sábado, 27 de março de 2010

Presidente da Bolsa e do BC de FHC vai ao exterior derrubar o Brasil



O Conversa Afiada reproduziu e-mail do amigo navegante Trindade:

Segundo o Jornal o Globo do dia 26 de março de 2010, dois grandes bancos o UBS da Suíça e o JP Morgan, dizem que a economia do Brasil corre o risco de “superaquecer”. Irônico, mas vejamos se a notícia é verdadeira ou se é obra do PIG.

Primeiramente tivemos notícias de que o Sr. Armínio Fraga estava ministrando palestras no exterior afirmando que a economia brasileira possuía bolhas e, que temos vários “gargalos na infra-estrutura”.

Questionei a BM&F Bovespa que seu Presidente estava especulando contra a Bolsa de Valores e contra a própria economia do país, Vejam o que a BM&F Bovespa respondeu:

“Prezado(a) Gilson José Trindade de Vasconcelos, Agradecemos seu contato. Mediante sua reclamação de protocolo 301131, informamos o abaixo disposto:

Obrigado por sua mensagem. O presidente do Conselho de Administração da BM&FBOVESPA, Arminio Fraga, é uma figura pública, que foi presidente do Banco Central e é também economista. Frequentemente é procurado pela mídia especializada em economia, que quer ouvi-lo sobretudo sobre temas do setor financeiro. As afirmações reproduzidas parcialmente pela Bloomberg foram extraídas de uma palestra de Arminio Fraga em Nova York, na Câmara de Comércio Brasil-EUA, que girou, grosso modo, em torno de dois pontos: os gargalos da infra-estrutura brasileira e a falta de investimento dirigid a a esse setor; e a política de combate à crise de 2008 praticada pelo Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

É opinião deste Ombudsman que a reprodução de alguns trechos dessa palestra pela Bloomberg não foi feliz, abrindo espaço para uma interpretação incorreta das palavras de Fraga. Em nenhum momento ele sugeriu aos estrangeiros que deixassem de investir no Brasil, por exemplo. Ou foi pessimista quando afirmou que a infra-estrutura brasileira é sofrível. Em relação aos estrangeiros, o que Fraga disse é que está preocupado com a percepção que esses investidores tem do Brasil atualmente – uma percepção alimentada por um excesso de otimismo com as perspectivas de crescimento do Paí s e que não condiz com nossa realidade, cujos níveis de investimento são ainda baixos e cuja infra-estrutura – e aqui ele usou aquela expressão que está entre aspas no texto da Bloomberg – está em péssimo estado (terrible shape). Trata-se obviamente de uma opinião, com a qual se pode ou não concordar. Mas não me parece que seja uma opinião pessimista.

Se o Sr. quiser mais informações, posso enviar-lhe por e-mail as principais reportagens sobre a fala de Arminio Fraga e sua repercussão”.

Veja o que respondi para a Ouvidoria da BM&F Bovespa:

Prezado Sr. Izalco Sardenberg, é bom lembrar que o Sr Armínio Fraga não ocupa uma posição qualquer, em minha opinião seu comportamento é antiético porque já foi Presidente do Banco Central na gestão de outro governo.

Em entrevista para a CNN, o ex-presidente do Banco Central Americano – Sr. Paul Volcker – disse que não opina sobre a gestão de outros. O Sr Armínio, ao que parece, incorre no que podemos chamar de “conflito de interesse”, porque sinaliza nos bastidores para um cenário pessimista, posição que aliás jamais assumiu durante sua permanência no BC do Brasil.

Direito de opinião – com o devido respeito – é um princípio Constitucional Pétreo, direito este que é usurpado sempre que um agente público e econômico resolve falar demais, sem recordar-se da ortodoxia que ele implacavelmente sujeitou a nosso país.

Repito que o direito de opinião não pode ser leviano, afinal o Sr. Armínio, nas suas próprias palavras “é um agente público” e, naquele momento, não falava apenas como cidadão, mas como agente de uma Bolsa de Valores, e valor é qualidade e não defeito.

1. Pense na seguinte hipótese Sr. Sardenberg: Um vendedor aperta a campainha de sua casa e diz:

” – Bom dia Sr. Sardenberg, trabalho para a empresa BM&FBOVESPA, quero oferecer-lhe ações de empresas de meu país – o Brasil – país agradável e de péssima infraestrutura, aliás essa deficiência pode causar problemas para o futuro da economia e, além disso é um país excessivamente otimista alvo de “bolhas”.

2. Um segundo vendedor bate à sua porta e argumenta:

” – Bom dia Senhor Sardenberg, trabalho para a Bolsa de Valores, vendo ações das empresas brasileiras, país que possuí alto potencial, grande demanda por infraestrutura e expectativa de crescimento, é uma grande oportunidade para se investir e lucrar”.

Qual o comportamento de quem quer investir? Quer comprar bons dividendos ou aplicar em maus dividendos?

A política da Bolsa, repito, não é cercear o direito de ninguém, mas sim zelar pela lisura e retidão de seus agentes e acho que nesse quesito a Bolsa está sendo reticente.

Sr. Fraga não possuí isenção e imparcialidade necessária a um agente público de tamanha envergadura, e o que estou dizendo merece ser considerado pois investir na Bolsa é o mesmo que investir no Brasil e, infelizmente, o Presidente do Conselho “desaconselha” os investidores a acreditar no potencial do Brasil.

Reflita e concluirá que no fundo tenho um pouco de razão.

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