quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Paciência

Lenine

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Feliz 2010

Sem querer ou querendo... chegamos até aqui!
Então, abracemos o amor pelos nossos amores e pela esperança de um viento fuerte.
Feliz todos os dias de 2010!
Abusem do amarelo...
Até 2010!
Maromar

"Dizem que em algum lugar
parece que no Brasil,
existe um homem feliz" Maiakovski

Buracos de Porto Alegre

Na minha finita inocência e pasmosa ignorância não imaginava que houvesse em Porto Alegre, capital dos gaúchos, um bairro tão abandonado quanto o bairro Humaitá, onde existem mais buracos que asfalto.
Peço perdão, eu errei!
A vila Floresta também foi abandonada, está pior, não tem mais asfalto, somente buracos!
No bairro Humaitá a desculpa é a construção da arena gremista... os gremistas e colorados e ETs descalços que transitam pelo bairro terão que esperar pela arena dos olhos azuis.
E a vila Floresta? Qual é a razão do descaso?
E assim vamos sobrevivendo de crateras em crateras, pneus rasgados, passeios públicos que não existem e buracos que pertencem a cidade.
A coragem de não fazer nada, agora... quer governar o RS!
E a imprensa? Mais preocupada em usar da sua liberdade para tirar nossa liberdade, não sabe de nada.
Não vê nada além dos seus interesses... respira outros ares, caminha sobre as águas!
Haja o que houver tenha paciência!

Maromar

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Cidadão Boilesen

Um cidadão sob suspeita

“Cidadão Boilesen” aborda a Operação Bandeirantes por meio de um de seus maiores entusiastas: um executivo do Grupo Ultragás

O documentário premiado em festivais estreiou em 27 de novembro de 2009.

O filme é resultado de 15 anos de pesquisa sobre o papel do dinamarquês Henning Boilesen na ditadura brasileira

Cidadão Boilesen (Brasil/ 2009, 92 min.) - Documentário. Direção de Chaim Litewski. 12 anos. Cotação: Ótimo


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Quase TODO mundo sabe disso, mas...

QUASE todo mundo sabe disso, mas é essencial que a gente fique repetindo, pra essa historia não se repetir.

O jornal New York Times publicou no dia 21 de dezembro, na página A29 , a notícia da morte de Lincoln Gordon.
Gordon foi embaixador dos Estados Unidos no Brasil e teve papel decisivo na intervenção militar que, em 1964, depôs João Goulart, o presidente eleito segundo a Constituição vigente (*).
Veja o que disse o necrológio do New York Times:
“O Presidente Goulart foi deposto num golpe militar de direita, em 1964. Acusações de que o Dr. Gordon, seu staff (**) e a CIA se envolveram no golpe foram repetidamente negadas.”
“Mas, em 1976, quase uma década depois de deixar o cargo de embaixador, o Dr. Gordon admitiu que o Governo (Lyndon) Johnson estava preparado para intervir militarmente para evitar uma tomada do poder pela esquerda.”
Ou seja, nem o Dr Gordon seria capaz de acreditar no que dizem certos especialistas brasileiros.
Como se sabe, há uma corrente de historiadores, especialistas e jornalistas que se pensam historiadores que criaram a teoria de que a intervenção militar de 64 foi genuinamente brasileira.
Segundo essa iluminada corrente de pensamento – ressurrecta no golpe contra Zelaya em Honduras -, foi o povo brasileiro que se cansou do petebo-anarquismo-sindicalismo-comunismo que Jango instalou no poder.
O povo brasileiro, reunido em legiões de proletários, trabalhadores rurais, professores, profissionais liberais, multidões se reuniam no IBAD, no IPES e na casa do Dr Galotti, presidente da Light, e provocaram a queda de Jango. (***)
Na verdade, a intervenção militar no Brasil se deu no quadro da Guerra Fria.
Sem Gordon, a CIA e a Marinha de Lyndon Johnson, aquelas reuniões no IBAD seriam uma espécie de assembléia ampliada do “Cansei”.
Sem Lyndon Johnson, o general Golbery seria um estrategista tão genial quanto o Rodrigo Maia.
É o que demonstra o New York Times.

Paulo Henrique Amorim

MOACYR AYRES SIQUEIRA

O ÔNIBUS

Passou na rua em que fui criança...
Na qual joguei bola de gude na calçada,
Ouvindo alegres cânticos da meninada
A brincar de roda numa infância mansa!

Meu pai, como toda vizinhança,
De jornal em punho e preguiçosa armada,
Adormecia na frente da morada...
Eram tardes de paz e segurança!

Se algum vizinho não viesse à frente,
Imaginava-se distante ou doente
O que era conferido em visita amiga!

Este ônibus mexeu com minha mente,
Passou na ruazinha , hoje diferente
Da pacata em que vivi... na Canoas antiga!

Moacyr Ayres da Siqueira

GIOVANIUNG-TZ






Pensamentos de Lua

Giovani Jung

LU MALLMANN



Concerto neandertal

Lu Mallmann

NEIDA ROCHA

A espera pela meia noite
é angustiante.
Prepara-se a ceia.
Fazem-se simpatias.
Coloca-se a uva no champagne,
a folha de louro na carteira.
Come-se lentilha.
Veste-se branco.
O Ano Novo vai chegar.
O instante passa depressa.
Muda o minuto.
Inicia outro dia,
outro ano.
Pensa-se em todos os detalhes.
Não pode faltar nada.
Tudo é perfeito:
o banquete, as simpatias,
as vestes, os foguetes.
E no coração???

Neida Rocha

O papel decisivo de Lula em Copenhague. E o crime do PiG (*)



O “lince”, segundo o El País, agora joga no time dos Cinco


Obama chegou a Copenhague decidido a pressionar a China a aceitar um controle externo sobre emissões de gás carbônico.

Por isso, sua primeira reunião bilateral foi com o primeiro ministro chinês Wen Jiabao.

Em pouco tempo, presidente americano percebeu que o chinês não cederia em nada.

Obama saiu da reunião tão indignado, que pediu outra entrevista bilateral com Wen e disse aos assessores que, daí em diante, só falaria com Wen cara a cara.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos tentavam organizar uma reunião com Lula, Manmohan Singh (da Índia) e Jacob Zuna, da África do Sul.

Nessa altura, a confusão era monumental.

Ninguém sabia quem estava onde, e que delegação permanecia em Copenhague.

Uma reunião de Obama com Wen foi agendada para às sete da noite.

Quando Obama saiu de um encontro com líderes europeus, e foi em busca de Wen, lhe informaram que a sala prevista já estava ocupada.

E na sala estavam Wen, Lula, Singh e Zuma.

Obama abriu a porta, entrou e perguntou a Wen, em voz alta – essa parte foi gravada por emissoras de televisão: “Você está pronto para a nossa conversa ?”

E entrou.

Não havia sequer cadeira para o presidente americano. Obama disse que não tinha problema.

Ele se sentaria ao lado do amigo Lula.

E Lula lhe cedeu a cadeira de um dos assessores.

Na verdade, arrumou duas cadeiras, porque Obama veio com Hillary.

Obama decidiu que essa era a oportunidade para falar com todos de uma vez só.

E sua ousadia acabou por lhe ajudar.

Obama anunciou que se eles cinco não fechassem um acordo ali, na hora, ele, Obama, faria um acordo em separado com os europeus.

Não se sabe o que passou a acontecer na reunião.

Mas, daquela reunião saiu o único acordo que hoje se pode celebrar.



Lula não é apenas um lince da política.

Quando ele percebeu que a reunião tinha entrado em ponto morto, pronunciou um ovacionado discurso e, pela primeira vez, para surpresa de seus próprios assessores, anunciou que o Brasil estava disposto a contribuir para um fundo verde global.

Lula sabia que, com isso, deixava Obama com um perfil baixo.

Uma vez mais, Lula soube jogar suas cartas com astúcia e sem estridência.

Não é à toa que Obama disse que ele é “o homem do momento”.

Em seu discurso, Lula disse que o Brasil não aceitaria que as figuras mais importantes do planeta assinassem um documento qualquer só para decidir que nós outros também o assinamos.

Disse que, como crê em Deus e em milagres, “se se produz o milagre, quero fazer parte dele”.

(El País, página 40, domingo, 20 de dezembro de 2009)


Obama se fechou por cinquenta e cinco minutos com Wen.

A Casa Branca anunciou que haveria um segundo encontro.

Na hora marcada para esse segundo encontro, Obama constatou que Lula, o primeiro ministro da Índia Singh, e o presidente sul-africano Zuma estavam já reunidos com Wen.

E estes cinco lideres negociaram o acordo de três paginas que foi apresentado à sessão final.



O que aconteceu em Copenhague ?

A Europa defendeu objetivos ambiciosos que ela não pode e não soube compartilhar com os outros países.

A Europa foi marginalizada por uma coalizão que testemunha a divisão do poder político no mundo de hoje: os Estados Unidos, a China, a Índia, o Brasil e a África do Sul.

(Le Monde, paginas 6 e 2, domingo, 20 de dezembro de 2009)



De volta ao Brasil, me contam que o PiG (*) menosprezou o papel decisivo de Lula em Copenhague.

Criou uma falsa gafe de Dilma.

Deu destaque ao não-evento, que foi o memorável encontro do Zé Alagão com o Berlusconi da Califórnia, Arnold Schwarzenegger.

(Clique aqui para ler sobre “o que Zé Alagão foi fazer com o Schwarzenegger” )

E disse que Copenhague foi um fracasso.

(Clique aqui para ler “O meio ambiente é um assunto muito sério para ficar com a Marina e Miriam”)

Esses foram alguns dos pequenos crimes que o PiG (*) cometeu ultimamente.

Na categoria “grandes crimes” se inclui mentir.

Paulo Henrique Amorim

Em tempo: amigo navegante, imagine quantos dedos da mão daria o Farol de Alexandria para participar dessa reunião dos cinco grandes. E, amigo navegante, sabe por que ele vai entrar para a História sem ter participado de uma reunião dessas ? Porque a política externa dele era a “Política da Dependência”.

(*)Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista

Quer conferir? Clique aqui!

domingo, 27 de dezembro de 2009

Ex-cortador de cana comemora aprovação no curso de Medicina da UPE


Jonas Lopes da Silva venceu o sofrimento, o sol escaldante e a pobreza ao ser aprovado no Vestibular 2010 da Universidade de Pernambuco

Da Redação do pe360graus.com


Ex-cortador de cana comemora aprovação no curso de Medicina da UPE
A história de Jonas Lopes da Silva poderia ser contada nas marcas que carrega nas mãos, com as cicatrizes deixadas pelo trabalho nos canaviais. Mas ele decidiu acreditar num sonho que se concretizou este ano ao ser aprovado no curso de Medicina no vestibular da Universidade de Pernambuco.

O passado deste ex-cortador de cana ainda está bem próximo da porta de casa, de onde é possível enxergar os canaviais da Zona da Mata de Pernambuco, onde Jonas trabalhou dos 7 aos 15 anos de idade. “Esse cenário é um cenário onde cortei cana quando era criança e saia da aula”, recorda.

Do tempo de sacrifícios, o jovem de 24 anos, guarda o facão, algumas cicatrizes e muitas lembranças. “Sofrimento, sol escaldante e ter que ver as pessoas sofrendo.”

Jonas é filho de um pedreiro e de uma cortadora de cana (foto 4). Eles não terminaram o ensino primário e comemoram a maior conquista da família: Jonas é o primeiro a entrar na universidade. “Eu via minha realidade logo cedo, aí foi que eu disse: eu não vou trabalhar aqui, eu não vou sofrer. Eu quero outra coisa. E aí quando criança já sonhava muito.”

Os conselhos do pai, José Lopes da Silva, foram fundamentais para Jonas continuasse os estudos. “Queria que ele seguisse um mundo diferente do meu, com uma vida de estudo porque o campo não daria certo para ele. E o sonho de realmente ver o meu filho estudando medicina, isso aí é uma alegria que não tem nem como me expressar.”

A mãe, Edileusa Lopes, acompanhou todo o esforço de Jonas para superar as lacunas do ensino público. Dos sete filhos, três não estudaram. O mais velho é pedreiro em São Paulo. Jonas é o orgulho da família. “Eu não sei nem dizer a felicidade que eu estou. Estou tão feliz que dá vontade de correr pelos quatro cantos gritando.”

Para chegar até lá, não foi fácil. Jonas teve que trabalhar para juntar dinheiro e pagar os estudos. Durante quatro anos ele tentou o vestibular. Morou num alojamento para estudantes, deixou de lado a diversão e chegou a passar fome. “Eu ia para casa dos meus parentes, da minha irmã e da minha tia, para almoçar.”

Agora, o ex-canavieiro quer ser cardiologista porque considera a profissão mais nobre que se pode ter. Para quem saiu dos canaviais, ele sonha grande. Quer ser pesquisador e fazer pós-doutorado em Harvard, nos Estados Unidos.

Com os pés no presente, ele foi conhecer a Universidade de Pernambuco, onde vai estudar em 2010. Jonas tem como filosofia um lema de um programa que procura humanizar a medicina, levando alento aos pacientes.

Um dos principais defensores desta alternativa terapêutica é o médico Wilson Freire (foto 5). O que Jonas não sabia é que este doutor em medicina também tem um passado parecido com o dele. “Eu tive uma vida muito parecida com a sua. Você veio da Zona da Mata e eu vim do Sertão. Para estudar, fui morar na casa dos estudantes”, relembra o médico.

Infância pobre, trabalho precoce, superação. Dois personagens ligados pela medicina. Quem recebe da vida uma oportunidade como esta, sabe a melhor maneira de aproveitá-la. “Nos que viemos de situação difícil, temos por obrigação lutar para que essas coisas mudem e que outras pessoas não tenham que passar pelo que nós passamos”, finaliza Freire.


--
Cordialmente,
Francisco Alexandrino de Oliveira Neto
Esp. História da Arte e Ciência das Religiões

sábado, 26 de dezembro de 2009

MINI-CONTO: PRECONCEITO

E... enquanto isso, homens e mulheres de boa vontade, se debruçam a defender dois governos medíocres (e corruptos?), Yeda/RS (A coragem de fazer) e Fogaça/PORTO ALEGRE/RS (A coragem de não fazer nada).

MAROMAR

Lula, l'homme de l'année 2009, par Eric Fottorino

Aqui, direto do Le Monde.fr

Mas, sempre dá pra pegar carona em alguma tradução...

O Conversa Afiada reproduz sugestão do amigo navegante Mario Augusto:

Enviado em 24/12/2009 às 10:48

Lula é o homem do ano segundo o Le Monde.
É a primeira vez que o jornal homenageia uma personalidade, foi “o cara”.
FHC corta os pulsos hoje.
Serra vai inventar uma homengem no gazeta de Honduras, na Veja, ou no Vale Paraíbano do Piauí com Arthur Virgílio entregando flores.


Em tempo: A tradução, por Pedro Camargo:

Pela a primeira vez em sua história, Le MONDE decidiu designar a pessoa do ano. “Sua” personalidade do ano. O exercício poderia parecer ousado ou banal. Quem distinguir? Com que critérios? Em nome de que valores? Como diferenciar entre grandes e prestigiados colegas estrangeiros, como os semanário americano Times que há muito já ultrapassou esse caminho, elegendo seus “Person of the Year”?

Nossas conversas revelaram o que nos une como Le Monde*. Pelos os últimos sessenta e cinco anos, o título do nosso trabalho é um convite um olhar global, optamos por uma pessoa cujo ação e reputação tornou-se internacional. Fomos cuidadosos para escapar escolhas forçadas que poderiam selecionar o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama (era mais o homem de 2008 do que 2009), também ficaram excluídas as personalidades “negativas”, embora a sua ação fosse decisiva para uma nova configuração global: Vladimir Putin e sua tentação-tentativa de reconstituir o império soviético; Mahmoud Ahmadinejad cuja cada palavra e cada ação é um desafio para o Ocidente.

Desde a sua criação, Le Monde, marcado pelo espírito da análise de seu fundador, Hubert Beuve-Méry, quis ser um jornal de (re)construção, senão de esperaça; ele veicula à sua maneira uma parte do positivismo de d’Auguste Comte, tomando defesa dos homens de boa vontade. É porque, por esta primeira designação, que nós desejamos de agora em diante renovar cada ano, nossa escolha racional e de coração incidiu sobre o presidente brasileiro Luiz Inacio Lula da Silva, mais conhecido sob o simples nome de Lula.

Ele nos pareceu, por seu percurso singular, de antigo sindicalista, pelo seu êxito à cabeça de um país tão complexo quanto o Brazil, por sua preocupação para com o desenvolvimento econômico, e a luta contra as desigualdades, e a defesa do meio ambiente, Lula bem merece o prêmio… do mundo.

Quer conferir mais? Vá até o Conversa Afiada, ou acesse o Le Monde...

NUNCA ANTES NA HISTÓRIA DESTE PAÍS...

PLATAFORMA FREIRE

Plano de Formação de Professores

Professor! Professora!

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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Rio 2016: A mais extraordinária olimpíada realizada no mundo

Segunda-feira, 21 de dezembro de 2009 às 23:43

Rio 2016: A mais extraordinária olimpíada realizada no mundo

Blog do Planalto

CPI e a Yeda

Placar

FAVORÁVEIS
A votação do relatório de Coffy Rodrigues
Adilson Troca (PSDB), Coffy Rodrigues (PSDB), Gilberto Capoani (PMDB), Iradir Pietroski (PTB), João Fischer (PP), Luciano Azevedo (PPS), Pedro Westphalen (PP) e Sandro Boka (PMDB).

CONTRÁRIOS

Daniel Bordignon (PT), Gilmar Sossella (PDT), Paulo Borges (DEM) e Stela Farias (PT).

Eu só peço a Deus...

Recebi por e-mail esse vídeo, não sei a autoria. Mas, aí vai...
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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

TURPILÓQUIO

Por trás dos discursos indignados com o palavrão discursado pelo Exmo. Sr. Presidente da República, se esconde a ideologia moralizadora que deseja confiscar as lutas sociais através de seminários de sociologia e mecanismos de constituição textual.

Vinculam a capacidade de governar com a oratória do erotismo semântico do realismo da burguesia.

A pobreza de milhões deveria ser mantida num canto escuro, para o equilíbrio e harmonia social, através de discursos preocupados com as formas de construção lingüística enquanto sequência de frases – não importando as intenções.

Mas esse palavrão aponta como critério de textualidade a coesão e a coerência porque o povo, pela primeira vez, está no poder, e ele, fala turpilóquios.

Foi quando a gente humilde, escrava dos desejos da burguesia, sentiu-se no exercício pleno do poder ao escutar o tal palavrão.

O apogeu do pensamento burguês foi que elegeu e manteve o governo FHC. Onde o trabalho e a mão-de-obra barata vestiam os corpos da burguesia com palavras de bom tom e figurinos de bom gosto.

Enquanto isso, o povo vivia na merda, com fome e esgoto correndo por pátios e calçadas de barro e poeira.

A linguística erótica burguesa controladora do decoro dos discursos, não pode apontar o desaparecimento dos pobres, canalizados para guetos de contenção, já que eles existem na base de qualquer trabalho capitalista, mas retoma os processos de ordenação para afirmar: a burguesia é a eternidade.

Parece-me que estamos caminhando, para uma época, em que as máscaras não serão necessárias, para o povo falar.

Por enquanto, se permite que fale baixo, para manter o equilíbrio do sistema e a burguesia possa dormir tranquila.

É a tática de permitir sem libertar.

Os preceitos de decoro e bom tom linguístico trabalham à favor da ordem e do progresso.

A moralidade e o bom gosto andam com a gente fina. Decorosos e austeros escolhem com cuidado o que falar ao povo, sem despertar-lhe a consciência.

O discurso não autorizado do Exmo. Sr. Presidente, que se negou a ficar no silêncio narrativo, se impôs como necessário e imprescindível, para se revelar claramente como ideológico.

Mostra que entre o que se diz e o que não se diz, a vida continua com mais ou menos hipocrisia.

Maromar

sábado, 12 de dezembro de 2009

Stédile


Stédile detona a Globo e o PiG(*) e enfrenta a CPI do MST

11/dezembro/2009 11:04

Clique aqui e assista!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

A desumana burrice paulista

Depois que José Serra assumiu a prefeitura de São Paulo, em 2005, a cada vez que a cidade alaga a mídia põe a culpa em S. Pedro. Desde aquele ano, o que se apressam em divulgar quando o caos pluvial se instala é quão atípica foi a chuva, como se só tivesse acontecido a desgraça por um capricho da natureza.

Cobrança do prefeito? Zero. Cobrança do governador? Zero vezes zero.

Até 2004 era diferente. Em 7 dezembro daquele ano, a poucas semanas da posse do então prefeito eleito da capital paulista, choveu muito mais em São Paulo, mas, à diferença do que todos estão vendo nos meios de comunicação, eles culparam a então prefeita Marta Suplicy pela tragédia.

A ex-prefeita estava em Milão, naquele momento. A mídia aproveitou que ela participou de cerimônia de reinauguração de um teatro e divulgou fotos suas no evento, dando detalhes das roupas que vestia, do preço do hotel em que estava hospedada, praticamente atribuindo as chuvas à sua ausência da cidade.

E, só parar irritar mais o leitor, lembro do escarcéu que fizeram há pouco porque faltou luz de madrugada enquanto uma tragédia como a que aconteceu numa São Paulo submersa é relativizada.

É inacreditável o que está acontecendo. Os paulistanos não questionam nem o prefeito nem o governador por falta de providências quanto ao metrô colapsado, quanto à explosão de violência e criminalidade que se agrava a cada minuto, quanto às enchentes que torturam a cidade sem parar a cada vez que cai uma chuvinha.

Eu voltava do centro da cidade de metrô no começo da noite desta terça-feira e as pessoas, espremidas como sardinhas em lata dentro do vagão, reclamavam do caos num tom resignado, como se não houvesse alternativa, além de proferirem besteiras ininterruptamente.

Num dado momento, meti-me no meio da conversa de duas senhoras e um senhor:

-- Desculpem-me a intromissão, mas será que nenhuma autoridade tem culpa por tudo isso de que o senhor e as senhoras estão reclamando?

-- A culpa é desse “sem-dedo”, desse “baiano” desgraçado, claro. Mas não adianta nada reclamar, o povo é burro. O senhor assistiu o jornal ontem?

-- O Jornal Nacional?

-- Sim, a pesquisa... Não viu?

-- Vi, sim. O que tem ela?

-- Nossa, o senhor precisa se informar... Por isso as coisas não melhoram. O povo burro acha o Lula ótimo.

-- Perdoe-me, mas o que o presidente tem que ver com as chuvas?

-- Como assim, moço?! A obrigação de fazer alguma coisa é dele.

Adiantaria explicar? Talvez... Eu ia começar a explicação, mas a outra senhora entrou na conversa.

-- Ah, não adianta reclamar. Isto aqui não vai melhorar nunca. Eu já desisti há muito tempo.

-- A senhora desistiu do quê?

-- De votar, lógico. Não adianta. E muito menos reclamar. O jeito é a gente se virar como pode.

Finalmente, o senhor que as acompanhava abriu a boca.

-- Olha, não adianta culpar o “sem-dedo” desta vez. Quem cuida da cidade é o governador, o Serra, mas ele não tem culpa. Eu li na internet, antes de sair do escritório, que hoje foi a maior chuva da história.

Pensei em falar alguma coisa, mas não sabia por onde começar. E, além disso, o trem estava chegando à “minha” estação (Estação Paraíso) e ainda teria que tentar chegar à porta do vagão a tempo de desembarcar daquela lata de sardinhas.


Escrito por Eduardo Guimarães às 23h32 -
http://edu.guim.blog.uol.com.br/
"Cidadania.com"


Qualquer semelhança com o prefeito de Porto Alegre e a governadora do Rio Grande do Sul NÃO é mera coincidência.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Flamengo X Grêmio

O que sobrou aos jogadores do Grêmio Football PortoAlegrense, sentido esportivo do jogo que estava sendo disputado e a necessidade de fazer prevalecer as suas leis desportivas, faltou aos torcedores do Coritiba. A barbárie também começa a ser combatida pela postura digna dos jogadores do clube gaúcho. Parabéns aos atletas e técnico.

sábado, 28 de novembro de 2009

Saiu no Vermelho

Caetano... esse mesmo, acusa a Veja de desonesta!
Quer ler mais? Vai no Vermelho!

Edu Física X Edu Artística

Educação física versus Educação artística

Este é o dilema colocado na não discussão do currículo das escolas da rede pública estadual de educação.
Um falso dilema dentro de uma visão egoística de sociedade competitiva e carnívora.
Professores de educação física versus professores de arte educação.
Qual das duas perderá carga horária para a língua portuguesa ou a matemática?
Estamos frente a simplificação cartesiana da educação e o nosso corporativismo somado a necessidade de sobreviver com os poucos recursos de ser professor. Entramos na arena do combate corpo a corpo, com a melhor das intenções: não morrer. Já temos outro um inimigo a combater: o professor da outra disciplina.
E assim, vamos construindo um mapa geopolítico de inimigos e alianças ocasionais (amigos da ocasião). Logo, aquela onda holística que se supõe seja própria do Universo, a sintetizar unidades em totalidades organizadas e segundo a qual o homem é um todo indivisível, que não pode ser explicado pelos seus distintos componentes (físico, psicológico ou psíquico), considerados separadamente, virou cinzas. Queimada na fogueira da desinformação, (- Não me envolvo em política!) da falta de tempo, (- Tenho sessenta horas, não dá!) da indiferença, (- Outros farão essa discussão por mim!)...
Mas, se consigo admitir que o ser humano (nossos alunos e alunas, também) precisa mais que às habilidades da escrita, da leitura e dos números, tenho que recriar os conhecimentos num currículo crítico, democrático e transformador (Cadernos Pedagógicos 8,1997, Totalidades de Conhecimento, Smed/POA).
A educação física pela qual estamos lutando é a educação física da bola e da quadra? Não é isso que acontece? Bem, se não é isso que acontece... Vivas à Educação Física!
E os professores de educação artística são quem mesmo? Sobras do quadro de professores? Já deixamos de desenhar e pintar com os alunos e alunas? Agora estamos recortando?
Os professores de língua portuguesa e matemática querem quantidade ou qualidade?
Nós queremos o quê?
Alunas e alunos comportados!
É simples?
Mauro

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Saiu na Carta Maior - 26/11/2009

Sócios da SP Alimentação denunciados por formação de quadrilha

Dirigentes e funcionários da empresa são acusados pelo Ministério Público Federal de envolvimento em uma fraude na terceirização da merenda escolar em Canoas (RS). As acusações incluem fraude em licitação, corrupção ativa e formação de quadrilha. Ao todo, 13 pessoas foram denunciadas pelo MP Federal, incluindo o ex-prefeito de Canoas, Marcos Ronchetti (PSDB) e o ex-secretário geral do município, Chico Fraga. Segundo o MPF, esquema foi responsável por um prejuízo que pode chegar a mais de R$ 4,5 milhões.
Marco Aurélio Weissheimer

Os sócios-gerentes da empresa SP Alimentação, Eloízo Gomes Afonso Durães, Valmir Rodrigues dos Santos e Vilson do Nascimento foram denunciados pela Procuradoria da República em Canoas (RS) por envolvimento em uma fraude na terceirização da merenda escolar no município. Eles estão sendo acusados de fraude em licitação, corrupção ativa e formação de quadrilha. Ao todo, 13 pessoas foram denunciadas pelo MP Federal, incluindo o ex-prefeito de Canoas, Marcos Ronchetti (PSDB), o ex-secretário geral do município, Chico Fraga, e o ex-secretário de Educação de Canoas, Marcos Antônio Giacomazzi Zandonai. Os demais denunciados são ligados às empresas SP Alimentação e Gourmaitre Cozinha Ind. e Refeições.

Os fatos foram elucidados a partir de investigação iniciada no Ministério Público Federal, que deu origem também a uma ação de improbidade administrativa. Esse caso marcou o início da chamada Operação Solidária, que, segundo o MPF “propiciou ampla comprovação de atos de fraude, corrupção e formação de quadrilha envolvendo os representantes da empresa SP Alimentação e Serviços e os ex-gestores de Canoas”.

Ainda segundo o MPF,os elementos apurados (especialmente interceptações telefônicas) foram utilizados na denúncia criminal, permitindo a inclusão de outros réus envolvidos no esquema criminoso, entre eles a advogada da empresa SP Alimentação, Polyana Horta, e os funcionários Genivaldo Marques e Estélvio Schunck. O esquema foi responsável por um prejuízo (envolvendo recursos públicos da União e do Município) que pode chegar a mais de R$ 4,5 milhões.

As investigações do MP Federal constataram “desvio de verbas públicas (federais e municipais), por meio de um esquema fraudulento orquestrado por representantes da cúpula administrativa de Canoas e da empresa SP Alimentação, de São Paulo”. Esse esquema teria por objetivo “fraudar o processo licitatório, concedendo à SP Alimentação o direito de servir merendas nas escolas públicas municipais. A empresa recebe pelo serviço valores claramente superfaturados e sem qualquer fiscalização efetiva”.

Segundo informações do inquérito civil público, o prefeito de Canoas e os secretários de Governo e de Educação, além de realizarem uma licitação dirigida, ainda frustraram a fiscalização sobre fornecimento da merenda, que deveria ser feita de forma rigorosa pelo Conselho de Alimentação Escolar de Canoas. Também foi constatada a ausência de qualquer medida concreta da Prefeitura quanto à correção das irregularidades apontadas há mais de um ano pelos órgãos de auditoria externa. “Dessa forma, além do desvio de recursos públicos, avaliado em mais de 5,6 milhões de reais, os réus conseguiram manter em funcionamento por mais de dois anos um contrato executado irregularmente (má qualidade das refeições, cozinheiras sem vínculo de emprego com a empresa, entre muitas outras ilegalidades), gerando também prejuízos aos beneficiários da merenda escolar (crianças e adolescentes)”, diz o MPF.

Segue a relação de denunciados e os crimes imputados a cada um pelo MP Federal:

MARCOS ANTÔNIO RONCHETTI (ex-prefeito de Canoas): artigo 1º, inciso XIV, do Decreto-Lei 201/67 – crime de responsabilidade; artigo 96, inciso IV, da Lei 8.666/93 – fraude à licitação; artigo 96, inciso V, da Lei 8.666/93 – fraude à licitação; artigo 317, caput e §1º do Código Penal – corrupção passiva; artigo 288 do Código Penal – formação de quadrilha.

FRANCISCO JOSÉ DE OLIVEIRA FRAGA (‘CHICO FRAGA’) (ex-secretário de governo de Canoas): artigo 1º, inciso XIV, do Decreto-Lei 201/67 – crime de responsabilidade; artigo 96, inciso IV, da Lei 8.666/93 – fraude à licitação; artigo 96, inciso V, da Lei 8.666/93 – fraude à licitação; artigo 317, caput e §1º do Código Penal – corrupção passiva; artigo 288 do Código Penal – formação de quadrilha.

MARCOS ANTÔNIO GIACOMAZZI ZANDONAI (ex-secretário de educação de Canoas):: artigo 1º, inciso XIV, do Decreto-Lei 201/67 – crime de responsabilidade; artigo 96, inciso IV, da Lei 8.666/93 – fraude à licitação; artigo 96, inciso V, da Lei 8.666/93 – fraude à licitação; artigo 317, caput e §1º do Código Penal – corrupção passiva; artigo 288 do Código Penal – formação de quadrilha.

ELOÍZO GOMES AFONSO DURÃES (sócio-gerente da empresa SP Alimentação): artigo 96, inciso IV, da Lei 8.666/93 – fraude à licitação; artigo 96, inciso V, da Lei 8.666/93 – fraude à licitação; artigo 333, caput e parágrafo único do Código Penal – corrupção ativa; artigo 288 do Código Penal – formação de quadrilha.

VALMIR RODRIGUES DOS SANTOS (sócio-gerente da empresa SP Alimentação): artigo 96, inciso IV, da Lei 8.666/93 – fraude à licitação; artigo 96, inciso V, da Lei 8.666/93 – fraude à licitação; artigo 333, caput e parágrafo único do Código Penal – corrupção ativa; artigo 288 do Código Penal – formação de quadrilha.

VILSON DO NASCIMENTO (sócio-gerente da empresa SP Alimentação): artigo 96, inciso IV, da Lei 8.666/93 – fraude à licitação; artigo 96, inciso V, da Lei 8.666/93 – fraude à licitação; artigo 333, caput e parágrafo único do Código Penal – corrupção ativa; artigo 288 do Código Penal – formação de quadrilha.

CARLOS ROBERTO MEDINA (representante da empresa SP Alimentação): artigo 96, inciso V, da Lei 8.666/93 – fraude à licitação; artigo 333, caput e parágrafo único do Código Penal – corrupção ativa;

GENIVALDO MARQUES DOS SANTOS (funcionário da empresa SP Alimentação): artigo 333, caput e parágrafo único do Código Penal – corrupção ativa; artigo 288 do Código Penal – formação de quadrilha.

CIBELE CRISTINA DOS SANTOS (funcionária da empresa SP Alimentação): artigo 333, caput e parágrafo único do Código Penal – corrupção ativa.

POLYANA HORTA PEREIRA (advogada da empresa SP Alimentação): artigo 333, caput e parágrafo único do Código Penal – corrupção ativa; artigo 288 do Código Penal – formação de quadrilha.

ESTÉLVIO SCHUNCK (funcionário da empresa SP Alimentação): artigo 333, caput e parágrafo único do Código Penal – corrupção ativa; artigo 288 do Código Penal – formação de quadrilha.

SILVIO MARQUES (sócio-gerente da empresa Gourmaitre Cozinha Ind. e Refeições): artigo 96, inciso V, da Lei 8.666/93 – fraude à licitação.

EDIVALDO LEITE DOS SANTOS (sócio-gerente da empresa Gourmaitre Cozinha Ind. e Refeições): artigo 96, inciso V, da Lei 8.666/93 – fraude à licitação.

domingo, 22 de novembro de 2009

Humaitá - Porto Alegre

A propósito ou de propósito:

Até quando o bairro Humaitá de Porto Alegre terá mais buracos do que asfalto?

CARTA MAIOR - UMBERTO ECO



A lição de Umberto Eco contra o fascismo eterno


O caso Cesare Battisti é, além de um teste privilegiado para se saber se a democracia, no Brasil, já conseguiu efetivamente fincar alguma relação real com a nossa história, uma ocasião que pode nos ensinar, de modo igualmente privilegiado, algumas lições sobre o significado do fascismo, bem como de sua sempre alegada ausência no Brasil e nos dias que correm, mundo afora, como na Itália de Berslusconi. Que a homenagem que o atual ministro da Defesa italiano prestou aos soldados fascistas de Mussolini no ano passado sirva para desfazer enganos quanto à natureza do compromisso democrático do atual Executivo italiano. Um texto memorável de Umberto Eco ilumina este debate.


Redação - Carta Maior

Cantoras Brasileiras Inesquecíveis

Cantoras Brasileiras Inesquecíveis

Quando comecei a entender o sentido da música em minha vida apaixonei-me por Elis. Intensa, febril e absolutamente completa na arte de emocionar. Hoje, nestes dias de imagens intensas e vazias, descubro que continuo apaixonado por Regina. O seu canto é um acalanto e a sua coragem equilibra minha vida equilibrista. Talvez, quem sabe, me falte ser o bêbado ou usar o chapéu coco, mas tenho saudades de ouvir caminhando lado a lado, entre nós, a sua voz de irreverência e bordel. Elis... me deixas louco! E quando com saudades, vejo mais um dia entardecer, desaparecem as palavras. Sempre vale a pena ter amanhecido!
Mauro

Dalva de Oliveira

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Clara Nunes

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Elizeth Cardoso

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sábado, 21 de novembro de 2009

O Bêbado e A equilibrista - Elis Regina

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Onde você guarda o seu racismo?

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Funil do tempo - Roda Viva

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Simples Assim

Repórter da Globo que teve filho com FHC (há 18 anos) era qualificada para ser correspondente?

por Luiz Carlos Azenha

Há duas possibilidades.
1. Miriam Dutra pediu para sair do Brasil. E era qualificada para ser correspondente internacional.
2. Miriam Dutra não era qualificada, pediu para sair do Brasil e foi atendida.

Se a primeira resposta é a verdadeira, cabe perguntar:
1a. Quantas reportagens ela fez para o Bom Dia Brasil, o jornal Hoje, o Jornal Nacional e o Jornal da Globo, no cargo de correspondente?
2a. Qual é a comparação que se faz entre o trabalho dela como correspondente e o dos outros correspondentes da emissora?

Se ela fez tantas reportagens quanto qualquer outro correspondente não há porque acreditar que houve favorecimento.
Caso contrário, houve favorecimento. Se houve favorecimento, por que?

Se a jornalista não era qualificada e ganhou o cargo, cabe perguntar: houve interferência externa à TV Globo? Quem decidiu? FHC interferiu no processo, direta ou indiretamente? Quem decidiu na Globo consultou Roberto Marinho? Ao consultar o jornalista Roberto Marinho, contou a ele tratar-se da repórter que teve um filho com FHC? O jornalista Roberto Marinho, nesse caso, esqueceu que era jornalista? O que a TV Globo recebeu em troca?

Simples assim.

Podres do Futebol

Podres do futebol refletem podres da sociedade

por Luiz Carlos Azenha

O jogador de futebol da França ajeita a bola com a mão, é flagrado pela câmera e é celebrado pela torcida como "esperto". O que deveria ser condenado como uma atitude antidesportiva, para dizer o mínimo, torna-se exemplo de "sabedoria". Vale burlar as regras, enganar o juiz, desrespeitar o adversário e a torcida adversária. Vale tudo, em nome da "vitória".

No jogo do São Paulo, os jogadores do mesmo time trocam empurrões e depois saem dizendo que não houve nada. No jogo do Palmeiras, os jogadores do mesmo time se agridem e são expulsos. Cadê o espírito coletivo, o espírito de equipe, o amor à camisa, o respeito ao clube, às tradições do clube e aos torcedores?

O futebol profissional está podre.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Neri: classe média é maioria, desigualdade diminui e o Brasil já decolou

Neri: classe média é maioria, desigualdade diminui e o Brasil já decolou
17/novembro/2009 14:47

Marcelo Neri: o brasileiro é mais formiga que cigarra

Entrevistei o professor Marcelo Neri, economista e chefe do Centro de Pesquisas Sociais da FGV-RJ, para o Entrevista Record, que vai ao ar hoje à noite, pela Record News.

Leia abaixo os principais pontos da entrevista:

. Em 1992, a classe média era um terço do total da renda brasileira.
. Hoje, é mais de 50%.
. Entre 2003 e 2008, 32 milhões de brasileiros, ou seja, metade da população da Franca, ingressou no conjunto das classes A, B e C. O principal fator dessa ascensão não foram os programas assistenciais, mas a renda do trabalho.
. Entre 2003 e 2009 foram criados 8 milhões de empregos com carteira assinada.
. Pode-se dizer também que essa é uma década da redução da desigualdade.
. Entre 2000 e 2008 a renda dos 10% mais pobres da população cresceu 72%. Ou seja, o crescimento da renda dos pobres no Brasil é um crescimento de tamanho chinês.
. A renda dos 10% mais ricos cresceu 11%.
. Todo mundo cresceu.
. É uma bolha?
. Não, frisou Neri. Esse processo já dura cinco anos: de 2003 a 2008 a renda do brasileiro cresce 7% ao ano. Ou seja, não é bolha porque a renda sobe por causa do trabalho e porque os brasileiros passaram a estudar mais.
. Trabalhar e estudar são coisas que ficam, não vão embora como uma bolha.
. A queda na desigualdade é inédita.
. No anos 60 o Brasil viveu o período mais desigual da sua história. O Brasil tinha a terceira pior distribuição de renda do mundo.
. Hoje é o décimo. Quer dizer, é um país ainda muito desigual, mas se a desigualdade continuar a cair, será um país de desigualdade tolerável.
. O importante é que o Brasil cresce em baixo. O crescimento econômico do Nordeste é igual ao da China.
. É o que mostra uma pesquisa feita por ele sob o título “Produtores e Consumidores da Nova Classe Média”. O nordestino botou o filho na escola, conseguiu emprego com carteira assinada e a renda dos produtores cresce mais que a renda dos consumidores.
.Ou seja, o brasileiro é mais formiga do que cigarra.
. As mulheres são o maior sucesso dessa história.
. Elas fizeram uma revolução há 30 anos. Foram para a escola e conseguiram salários que começaram a se aproximar do salário dos homens.
. A história da ascensão das mulheres nordestinas é a mais significativa. Um exemplo disso é que as mulheres são as principais clientes do Crediamigo, o programa de microcrédito do Banco do Nordeste, que detém dois terços do mercado nacional de microcrédito.
. O Crediamigo promove sobretudo no Nordeste uma revolução nos pequenos negócios. Os empréstimos começam com R$ 400 e o avalista é um grupo de três a cinco pessoas em que um se responsabiliza pela dívida do outro.
. Entre o primeiro empréstimo e dezembro de 2008, aumentou em 42% o lucro dos que tomam dinheiro no Crediamigo. Sessenta por cento deles deixaram de ser pobres.
. O Marcelo Neri tem um estudo para a Fundação Getúlio Vargas só sobre o Crediamigo. Ele contou que a Prefeitura do Rio vai copiar o Crediamigo, além da Prefeitura de São Gonçalo, na região do Grande Rio.
Concluiu o professor Marcelo Neri: o Brasil muda rapidamente para melhor e muita gente não percebe.
Paulo Henrique Amorim

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

MERCEDES SOSA

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TODO CAMBIA...

MERCEDES SOSA

Cómo una simple canción puede estremecernos a todos, estrujarnos el corazón... Permitirnos un momento de reflexión, darnos un respiro...Gracias a los comunicadores, gracias a los músicos.Gracias a la gente linda que puede plasmar su sentir y hacer que otro lo sienta de alguna forma.

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Gracias Mercedes por querer a Chile y por cantar tantas veces esta y otra canciones de compositores chileno y no se si fue coincidencia pero te fuiste el mismo dia en que nacio Violeta Parra GRACIAS NEGRA...

Eres tu la madre de America Latina, que nos guio por los caminos de la libertad y la igualdad, del amor gracias negra te amamos con el corazon ahora descansa en paz y deleita a todos los anegels con tu voz, has que el cielo vibre de tu son, desde Colombia ... no te lloramos somos felices pues nos has marcado y como todo cambia pues esta vez te toco a ti algun dia a todos por eso te aclamamos y simplemente te damos las gracias de todo corazon que Dios te tenga en tu glora!

ECUADOR te ama Mercedez. Gracias por esta cancion es una de mis favoritas, me identifico con ella. GRACIAS A LA VIDA QUE NOS DIO A MERCEDES SOSA AMÉRICA LATINA HERIDA TE LLORA!!!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Quem ama cuida!

Essa foi para aumentar nossa estima de brasileiros e brasileiras! E, assim, começarmos a cuidar das nossas coisas de nação. Quem ama cuida! Pena que no RS estamos seis anos caminhando para trás...


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terça-feira, 8 de setembro de 2009

Vida & Inclusão Escolar

O Estado de São Paulo , 6 de setembro de 2009 - A 20 -

Vida & Inclusão escolar ainda é desafio

Forma de inserir crianças com necessidades especiais gera divergências entrepais, educadores e especialistas Simone Iwasso
Bianca tem síndrome de Down e, aos 12 anos, tem uma rotina dupla: passa as
manhãs em uma escola especial e as tardes na rede regular de ensino.
Isabela, de 19 anos, tem a mesma síndrome, mas, após uma experiência denegligência e abandono em uma escola, sua família decidiu mantê-la só no ensino especial.
Com paralisia cerebral, Natasha, de 10 anos, sofreu todo tipo de preconceito para estudar - mesmo assim, segue em um colégio particular regular.
As três garotas querem continuar os estudos e lutam com suas famílias para isso. Em comum, elas têm o apoio da legislação, que prevê a educação paratodos - com respeito e acolhimento das diversidades -, e a realidade do sistema educacional brasileiro, na prática, muito distante do que determinaa lei.
Assim como elas, há mais de 300 mil crianças com alguma deficiência matriculadas em colégios regulares e outras 342 mil em escolas especiais. O desafio a ser enfrentado pela sociedade é como unir esses universos, garantindo que alunos sejam efetivamente incluídos e atendidos em suas especificidades - incluir, nesse contexto, é bem mais do que colocar na sala de aula. Todos concordam com a inclusão, mas discordam sobre como fazê-la.
De um lado, liderados pelas escolas especiais e pelas redes como Apae, estão os defensores de uma inclusão gradual, dentro de um processo, feita com acompanhamento especial. De outro, organizações não-governamentais ligadas ao tema defendem a inclusão obrigatória e a diminuição da rede especial.
Para elas, só com a entrada em massa das crianças e jovens na rede regular é que o sistema se adaptará e passará a acolhê-los. Seja como for, além da falta de infraestrutura, de metodologia, de materiaisdidáticos e de professores de apoio, o desafio maior é o preconceito.
Pesquisa feita pela USP sob encomenda do Ministério da Educação com 18..599 estudantes, pais e mães, professores e funcionários da rede pública do País mostrou que 96,5% deles têm preconceito e querem manter distância de pessoas com deficiência. Levantamento do Ibope encomendado pela Fundação Victor Civita apontou que 96% dos professores se dizem despreparados para a inclusão e 87% deles nunca receberam treinamento.
O debate é complexo e delicado, envolve governos, famílias, equipe escolar e organizações da sociedade civil. Evidencia também todas as falhas da própria escola com todos seus alunos: excesso de estudantes em sala de aula, falta de acompanhamento individual, professores despreparados e episódios de violência. O resultado final é a falta de aprendizagem.

PEREGRINAÇÃO
No caso de Bianca, a escola regular foi sua única opção até os 10 anos. Mas ela não progrediu nem foi alfabetizada. Um dia, ao lamentar para a irmã que já tinha 10 anos e não sabia ler nem escrever, a mãe procurou ajuda.
"Tentamos colocar na escola dita normal, mas ela nunca recebeu atenção. E eu vou atrás, fico no pé, estou sempre na escola, peço para conversar, reclamo. Mesmo assim, ela passava os dias perambulando pelos corredores", conta a mãe, a pedagoga Sandra Reis.
"Quando coloquei na escola especializada, ela foi alfabetizada em seis meses. Hoje, ela aprende lá e continua num colégio estadual pela socialização. "
Bianca estuda no Centro da Dinâmica de Ensino (CEDE), um colégio na zona sul da capital fundado há 30 anos para atender crianças com deficiências mentais e que foi um dos pioneiros na alfabetização. "Recebemos muitas crianças que estão na escola regular ou que passaram por ela e somos a favor da inclusão- mas da inclusão verdadeira, com acompanhamento para que alcancem seu potencial máximo", afirma Célia Regina Derwood Mills Costa Carvalho.
Lá, em turmas com cerca de 10 alunos, cada estudante é avaliado e tem seu plano curricular definido - até o material didático é adaptado para as necessidades individuais. Todos são estimulados a terem independência e autonomia em casa, nos relacionamentos e no mercado de trabalho.
"Não tem fórmula, para cada um é uma adaptação. Se ela não fala o som do b?, você não pode começar a alfabetizar por aí. Se ela fala mamãe?, você começa pelo ma?", explica.
É o caso de Isabela Delboni, que se forma neste ano.
"Eu quero me formar, trabalhar e me casar", conta ela, que não gostava da escola regular. "A professora não entendia as pessoas com síndrome de Down. Eu ficava triste e brava."
A mãe conta melhor a história.
"No primeiro dia de aula a professora me chamou e disse que não faria nada pela minha filha, que não era paga para isso e que ela ficaria no fundo da classe sozinha", diz Arlete Delboni. Ela reclamou, procurou a direção da escola, a regional de ensino e, mesmo assim, não conseguiu mudanças.
"A inclusão não existe. Só no comercial", diz Martinha dos Santos, mãe de Natasha, que teve de sair da escola onde estudava por represálias da equipeapós reclamações da mãe - que era obrigada a ficar junto com a menina na sala de aula.
"Consegui ajuda financeira e procurei muitos colégiosparticulares, até que um aceitou ela. Ninguém quer, ninguém aceita.."
Para quem participa do debate, o despreparo não pode impedir o processo -que deve ser a inclusão total no colégio.
"A escola só estará preparada quando os alunos estiverem lá. Sei que é difícil, mas precisamos insistir ou nunca teremos uma escola para todos", diz Claudia Grabois, presidente da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down.
Para Liliane Garcez, da Apae de São Paulo, se trata de um movimento em curso.
"É um processo social, que já avançou na legislação e está progredindo nas escolas", afirma. O resultado que todos esperam, como resume Liliane, é uma escola que dê conta da diversidade humana, capaz de ensinar a partir das diferenças.
"É a escola que queremos para todos."

''Sempre tive esse pensamento: vou conseguir''
João Vitor percorreu todas as etapas do ensino regular e já pensa no mestrado e doutorado

Evandro Fadel

Os 22 anos de vida de João Vitor Mancini Silvério podem ser resumidos em uma palavra: determinação. Com síndrome de Down, ele percorreu todas as etapas do ensino regular, recentemente terminou o bacharelado em Educação Física, está cursando a licenciatura e já pensa no mestrado e doutorado. "Sempre tive esse pensamento: vou conseguir, vou chegar lá", diz o jovem. "Nunca me senti diferente de ninguém."
João Vitor enfrentou preconceitos e críticas desde o início da vida escolar. Foi xingado e humilhado por colegas e chegou a apanhar na escola. Mas, por orientação da família, optou por não reagir à época. "Se eu combatesse da maneira como me tratavam estaria sendo igual, por isso, procurava a diretora para que ela cuidasse da questão da maneira dela", conta. Na Universidade Tuiuti, em Curitiba (PR), onde fez o curso superior, a maior dificuldade foi provar a todo instante que era tão capaz quanto qualquer outro estudante. "Ainda não há preparo suficiente para receber pessoas comnecessidades especiais", diz. Estudioso e aplicado, tinha aulas de reforço e procurava cumprir todos os prazos com os trabalhos de casa - colegas e professores duvidavam que era ele quem os fazia. "Isso me magoava muito", diz. Hoje, João Vitor é estagiário em uma empresa, elabora programas de treinamentos individualizados e tem grandes chances de ser efetivado - a companhia está montando um projeto de corrida com a primeira equipe de pessoas com a síndrome. Muitas de suas conquistas, acredita, estão relacionadas com o estímulo que recebeu desde a infância e a atitude dos pais em não segregá-lo ou protegê-lo em excesso. "Nunca tivemos medo de expô-lo", afirma a mãe, Roseli. "Nós não tínhamos dó dele. Fomos muito exigentes, às vezes um pouco demais", completa o pai, Gonçalo. O pai conta que sempre incentivou a prática de esportes e acredita que isso facilitou o desenvolvimento cognitivo do filho. João Vitor já teve várias namoradas, embora atualmente não esteja comprometido. A ideia de se tornar padre, que o acompanhou por algum tempo, não existe mais. "Quero construir uma família."
Para a presidente da Comissão de Educação Inclusiva da Tuiuti, Ana Luíza Bender Moreira, o preconceito contra as pessoas com algum tipo de deficiência existe e ainda há professores despreparados. "
Mas, para a reitoria, não interessa mais professores que não queiram abraçar essa causa", afirma Ana Luíza. "É fácil fazer arranjos arquitetônicos que permitam a inclusão. O mais difícil é mudar as atitudes, os paradigmas, a mentalidade", diz.

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quinta-feira, 30 de julho de 2009

O Olho do Consumidor

Amigos e amigas,

Recebi hoje a notícia que o Ministério da Agricultura lançou uma cartilha informando a população sobre os benefícios de alimentos livres de agrotóxicos, bem como sobre a questão dos produtos transgênicos que "colocam em risco a diversidade de variedades que existem na natureza". Porém essas cartilhas não serão distribuídas porque a indústria dos alimentos transgênicos (Monsanto), entrou com uma ação que impede a distribuição.

A cartilha foi ilustrada pelo Cartunista Ziraldo e ainda é possível encontrá-la no site:
http://www.aba-agroecologia.org.br/aba2/images/pdf/cartilha_ziraldo.pdf
http://www.aba/- agroecologia. org.br/aba2/ images/pdf/ cartilha_ ziraldo.pdf

A Monsanto quer impedir a distribuição, mas nós podemos enviá-la ao máximo de pessoas. Divulguem...

sexta-feira, 19 de junho de 2009

O Jogo do Poder

Artigo escrito por Eduardo Guimarães

Se não podemos mudar o jogo do poder que é jogado neste momento no Brasil – ou ao menos influir decisivamente nele –, talvez possamos meramente entendê-lo, de forma que aqueles bem-intencionados que adotam esta ou aquela posição possam fazer seu trabalho de formiguinha com um mínimo de foco.
Sobre este trabalho de formiguinha, vale a pena dizer que não é capaz de influir tão efetiva e rapidamente no jogo em tela, não é capaz de criar crises, de alarmar ou predispor a população de um dia para outro através de uma simples reportagem exibida na tevê em horário nobre.
Quem discorda do uso que se faz dessa arma poderosa que são grandes tevês, rádios, jornais, revistas semanais e portais de internet, exaspera-se. Sobretudo quando descobre que você esperneia, escreve blogs, faz manifestações na rua e esses impérios de comunicação permanecem lá, incólumes, sorridentes, montados em pilhas de dinheiro que estes que discordam, inclusive, são obrigados a financiar com seus impostos.
A mídia tripudia. Recebe dinheiro inclusive de nós que a rejeitamos. O governador de São Paulo, José Serra, por exemplo, faz compras sem licitação de livros da Editora Abril. Livros de baixa qualidade, cheios de erros e outras inadequações ao fim para o qual foram adquiridos. E eu, que abomino a editora, sou obrigado a financiar isso, pois os impostos estaduais que pago (como, por exemplo, o ICMS) vão para os bolsos da família Civita.
O pior que se poderia fazer neste momento seria subestimar essa máquina política que se opõe ao projeto de país apoiado pela quase totalidade dos brasileiros. E vale dizer que, quando me refiro a essa “quase totalidade dos brasileiros”, aludo aos mais de oitenta por cento da população que apóiam a forma como o Brasil é governado.
Porém, a Globo, a Folha e a Veja, entre tantos outros grandes meios de comunicação, discordam do projeto de país vigente e executado pelo governo Lula. Reclamam de muita coisa. O Bolsa Família seria “populista”, as cotas para negros nas universidades seriam “racistas”, a diversificação de mercados para os produtos brasileiros no exterior seria “perda de foco”, pois bom mesmo teria sido continuarmos priorizando os EUA e a Europa.
Há, também, razões particulares dos grandes jornais, tevês, rádios, revistas semanais e portais de internet. Segundo “denúncia” do jornalista Fernando de Barros e Silva, do jornal Folha de São Paulo, o governo Lula criou, também, um “Bolsa Mídia”. Vejam:

“(...) Planalto adotou uma política radical e sistemática de pulverização da verba publicitária destinada a promover o governo. Em 2003, a Presidência anunciava em 499 veículos; em 2009, foram 2.597 os contemplados – um aumento de 961%. Discriminada por tipo de mídia, essa explosão capilarizada da propaganda oficial irrigou primeiro as rádios (270 em 2003, 2.597 em 2008), depois os jornais (de 179 para 1.273) e a seguir o que é catalogado como "outras mídias", entre elas a internet, com 1.046 beneficiadas em 2008 (...)”.

Como se vê, apesar de estar montado em dinheiro, o aparato midiático da direita está perdendo muito, financeiramente. Como foi amplamente divulgado pela imprensa recentemente, os gastos publicitários do governo Lula somam cerca de um bilhão de reais, mesmo montante do governo FHC.
É muito dinheiro para dividir entre 499 veículos. Na média, estamos falando de dois milhões de reais para cada um, apesar de que uma meia dúzia de meios de comunicação fica, pelo menos, com uns oitenta por cento desse bilhão de reais.
Pulverizar esse dinheiro todo por 2.597 veículos reduz a média por veículo para menos de 400 mil reais. É motivo mais do que suficiente para as famílias Marinho, Civita, Mesquita e Frias, que ficam com a parte do leão da publicidade oficial, não gostarem de Lula.
O dinheiro que a mídia vê escorrer por entre seus dedos, a aliança daquelas famílias com José Serra tenta mitigar. Contudo, os cofres paulistas não têm robustez suficiente para repor adequadamente as perdas. São apenas um paliativo.
Temos que entender o seguinte: esses meios de comunicação ficaram do tamanho que ficaram porque se aliaram a todos os governos antes do governo de Lula. Aliaram-se aos militares, no período pré-golpe de 1964. Para apoiar o golpe e manter a ditadura, foram fornidos com arcas e mais arcas de dinheiro público.
Em 1971, o falecido dono da Folha de São Paulo, Otavio Frias de Oliveira, escreveu o seguinte editorial na Folha da Tarde, outro jornal do já então Grupo Folha:

“Como o pior cego é o que não quer ver, o pior do terrorismo é não compreender que no Brasil não há lugar para ele. Nunca houve. E de maneira especial não há hoje, quando um governo sério, responsável, respeitável e com indiscutível apoio popular, está levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social - realidade que nenhum brasileiro lúcido pode negar, e que o mundo todo reconhece e proclama. O país, enfim, de onde a subversão - que se alimenta do ódio e cultiva a violência - está sendo definitivamente erradicada, com o decidido apoio do povo e da imprensa, que reflete o sentimento deste." Octávio Frias de Oliveira, 22 de setembro de 1971”.

Em 1989, na redemocratização de fato do país, a mídia aliou-se a Collor contra Lula; em 1994, aliou-se a FHC contra Lula. Mesmo tendo que se render ao movimento para derrubar Collor na última hora, quando as denúncias e a opinião pública já não o aceitavam mais, quem elegeu Collor foi a mídia, sobretudo a Globo.
Os governos Sarney e Itamar não foram apoiados tão completamente pela mídia, mas não havia sabotagem de escândalos diários durante esses governos. Pode-se dizer que a mídia tinha uma convivência absolutamente “civilizada” com eles. Claro que, depois da ruína do fim do governo Sarney, com a inflação batendo em 5 mil por cento ao ano, não dava para deixar de criticar. Até porque, Collor vinha com discurso de mudança e era o anti-Lula da vez.
Temos que analisar que Lula, hoje, é o grande articulador político da centro-esquerda no Brasil. Ele tem sabido usar o poder do Estado de forma a resistir a uma máquina imensa, azeitada por dinheiro público durante décadas incontáveis. A Globo, por exemplo, é um dos maiores impérios de comunicação do mundo. Lucra bilhões. E foi construída pelo regime militar.
Ninguém conseguirá hoje montar um poder de comunicação igual. Não há dinheiro para investimento que chegue. Bater de frente publicamente com a Globo, que entra em mais de 90 por cento dos lares brasileiros e que pode calar seus adversários políticos sob o escudo da “liberdade de imprensa”, seria inútil. Até porque, o sistema político brasileiro não oferece armas tão poderosas em termos de comunicação ao gestor da máquina federal.
Há que bater de frente no campo da abertura dos cofres públicos e na promoção de políticas públicas que favoreçam as maiorias. Daí as políticas públicas que incluem dezenas de milhões e que as fazem ficar satisfeitas, em maioria tão expressiva, com a forma como o país é governado. No fim das contas, a mídia debocha, tripudia, insulta, censura aqueles que não se conformam com a sabotagem de um projeto de país que apóiam e com o acobertamento da corrupção praticada pelos que propõem a volta ao projeto anterior.
José Serra é o político com maiores chances estatísticas de governar o país, segundo as pesquisas de opinião. Fosse qualquer outro político, seu governo estaria sendo esquadrinhado pela mídia tanto quanto o governo Lula ou até mais, para compensar os tantos anos que o governo do Estado de São Paulo não é fiscalizado por essa mesma mídia. É fácil entender por que isso não acontece.
A explicação começa a ser encontrada quando se vê a Justiça investigando contratos suspeitos do governo Serra com meios de comunicação, como no caso das compras de livros didáticos da Editora Abril. E as suspeitas crescem quando se sabe que há dezenas e dezenas de pedidos de CPI contra o governo Serra parados na Assembléia Legislativa paulista e a mídia não noticia nada, esconde tudo, à diferença do que faz com o Congresso e com o governo Lula.
É o jogo do poder que é jogado aqui e no resto do mundo. Porque este jogo é jogado em toda América Latina e até nos EUA. Os correspondentes da mídia brasileira estão na Venezuela, na Bolívia, no Equador, na Nicarágua, na Guatemala e até nos EUA, ainda que na superpotência exista maior pluralidade do que em qualquer outro país das Américas, com exceção do Canadá que vive em realidade totalmente diferente da do resto do continente americano.
Órgãos como a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) abrigam um conchavo continental entre famílias midiáticas das três Américas. Essas famílias atuam em conjunto para favorecerem projetos nacionais que mantenham a desigualdade social que faz do setor social dessas famílias uma casta que atravessa décadas cada vez mais rica e poderosa.
O jogo do poder que se trava nas Américas hoje precisará se manter neste rumo por muitos e muitos anos para que essa concentração de poder econômico nas mãos dos setores sociais que abrigam famílias midiáticas seja dispersada de forma a que as massas também se vejam representadas naquele que é o maior poder contemporâneo, o poder de comunicação.
Mas há um rumo. Todos vimos acompanhando as quedas nas tiragens dos grandes jornais e a perda de audiência progressiva de uma Globo, ainda que esteja sendo para uma Record, emissora que, conjunturalmente e por razões que suspeito não serem as da maioria, tem furado o consenso midiático, em certa medida.
Naquela propaganda da Folha sobre as moscas que invadiu as tevês, vocês viram os peões das famílias midiáticas e da direita brasileira querendo tripudiar daqueles que não têm voz para debater com eles as teses que defendem para seus patrões e para seu grupo político-partidário. São pagos a peso de ouro. Sentem-se as últimas bolachinhas do pacote, claro. Muitos, como um Clóvis Rossi, provavelmente não viverão para ver uma possível derrocada dos barões da mídia. Outros, quando essa derrocada acontecer, já estarão ricos.
O calcanhar de Aquiles do aparato midiático, porém, são os governos estaduais. Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul... Uma parte enorme da arrecadação de impostos do país está sendo usada para vitaminar a máquina midiática, para mantê-la endinheirada de forma a poder falar mais alto do que as massas. Assim, enquanto oitenta por cento do país estão satisfeitos com o governo, a opinião dos seis por cento insatisfeitos é a que predomina na mídia.
Agora, se no ano que vem esses meios de comunicação perdessem um governo de São Paulo, por exemplo, haveria um baque financeiro enorme na máquina midiática. Ao lado desse baque, haveria uma desconcentração de poder da mídia. Aliás, a Conferência Nacional de Comunicação, que ocorrerá em dezembro deste ano, pode ser o primeiro passo para essa desconcentração, sobretudo se os resultados das eleições do ano que vem forem favoráveis à maioria dos brasileiros.
Nosso trabalho, pois, é de formiguinhas. Temos que trabalhar daqui enquanto o grupo político que ora trabalha para desconcentrar poder e riqueza faz a parte dele governando o Brasil. É duro agüentar as bofetadas que o poder midiático vitaminado pelos impostos paulistas, mineiros ou gaúchos desfere em nossos rostos sem parar, mas eles sabem muito bem que seu poder está vazando, mesmo que seja um vazamento ainda bem pequeno...

Escrito por Eduardo Guimarães às 11h32