes subalternas. Leonel Brizola nasceu politicamente vinculado à classe operária na Rio Grande do Sul. Mas o que era o heteródito PTB e a classe operária até 1964? É necessário perguntar pela relação partido político e classe social. Depois de 1979 frequentemente se ouvia que o PDT, cujos quadros eram preenchidos pela pequena burguesia, não era um partido da classe operária. Seu foco de atenção ou de persuasão era a massa marginalizada da população, os desempregados e subempregados. Por outro lado, argumentava Darcy Ribeiro em um país ocupado pelo imperialismo, não existe uma classe burguesa independente que tenha a vocação de ser uma classe (situada no topo da sociedade) a fim de exercer o comando econômico e político.
A revitalização do brizolismo passa necessariamente pela crítica marxista ao capital monopolista. O renascimento do PDT, tal qual este existiu como referência essencial na sociedade brasileira sob a liderança de Leonel Brizola, não poderá se efetivar sem que se coloque o socialismo no cerne de seu projeto político para a América Latina. Essa é a única maneira do PDT não tornar-se cativo da ideologia do Banco Mundial, para quem o domínio das corporações multinacionais (com o binômio democracia e educação) irá eliminar o subdesenvolvimento e o atraso da sociedade brasileira.
O PDT está compelido a avançar caminhando em direção ao que foi concebido no passado acerca da “espoliação internacional”, isto é, o subdesenvolvimento como sendo endêmico ao capitalismo no Terceiro Mundo. Por causa do processo social cada vez mais antagonicamente polarizado, brizolismo e marxismo devem se amalgamar em uma unidade orgânica, tal qual a política anti-colonialista de Hugo Chávez realizada na Venezuela juntando Bolívar e Marx.
Gilberto Felisberto Vasconcellos é sociólogo, jornalista e escritor.