sexta-feira, 23 de setembro de 2016

RBS/Grobobo... Nossas diferenças são inconciliáveis


Resposta ao jornal da Globo que tentou me contratar. 

Por Leo Mendes



Diário do Centro do Mundo


Postado em 22 Sep 2016
por : Leonardo Mendes







Fui convidado a escrever uma coluna no jornal Diário Catarinense, do grupo RBS, braço da Globo no sul do país. Abaixo a minha resposta, em forma de carta aberta:

Queridxs amigxs da RBS/Globo,

confesso que fiquei bastante feliz com o convite, mas sou obrigado a decliná-lo.


É uma questão de princípios: eu não trabalho para empresas que atentam contra a democracia e que atuam de modo tão sujo quanto a Globo, a serviço de ideais tão mesquinhos.

Confesso também que perguntei quanto vocês estariam dispostos a me pagar, apenas por curiosidade, e peço desculpas por isso.

É que eu assisti esses dias ao filme Nove Rainhas, em que um dos personagens diz que não faltam garotos de programa, o que falta é potencial de investimento.

Digamos que por 1 milhão de reais eu aceitaria o cargo, por dois meses. E depois passaria a vida me purificando da experiência de trabalhar para a Globo.

Sabia que o valor oferecido não seria esse, e que eu não aceitaria, por isso peço desculpas por ter feito vocês perderem tempo elaborando uma proposta.

Eu prefiro vender o meu corpo na esquina mais imunda, a vender meu trabalho como jornalista a uma empresa como a Globo.

Não julgo aqueles que o fazem, e inclusive tenho grandes amigxs nessa empresa, que considero pessoas maravilhosas.

Acredito que essxs amigxs acreditem que a Globo pode mudar, que elxs possam ajudar nessa mudança.

Já eu acredito que o jornalismo da Globo não tem salvação, e é uma questão de tempo perder a pouca credibilidade que lhe resta, junto à parcela mais ignorante da sociedade, ou seja, a classe média que vai às ruas com a camisa da CBF contra a corrupção.

Um avanço civilizatório fatalmente acabará com isso, e a família Marinho terá que aceitar que não lhe resta futuro no jornalismo, talvez apenas no entretenimento e dramaturgia (a série Justiça é ótima).

Por isso entrar para o time de jornalistas da Globo, para mim seria lutar contra esse avanço civilizatório.

Eu espero ainda poder comemorar o fim do Jornal Nacional, o fim do Diário Catarinense, a venda de toda a estrutura jornalística a disposição da família Marinho e de seus comparsas.

A Globo é hoje a minha Bastilha. Sua queda é a minha vitória.

Nossas diferenças são inconciliáveis.

Sinceramente,









Leo Mendes



quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Agora vai... vai? Mas para onde?


Desculpa, Mil desculpas!


Mauro Baitasar



Agora vai... vai? Mas para onde?



antes que qualquer coisa seja dita, eu quero pedir desculpas aos professores e professoras das escolas da rede pública do povo gaúcho, o povo mais politizado do braZil. todos os envolvidos e envolvidas na eleição do governador $artori já sabiam de tudo que iria e está acontecendo: as mortes invisíveis que o jornalismo de excelência não repercute, o toque de recolher em porto alegre, por isso, e só por isso, riram dos nossos avisos, os petralhas, lembram da resposta para nossas perguntas? repetiam e repetiam, entre muitos risos, Vocês vão se ..der! vocês lembram o que diziam, certo? não é preciso repetir: vocês já sabiam do parcelamento dos salários, da paralisia da polícia civil, mas vocês contavam com a força competitiva e punitiva da brigada militar. lembram das selfs? domingos ensolarados, palavrões, gritos de ódio

mas claro, seus ensinamentos e análises profundas não haviam acabado. e todos e todas foram gritar, Fora Dilma, Fora PT, cansados e cansadas deste jeito de governar para todos. e olha que nem foi tanto assim, não conseguimos governar para todos os excluídos, mas então, inconformadas vestiram primeiro seus uniformes verde-amarelos, estilo neymar; depois o preto do luto, e tombaram-se às ruas. pareciam bêbados de tanto ódio. conseguiram! parabéns a todos e todas envolvidas, vocês e só vocês poderiam saber dos planos arrojados e futuristas para a Educação Pública Brasileira que nos chega através da mente pura e sensível do Alexandre, aquele mesmo: a substituição das disciplinas de Filosofia e Sociologia por Moral e Cívica. uau! agora vai! Sócrates, Platão, Antão, Gringão, Romário, é tudo a mesma coisa, Um dois feijão sem arroz, três quatro batendo panela, Dois passos para frente, Oito para trás, Mais um passo para frente, Calem a boca, Silêncio, Vocês são crianças, mas aqui é a escola e na escola todos vêm para aprender ficar em silêncio. Ouviram? Em SILÊNCIO!

e, às vezes, marchar

mas tem mais...

quero dedicar esse parágrafo a todos e todas da educação física envolvidas com esse outro achado futurista para a educação física: O Plano do Ensino Médio - elaborado depois de uma exaustiva discussão com os coxinhas da educação física (vocês já vinham discutindo, certo?) - decidiu abrir mão da disciplina de Educação Física, e também da outra disciplina de merda: Artes! isso é coisa pouca, quem se importa com cultura para os alunos e alunas nas escolas públicas, né? e com o corpo quem se importa, né?

Viva o Novo Ensino Médio das Escolas Públicas Brasileiras!

desculpem, eu me prometi nenhum palavrão, mas não consegui evitar três.

agora vai... vai pra onde?

fui aconselhado colocar uma nota explicitando que o texto acima contém ironia, está bem, este texto esquisito acima chega ser platônico de tanta ironia. então, para deixar explícita a proposta do MEC Golpista, estou adicionando aqui o resumo genial do Carlos Fabre Miranda, em sua linha de tempo no facebook, sem ironias:


" Escola sem partido, sem contraditório, sem crítica, sem reflexão, sem arte, sem corpo e sem sentido!"




Na prática, já tínhamos duas escolas no BraZil! Uma escola para os ricos e uma escola para os pobres! Agora, o braZil Golpista, anuncia que é isso mesmo, chega de adornar e contornar, daqui para frente vai ficar bem claro, acabamos com ENEM, Cotas, e toda essa esculhambação inventada pelo PT. Lugar de aluno pobre é em escola pobre, aprendendo a servir com silêncio e resignação os filhos amados da ESCOLA dos RICOS!

Saudações A TODOS E TODAS ENVOLVIDAS!



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Plano do ensino médio abre mão de artes e educação física e repete meta



NATÁLIA CANCIAN
MARINA DIAS

DE BRASÍLIA


PAULO SALDAÑA

DE SÃO PAULO
22/09/2016 15h15 - atualizado às 17h50



Rivaldo Gomes/Folhapress



Escola estadual Antonio Vieira de Souza, em Guarulhos, na Grande São Paulo



O novo modelo para o ensino médio, apresentado nesta quinta-feira (22) pelo governo Michel Temer (PMDB), flexibiliza o currículo da etapa, acaba com a obrigatoriedade de disciplinas de artes e educação física e traz um incentivo à expansão do ensino em tempo integral.


As mudanças propostas serão agora levadas ao Congresso por meio de uma MP (medida provisória), para acelerar a tramitação legislativa.




REFORMA DO ENSINO MÉDIO





Análise de Sabine Righetti: Reforma não resolve problemas que desembocam no ensino



O texto da MP assinada por Temer provoca a maior alteração já feita na LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), de 1996. As mudanças terão implementação gradual nas redes de ensino dos Estados, a quem caberá definir a transição para o novo modelo. A expectativa do governo, no entanto, é ter turmas já com a nova proposta a partir de 2018.


O novo modelo irá prever flexibilização do percurso do estudante. Hoje, todos os alunos do ensino médio devem cursar 13 disciplinas em três anos. Com a mudança prevista na MP, somente parte da grade –equivalente a cerca de 1 dos 3 anos da etapa– será comum a todos. Para o restante, haverá a opção de aprofundamento em cinco áreas: linguagens, matemática, ciências humanas, ciências da natureza e ensino técnico.


Ao aluno caberá a escolha da linha na qual deseja se aprofundar. Mas a oferta dessas habilitações dependerá das redes e das escolas. Ao menos duas áreas, entretanto, devem ser oferecidas.


O ensino de língua portuguesa e matemática será obrigatório nos três anos do ensino médio. Mas, ao contrário do que previa a LDB, as disciplinas de artes e educação física deixam de ser obrigatórias nessa etapa. Elas continuam obrigatórias apenas da educação infantil ao ensino fundamental.


O secretário de educação básica, Rosseli Soares da Silva, no entanto, nega a mudança. Segundo ele, as duas disciplinas devem fazer parte da base nacional comum. O texto da MP, no entanto, retirou as duas disciplinas do texto anterior da LDB nos trechos sobre o ensino médio.


"Tudo o que constar na base nacional será obrigatório. A diferença é que quando coloca a [oportunidade de escolher] ênfases, só colocamos os alunos que tem interesse em seguir naquelas áreas. Não podemos continuar pensando que vamos ensinar tudo a todos."



'FALÊNCIA'


Em discurso no Palácio do Planalto, o ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM-PE), disse que a reformulação ocorre diante de um cenário de "falência do atual ensino médio", com baixo desempenho em avaliações como o Ideb e altos índices de evasão. "O desempenho de português e matemática é menor hoje do que em 1997. Os jovens hoje têm menor conhecimento em matemática e português do que na década de 90", afirma.


Segundo ele, uma comparação com o sistema aplicado em outros países mostra que o Brasil está hoje "na contramão do mundo". "Temos aí um exemplo do que é o ensino médio brasileiro, com 13 disciplinas obrigatórias, bastante engessado e que coloca o jovem com disposição de não continuar na vida educacional", disse. "O novo ensino médio tem como pressuposto principal a autonomia do jovem. É muito comum o jovem colocar que aquela escola não é a escola que dialoga com ele."


Segundo o ministro, o governo deve investir de R$ 1 bilhão a R$ 1,5 bilhão em dois anos no projeto de fomento ao ensino integral no ensino médio.


Já a meta é atender 500 mil jovens nessas escolas de tempo integral até 2018. "Teremos a responsabilidade de mais do que dobrar o número de alunos beneficiados", afirma ele, que também disse esperar que o texto da MP seja votado na Câmara e Senado até o fim deste ano.


O país registra 1,7 milhão de adolescentes entre 15 e 17 anos fora da escola -16% da população nessa faixa etária, que seria a ideal para o ensino médio.


INTEGRAL


De acordo com o texto da medida provisória, a carga horária mínima de 800 horas anuais para a etapa deve ser ampliada progressivamente para o mínimo de 1.400 horas anuais. Isso representa 7 horas de aulas por dia, o que caracteriza a educação em tempo integral. O texto afirma que essa ampliação deve seguir as metas já dispostas no PNE (Plano Nacional de Educação).


A previsão do PNE é ter, até 2024, ao menos 25% dos alunos de cada etapa de ensino em tempo integral. O país registra hoje 6% das matrículas nessa modalidade no médio. Dessa forma, de acordo com o texto, o governo não revoga a carga mínima de 800 horas já prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, de 1996.


Para expandir a oferta de tempo integral, o projeto prevê aporte financeiro do governo federal, de forma temporária, às redes estaduais que criarem novas vagas na modalidade. No entanto, esse valor –calculado por aluno– só será pago nos primeiros quatro anos e "respeitada a disponibilidade orçamentária para atendimento.


O ensino médio ainda poderá ser organizado em módulos e adotar o sistema de créditos ou disciplinas com terminalidade específica, "observada a Base Nacional Comum Curricular", a fim de estimular o prosseguimento dos estudos.


Assim, se um aluno tiver optado por se aprofundar em uma área, mas quiser mudar de opção, ele poderá solicitar a troca. Neste caso, receberá um certificado parcial a cada módulo concluído. "Ele será o protagonista do seu percurso", disse Mendonça Filho.


O texto também flexibiliza a contratação de professores sem concurso para atender a ampliação do ensino técnico. Permite ainda a contratação de professores sem formação específica na disciplina na qual vão atuar, desde que tenha "notório saber".


Para Eduardo Deschamps, do Consed (órgão que representa os secretários estaduais de Educação), a maior oferta de ensino profissional com o novo modelo de ensino médio "cria um enorme incentivo aos jovens que não seguem diretamente para a universidade". "E o mais importante é que a nova legislação não impõe um único modelo para o ensino médio. Ela permite criar novas formas de oferta sintonizadas com as aspirações dos estudantes", afirma ele, para quem a reforma é "urgente e prioritária".


O formato como o governo encaminhou as mudanças, por meio de uma medida provisória, no entanto, gerou polêmica entre educadores. Questionado, o ministro Mendonça Filho negou que a reformulação tenha sido imposta. "Foi uma mudança discutida", disse.



















terça-feira, 20 de setembro de 2016

Porto Alegre em chamas!

Mauro Baitasar



Como a cidade de Porto Alegre, capital de todos os gaúchos e gaúchas, referência no mundo em solidariedade, humanidade e urbanidade, em QUATRO governos sucessivos do PT, desde 1989 até 2004, se torna em 2016 – 12 anos depois do último governo petista portoalegrense - referência mundial em violência urbana? No ranking criminalidade, a cidade de Porto Alegre está entre as DEZ cidades mais violentas do MUNDO! Não dá para culpar o PT. Não dá para dizer que é uma maldita herrança petista! Mas dá para sentir muita saudade dos governos petistas em Porto Alegre.

Cada um/uma dos portoalegrenses deve – e precisa – elencar razões para essa honraria da mediocridade administrativa. Em DOZE anos perdemos espaço para sediar o Fórum Social Mundial, nos tornamos invisíveis, até que chegou o toque de recolher imposto pela criminalidade. Isso não é retórica, é a formalidade do nosso cotidiano. Não é frase de efeito, mas o efeito do que estamos vivendo.

Não existe apenas uma razão para tanta violência, mas muitas escolhas equivocadas dos/das portoalegrenses, somadas ao povo eleitor gaúcho: A escolha do mesmo boneco golpista das liberdades e conquistas sociais. Escolher esse boneco só por burrice, desatenção ou interesse empregatício explica em parte tanta violência invisível. Gritos que não ouvimos porque não queremos ouvir.

Devido a gravidade da vida de medo, que chamo de não-vida, vou tentar delucidar o protagonismo da burrice e desatenção nesta tragédia coletiva. O interesse empregatício, por óbvio, não vou atentar nem usar do seu ou do meu tempo. Todo vilão é medíocre, não porque lhe falte inteligência ou esperteza, porque é fingido, incorreto e injusto. É um traidor da vida, despreza todas as vidas que não se submetem ao seu protagonismo conquistador. Um agente bárbaro e sanguinário, mas um ator eficaz. Um candidato pelo empregatício é um ator eficaz. Todos e todas estamos sujeitos a uma ou muitas atuações fingidas pelo empregatício. Importante, mas não determinante. 
Mas a fofoca quando assume o caráter de profecia dá convicção e torna a cidadania invisível. Os direitos e os espaços de ninguém e de todos desaparecem. Voltamos à mendicância e ao roubo da vida.

Então, o que dá formato a tudo isso? 


Do ponto de vista do retorno rápido, é o jornalismo. O mais mentiroso praticado no MUNDO. Olha só, de novo, estamos lá no alto da pirâmide das comparações, encontramos homens e mulheres que usam os meios de comunicação de massa para inventar fatos ou esconder fatos, conforme os interesses deles mesmos ou em acordo com a relevância para o patrão. E não se engane, o leitor, telespectador ou ouvinte não é o patrão. Não somos o patrão, somos o efeito colateral. Aproveitemos.

Um jornalismo criminoso produz uma sociedade de criminosos. Um jornalismo mentiroso fabrica uma sociedade de mentirosos. Um jornalismo cínico concebe uma sociedade de cínicos. Um jornalismo de ódio ensina e educa para o ódio. Um jornalismo que reconhece nos efeitos colaterais, apenas isto, mortes possíveis de absorver, é cúmplice de cada morte em Porto Alegre. Esse jornalismo ideológico e partidário reinventou a sociedade desumana, mentirosa, cínica e canalha. Aproveitemos.

Tenho medo dos adultos crescidos das crianças que não brincam aos 5, 6 e 7 anos, a infância perdida para a alfabetização precoce (desculpem, mas não consigo resistir à piada: por que tanta estupidez destes pais? qual a razão para tanta pressa? pais... os seus filhos trabalharão até os 70 anos! calma, deixem que eles curtam a vida, pelo menos, nos seus primeiros 7 anos!), mas tenho uma pequena esperança. Afinal, são apenas crianças. Ainda não cresceram, mas vão crescer. Aproveitemos.

Tenho medo dos adultos que consomem esse jornalismo criminoso como se estivessem mascando tabaco ou chicletes. Adultos midiotizados. Não tenho esperanças. Nenhuma. Está fácil imaginar uma sociedade cada vez mais violenta, indiferente, egoísta, sem emoção ou sentido humano. Todo o humano que tínhamos substituído pelo sentido do dinheiro. Com esse jornalismo é um caminho sem volta. The Wall está a poucos metros e continuamos pisando no acelerador. Os homens e mulheres desse jornalismo criminoso são uma peste social, somatizam medos e mentiras em seus leitores/leitoras. Modelam uma couraça de preconceitos e conceitos que poupam os amigos e criminalizam os não-amigos. Aproveitemos.

Enganam-se aqueles que acreditam que protegem seus filhos/filhas com mais e mais policiais nas ruas (desculpem, novamente, não consigo resistir, não seja tolo de acreditar que não quero policiais nas ruas. e, por favor, sem esse seu catecismo estutipificado que deseduca: os direitos humanos só se preocupam com bandidos). Começaremos proteger nossos filhos/filhas quando assegurarmos uma vida de oportunidades dignas para todos os jovens da periferia, das vilas e das escolas públicas.


As curvas da vida com sonhos.

Não esperemos ver que os jovens se decidiram pela vida do crime para agirmos (desculpem, de novo, não consigo aguentar: matar esses jovens não é solução, nunca foi nem vai ser solução, só irá criar a aceitação da morte pela mão do Estado. naturalizar a violência e a ganância pelo acumulo de riqueza faz brotar como musgo a pobreza. hoje, temos cada vez mais jovens inspirados por bandidos, sonham com o mundo do crime. esse é o seu modelo de sucesso).

E a solução? Não temos a solução? É isto, e pronto?

E a Educação? Mas qual Educação?

A Educação do silêncio?

Cala a boca, Vocês não querem aprender!


Mas aprender o quê, professora?

Qual Educação? A Educação Formatadora que forma mão-de-obra acessível e barata; matadora de sonhos?

Estamos satisfeitos? Poderia ser pior? Nem quero imaginar esse pior.

Pense: É essa educação medíocre oferecida em nossas escolas públicas que você quer para o seu filho/filha (desculpem, é irresistível, não grite por falta de condições etcetcetc, esses chefes – prefeito e governador – foram eleitos com o seu voto, nunca prometem nada, mas desmancham o pouco que foi construído)?

Confiança, perdemos a confiança na sociedade que nos tornamos. Não acredito em solução mágica, mas o templo da perdição do governo golpista, não por acaso do PMDB, eles propõem mais uma ruptura na Educação Básica: fim da Filosofia, Sociologia, História, volta da Educação Moral e Cívica. Agora vai, iremos obrigar nossas crianças contar passos para entrar e sair das salas de aula, Um dois feijão ou arroz, Três quatro sem comida no prato! Sublimamos Hitler! Não precisamos queimar livros, estamos queimando a Filosofia, Sociologia, História e seus professores. As próximas gerações nem saberão que tudo isso já existiu!


Dois para frente, cinco para trás, Um dois nem feijão nem arroz, Três quatro nem comida nem prato!

Tenho apenas uma certeza, Enquanto não neutralizarmos esse jornalismo criminoso, não teremos chance de um outro jeito de viver. Nos tornamos o que sempre fomos: uma sociedade golpista. Mas também nos tornamos o que nunca fomos: referência no mundo, entre as DEZ cidades mais violentas do MUNDO!

Parabéns, a todos/todas envolvidas. Aproveitemos.



segunda-feira, 5 de setembro de 2016

O Brasil é feito disto aí

Do que é feito o Brasil? 


por Fernando Horta



Sul21





Não, a destituição de Dilma Rousseff não nos incomoda. Precisamos falar sério. Dilma não era líder de massas, não tinha história na política. Era uma burocrata alçada à presidência por um processo de impressionante transferência de votos que vieram de Lula. Dilma não fazia um bom governo, pendia irregularmente entre um trabalhismo conservador pontificado por um neoliberalismo (mal) disfarçado e um discurso garantista à la “onda rosa” europeia dos anos 70 e 80. Dilma não tem o dom da retórica. Tem história, mas não sabia usá-la. Seu maior discurso, até então, era uma resposta ao senador Agripino Maia dada ainda quando ministra da casa civil, entre 2005 e 2007. Rousseff se embananava na imensa maioria de suas falas e pouco conseguia instilar e inspirar na sua audiência. Como um “poste” se transformou na “coração valente”? Como se deu este milagre sabendo-se que sua assessoria de comunicação era a parte mais ignóbil e incapaz de todo seu staff (com folga)?


Em primeiro lugar, é preciso recordar que o processo de interpretação da realidade é sempre subjetivo. Falando mais abertamente, quem interpreta as coisas vê nelas o que quer ver ou o que consegue ver. O “coração valente”, portanto, está em quem olha, assim como está a “vaca” ou o “poste”. A trajetória de Dilma é pródiga em atos de coragem, mas isto pouca coisa significou até os últimos 60 dias. O que catapultou Dilma a condição que tem hoje foi a percepção da diferença entre ela e o Brasil. O contraste que nos foi oferecido durante o processo de impeachment é tão violento que não interessa quem foi (ou é) Dilma Rousseff, interessa entender do que é feito o Brasil.


Ainda incrédulos com o espetáculo dantesco nos oferecido pela Câmara dos deputados em 17/04 nós brasileiros, de direita, de centro e de esquerda nos horrorizamos com o que vimos. Brasileiros com cérebro custaram a acreditar que aquilo ali era uma parte substancial de nossa elite política. E a Câmara ficou órfã. Ninguém queria assumir a paternidade daquele horrendo monstro. A esquerda culpava a direita, a direita culpava a “ignorância” do povo, o povo … enfim o povo não entendia o que acontecia, mas sabia que aquilo era uma “luta entre ricos” e, portanto, também negava a paternidade. Os “deputados de ninguém”, aquele conhecido fenômeno (muito comum no RS) de políticos eleitos sem que “ninguém” tenha neles votado.


Depositamos nossa confiança no senado. Ali, diziam analistas, teremos um melhor espelho do que realmente é o Brasil. Assim também pensou o constituinte, pois atribuiu ao senado a obrigação da decisão final do impeachment. O que vimos nas manifestações dos senadores ocorridas até às 3 da manhã do dia 30 para o dia 31 de outubro foi, contudo, outro choque de Brasil. Não é possível que os discursos não tenham se alterado uma vírgula entre o início do processo de impeachment e o final. Horas de depoimentos de especialistas, de provas, de debates, arguições, textos e etc. tudo em vão. Era como se nada existisse. A acusação continuava com a catilinária barata do “quebrou o Brasil” e a defesa com o purismo do “não há crime, não há dolo”. Assistimos a um diálogo de surdos no senado. Desculpe, mas Isto não é o “devido processo legal”. Nunca se viu tamanho cinismo e desfaçatez.


Eis que os brasileiros com cérebro, seja de direita, de esquerda, de frente ou de ré; brasileiros vermelhos, azuis, amarelos ou cor-de-rosa; quaisquer seres pensantes que pisem sobre este imenso território estamos chocados. Se a Câmara nos mostrou um espetáculo de ignorância e incapacidade cognitiva o Senado nos mostrou um cinismo e uma inoperância política de impressionar. Este veredito não é difícil de se justificar. De fato, o brasileiro há muito é ensinado a desdenhar a política, isto é parte do jogo que os militares ensinaram e os políticos se jactam. Enquanto nós, cidadãos sérios, de direita, esquerda, ou de ponta cabeça não participarmos da política aquele show dos horrores continuará. Até aqui, entretanto, nada nos é novo. De onde, patavinas, sai a “coração valente”?


Eis que Dilma entra para a História do Brasil como o metro com que conseguimos medir nossa mediocridade. Enquanto nem a oposição pode chama-la de corrupta, mais de 70% dos senadores respondem a inquéritos ou estão condenados por crimes desta natureza. Enquanto o interino fazia conchavos nas sombras e se escondia em carros oficiais, ela adentrou o senado de cabeça erguida e lá ficou por mais de 14 horas. Kim sei lá eu o quê, convidado da direita no Senado, não suportou três horas na “tribuna de honra”. Tirando selfies, sentiu as dores do sentar no corpo jovem e retirou-se. A mulher de quase 70 anos que tinha sido escolhida como presidente, manteve-se incólume, sendo ofendida, maltratada, acusada e a tudo respondendo, calma e ponderadamente. O contraste foi tão evidente que até uma senadora, esposa de apoiador da ditadura e com patrimônio escondido da justiça eleitoral, congratulou a presidenta. Se errou, Dilma foi defender-se abertamente e ofereceu a si mesmo como prêmio a um Senado cínico. A diferença foi tão gritante que o Mundo não entende a nossa troca de Dilma por Temer.


Mas aí está sobre o que precisamos refletir. Dilma é de outra cepa. O Senado e a Câmara são feitos da mesma substância do Brasil. Esta é a beleza da Democracia. A ignorância de Felicianos e Magnos Malta é a mesma que se encontra aos cântaros Brasil afora. O empolamento elitista e preconceituoso de um Aloysio Nunes ou de um Cunha Lima é parte indelével de nossa classe média. O cinismo mudo de um Jucá ou de um Renan é característico de nossas elites. O desprendimento pueril de um Lindemberg ou de uma Grazziotin é também parte da nossa juventude. Aquilo lá é o Brasil, com seus acertos e erros, seus pontos fortes e fracos, suas barbaridades e tristezas. Os conchavos, as mutretas, a venda dos votos por cargos, o fisiologismo, a corrupção entranhada como modus operandi da política … é tudo o mais puro Brasil. Encontramos aquilo em qualquer canto do nosso país. Na coisa pública de cada cidadezinha e também nas empresas privadas. A Zelotes, quem diria, mostra isto todo o dia. Mega-empresários que faziam parte de “conselhos de gestão” são corruptos e sonegadores. Ninguém se salva, do médico que faz consulta mais barata sem recibo, passando pelo professor que inventa uma “saída de campo” sem sentido para diminuir suas aulas, ninguém se salva.


O Brasil é Lula, mas também é Fernando Henrique. Ali é disputa de brasis. O congresso muito bem nos representa. Daquilo ali tudo é que é feito o Brasil. É do fazendeiro escravocrata como Caiado ou da fazendeira autoritária (embora impressionantemente digna) de Katia Abreu. Tudo é Brasil. Dilma não. Dilma não é daqui. Dilma é feita de algo diferente e este contraste constrangeu até os perpetradores do golpe. A segunda votação pela retirada dos seus direitos políticos fez com que até um dos mais cínicos entre os cínicos, Cristóvão Buarque, ficasse envergonhado de si. A diferença entre ele e Dilma não cabe nesta galáxia e o pouco de humanidade que ainda lhe restava rasgou-lhe as vísceras. “Eu fico com ela” disse o golpista, num misto de sincericídio e vergonha.


Dilma finalmente se achou no Brasil. Ela viu que não é daqui. Porém, ao fazer isto Dilma nos mostrou do que somos feitos, do que o Brasil é feito, desde o tempo do império (que por sinal tinha representante da família real na “tribuna de honra” a favor do golpe). O Brasil é feito disto aí. Não há como se exigir mais. Não se pede aos outros o que eles não têm. Nossa pequenez nos saltou aos olhos, nos magoou a alma, deu-nos calafrios por compreendermos que nos falta substância. Foi terrível. Aquela mulher íntegra, altiva de mais de três metros de altura e uma voz tonitroante a nos humilhar fazendo chacota daqueles anões sórdidos e mentecaptos com suas teses insustentáveis.


Vá embora do Brasil Dilma! Vá e deixe-nos com nossa histórica pequenez. Não suportamos vê-la como você é, por isto criamos a ideia de um “coração valente”, porque não sabemos reconhecer nossa tacanhice.



.oOo.Fernando Horta, professor, historiador, doutorando em Relações Internacionais UnB.

domingo, 21 de agosto de 2016

CEGUEIRA E LINCHAMENTO

RADUAN NASSAR




Cegueira e Linchamento




O inglês Robert Fisk, em artigo no jornal londrino "The Independent", afirma que, segundo as duras conclusões do relatório Chilcot sobre a invasão do Iraque, o ex-primeiro ministro Tony Blair e seu comparsa George W. Bush deveriam ser julgados por crimes de guerra, a exemplo de Nuremberg, que se ocupou dos remanescentes nazistas.

O poodle Blair se deslocava a Washington para conspirar com seu colega norte-americano a tomada do Iraque, a pretexto de este país ser detentor de armas de destruição em massa, comprovado depois como mentira, mas invasão levada a cabo com a morte de meio milhão de iraquianos.

Antes, durante o mesmo governo Bush, o brutal regime de sanções causou a morte de 1,7 milhão de civis iraquianos, metade crianças, segundo dados da ONU.

Ao consulado que representava um criminoso de guerra, Bush, o então deputado federal Michel Temer (como de resto nomes expressivos do tucanato) fornecia informações sobre o cenário político brasileiro. "Premonitório", Temer acenava com um candidato de seu partido à Presidência, segundo o site WikiLeaks, de Julian Assange.

Não estranhar que o interino Temer, seu cortejo de rabo preso e sabujos afins andem de braços dados com os tucanos, que estariam governando de fato o Brasil ou, uns e outros, fundindo-se em um só corpo, até que o tucanato desfeche contra Temer um novo golpe e nade de braçada com seu projeto de poder -atrelar-se ao neoliberalismo, apesar do atual diagnóstico: segundo publicação da BBC, levantamento da ONG britânica Oxfam, levado ao Fórum Econômico Mundial de Davos, em janeiro, a riqueza acumulada pelo 1% dos mais ricos do mundo equivale aos recursos dos 99% restantes. Segundo o estudo, a tendência de concentração da riqueza vem aumentando desde 2009.

O senador Aloysio Nunes foi às pressas a Washington no dia seguinte à votação do impeachment de Dilma Rousseff na exótica Câmara dos Deputados, como primeiro arranque para entregar o país ao neoliberalismo norte-americano.

Foi secundado por seu comparsa tucano, o ministro das Relações Exteriores, José Serra, também interino-itinerante que, num giro mais amplo, articula "flexibilizar" Mercosul, Brics, Unasul e sabe-se lá mais o quê.

Além de comprometer a soberania brasileira, Serra atira ao lixo o protagonismo que o país tinha conseguido no plano internacional com a diplomacia ativa e altiva do chanceler Celso Amorim, retomando uma política exterior de vira-lata (que me perdoem os cães dessa espécie; reconheço que, na escala animal, estão acima de certos similares humanos).

A propósito, o tucano, com imenso bico devorador, é ave predadora, atacando filhotes indefesos em seus ninhos. Estamos bem providos em nossa fauna: tucano, vira-lata, gato angorá e ratazanas a dar com pau...

Episódio exemplar do mencionado protagonismo alcançado pelo Brasil aconteceu em Berlim (2009), quando, em tribunas lado a lado, a então poderosa Angela Merkel, depois de criticar duramente o programa nuclear do Irã, recebeu a resposta de Lula: os detentores de armas nucleares, ao não desativá-las, não têm autoridade moral para impor condições àquele país. Lula silenciou literalmente a chanceler alemã.

Vale também lembrar o pronunciamento de Lula de quase uma hora em Hamburgo (2009), em linguagem precisa, quando, interrompido várias vezes por aplausos de empresários alemães e brasileiros, foi ovacionado no final.

Que se passe à Lava Jato e a seus méritos, embora supostos, por se conduzirem em mão única, quando não na contramão, o que beira a obsessão. Espera-se que o juiz Serio Moro venha a se ocupar também de certos políticos "limpinhos e cheirosos", apesar da mão grande do inefável ministro do STF Gilmar Mendes.

Por sinal, seu discípulo, o senador Antonio Anastasia, reproduz a mão prestidigitadora do mestre: culpa Dilma e esconde suas exorbitantes pedaladas, quando governador de Minas Gerais.

Traços do perfil de Moro foram esboçados por Luiz Moniz Bandeira, professor universitário, cientista político e historiador, vivendo há anos na Alemanha. Em entrevista ao jornal argentino "Página/12", revela: Moro esteve em duas ocasiões nos EUA, recebendo treinamento. Em uma delas, participou de cursos no Departamento de Estado; em outra, na Universidade Harvard.

Segundo o WikiLeaks, juízes (incluindo Moro), promotores e policiais federais receberam formação em 2009, promovida pela embaixada norte-americana no Rio.

Em 8 de maio, Janio de Freitas, com seu habitual rigor crítico, afirmou nesta Folha que "Lula virou denunciado nas vésperas de uma votação decisiva para o impeachment. Assim como os grampos telefônicos, ilegais, foram divulgados por Moro quando Lula, se ministro, com sua experiência e talento incomum de negociador, talvez destorcesse a crise política e desse um arranjo administrativo".

Lula não assumiu a Casa Civil, foi rechaçado no Supremo Tribunal Federal pelo ministro Gilmar Mendes, um goleirão sem rival na seleção e, no álbum, figurinha assim carimbada por um de seus pares, Joaquim Barbosa, popstar da época e hoje estrela cadente: "Vossa Excelência não está na rua, está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro... Vossa Excelência, quando se dirige a mim, não está falando com seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar".

Sugiro a eventuais leitores, mas não aos facciosos que, nos aeroportos, torciam o nariz ao ver gente simples que embarcava calçando sandálias Havaianas, que acessem o site Instituto Lula - o Brasil da Mudança.

Poderão dar conta de espantosas e incontestes realizações. Limito-me a destacar o programa Luz para Todos, que tirou mais de 15 milhões de brasileiros da escuridão, sobretudo nos casebres do sertão nordestino e da região amazônica. E sugiro o amparo do adágio popular: pior cego é aquele que não quer ver.

A não esquecer: Lula abriu as portas do Planalto aos catadores de matérias recicláveis, profissionalizando-os, sancionou a Lei Maria da Penha, fundamental à proteção das mulheres, e o Estatuto da Igualdade Racial, que tem como objetivo políticas públicas que promovam igualdade de oportunidades e combate à discriminação.

Que o PT tenha cometido erros, alguns até graves (quem não os comete?), mas menos que Fernando Henrique Cardoso, que recorria ao "Engavetador Geral da República", à privataria e a muitos outros expedientes, como a aventada compra de votos para sua reeleição.

A corrupção, uma enfermidade mundial, decorre no Brasil do sistema político, atingindo a quase totalidade dos partidos. Contudo, Lula propiciou, como nunca antes, o desempenho livre dos órgãos de investigação, como Ministério Público e Polícia Federal, ao contrário do que faziam governos anteriores que controlavam essas instituições.

A registrar ainda, por importante: as gestões petistas nunca falaram em "flexibilizar" a CLT, a Previdência, a escola pública, o SUS, as estatais, o pré-sal inclusive e sabe-se lá mais o quê, propostas engatilhadas pelos interinos (algumas levianamente já disparadas), a causar prejuízo incalculável ao Brasil e aos trabalhadores.

Sem vínculo com qualquer partido político, assisto com tristeza a todo o artificioso esquema de linchamento a que Lula vem sendo exposto, depois de ter conduzido o mais amplo processo de inclusão social que o Brasil conheceu em toda a sua história.



RADUAN NASSAR, 80, é autor dos livros "Lavoura Arcaica" (1975), "Um Copo de Cólera" (1978) e "Menina a Caminho e Outros Textos" (1997). Recebeu neste ano o Prêmio Camões, principal troféu literário da língua portuguesa

sábado, 6 de agosto de 2016

Uma Abertura Com Um Pouquinho de BraSil

OBRIGADO, LULA. OBRIGADO, DILMA!



Obrigado, Vanderlei Cordeiro de Lima

















































Obrigado, Vanderlei Cordeiro de Lima















































































































quarta-feira, 27 de julho de 2016

31 de julho não é sobre o PT, é sobre o seu papel na história

Já imaginou se...


baitasar


O próximo dia 31 de julho não é sobre o PT. Claro que é difícil separar tanto e tudo que foi feito em uma década, mas pense em você. Em que lado da história você vai querer estar?

Quer estar ao lado do SUS e da luta para que os seus serviços tenham mais qualidade? Ou você acredita que a sua saúde vai estar garantida pelos planos de saúde privados? 

E a sua solidariedade com as pessoas que vão morrer por falta de médicos, remédios e vagas em hospitais? Piedade ou caridade não vai ajudá-las. 

E os tratamentos mais caros? Condenamos e xingamos quando sabemos que o SUS trata doenças muita caras nos outros, mas e quando nós precisamos? E todos precisamos!

Não esqueça: caso a saúde nos postos e UPAS da sua cidade não funcione, procure as respostas com o prefeito da sua cidade.

Quer estar ao lado da Universidade Pública e do Ensino Médio Público ou da educação privada? Você acredita que universidade é só para os ricos e aqueles que podem pagar? 

Você acredita que apenas os jovens ricos é que devem estudar no exterior? 

Isso de Ciência Sem Fronteiras é besteira de petista? 

Você também votaria em candidato que afirma que seguro saúde e aposentadoria por invalidez tem que acabar?

O PROUNI é um exagero? É um exagero esse sonho de universidade para todos?

Aham... você está do lado da Caixa Federal para os Ricos? Não sei se você sabe, mas o Temer Interino 6% congelou os recursos do Minha Casa, Minha Vida e liberou crédito para comprar imóveis de até R$ 3 Milhões! É o seu caso? Você é rico.

Isso... e muito mais foi tirado da população brasileira em apenas 2 meses de interinidade!

Aposentadoria aos 75 anos que foi vetada pela Presidenta Dilma e o interino 6% Temer derrubou junto com o congresso. Agora, as chances de você aposentar aumentaram... só aos 75 anos.

Não esqueça de se pronunciar sobre o regime único da previdência. Claro, não será único para os juízes e deputados e senadores. Hehehehehe, inocente útil da plutocracia.

Acabar com a CLT também está no centro dos desejos da plutocracia. Os ricos. Fiesp. Fiergs. Donos de Televisões. Donos de jornais. Donos de rádios. Eles sonham fazer do Brasil um país deles. 

Você está ao lado da extinção do 13º? Pois é, pense melhor. 

Lembra da votação sobre a destinação dos recursos do pré-sal? Afinal, você quer ou não que os recursos do pré-sal fiquem na saúde e na educação do Brasil? Parece que não é a intenção do interino 6% Temer. 

E o petróleo é Nosso ou dos americanos do Obama da Hilary ou do Trump? Você está do lado de quem? Afinal, você quer que os recursos do pré-sal fiquem na saúde e na educação dos EUA?

E de todas as conquistas saímos do mapa da fome do mundo!

Parece pouco? E você está ao lado da fome?

Aqui, vou me permitir copiar as palavras do senhor Franklin Tavares III,  que não conheço, mas concordo com a urgência de sairmos do mapa da alienação e ignorância



















Pois é, entendeu por que o dia 31 de julho não é pelo PT?

Vamos pra rua no dia 31 de julho defender tudo que conquistamos, algumas destas conquistas se diz que foi contra a vontade do PT.

Mas conquistamos!

Por quê?

Porque há democracia num governo eleito pelo voto e apenas repressão num governo golpista!

Vamos todos e todas para as ruas no dia 31 de julho! Pela democracia! 

O caminho do golpe estamos experimentado há 60 dias! 

Vamos dizer NÃO ao golpe!

Continuemos ao lado da História que respeita a todos e todas!






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Chegou o dia: acabam de propor o fim da universidade gratuita


Gazeta do Povo


UFPR: para O Globo, a própria existência da universidade pública é uma injustiça



O jornal O Globo sugeriu em editorial neste fim de semana aquela que talvez seja a medida mais grave de desmonte do estado de bem-estar social brasileiro – construído a duras penas durante as últimas décadas. Em função da crise econômica, o jornal sugeriu que simplesmente se acabe com o ensino superior gratuito. Assim: acabe-se, ponto.

A medida, de acordo com o editorial, serviria para duas finalidades diferentes. A primeira, diminuir o peso da educação para o Estado (a velha discussão sobre o gigantismo do Estado brasileiro e sobre a necessidade de diminuir impostos). Por outro lado, dando um aspecto “humanitário” à proposta, diz que isso acabaria com uma injustiça.

Leia mais: Sindicatos repudiam proposta

O argumento sobre a redução da carga tributária é mais inteligível, até por estar sendo debatido o tempo todo. O outro, que tenta vender como fim da injustiça aquilo que seria uma injustiça em si mesmo, é mais curioso e menos comum. Segundo o jornal, o grande problema é que quem fica com as vagas na universidade gratuita são os mais ricos. Os pobres são levados a pagar ensino privado de qualidade muitas vezes duvidosa (é O Globo quem diz, não eu).

A premissa do argumento tem uma certa verdade. Destinar as vagas do ensino gratuito aos mais ricos é injusto. A solução é bizarra. Ao invés de permitir que os mais pobres tenham acesso (mesmo que fosse em detrimento dos ricos), jogue-se tudo fora. O bebê junto com a água do banho. Décadas de investimento em uma educação pública de qualidade em função de um sistema de seleção imperfeito.

Para O Globo, a solução seria o sistema inteiramente privado, com bolsas para os mais pobres. Se essa fosse uma proposta séria, se o argumento humanitário fosse realmente a razão, e não o aspecto econômico, não faria sentido. Quem vai conseguir, dentre os pobres, as bolsas nas faculdades privadas que restariam? Os que têm melhor desempenho, os mesmos que hoje entram nas públicas gratuitas.

O argumento econômico também é frágil. Se a ideia fosse dar bolsas (públicas?) vê-se que o custo poderia ser enorme. Seria para todos, universal? Então o imposto seria ainda mais caro. Seria para poucos? Então seria excludente, e não humanitário. Nesse segundo caso, os mais pobres continuariam destinados a faculdades que o próprio jornal considera inferiores. Ou seja, não se resolve problema algum.

O que está verdadeiramente em jogo é um projeto de país. O desmonte de uma estrutura de inclusão que vem sendo posta em xeque nos últimos anos em detrimento de um Estado menor e mais leve – e também mais desigual.

Nos últimos anos, vêm surgindo repetidamente ideias de que a Previdência deve ser privada. De que o SUS deve diminuir. E de que o ensino gratuito, agora, é injusto. Ao mesmo tempo, propostas que realmente aumentam o atendimento aos brasileiros mais pobres, como o ProUni e o Pronatec geralmente vistas com desconfiança.

É preciso chamar as coisas pelos seus nomes. O que a proposta do fim do ensino superior público traz em si não é o fim de uma injustiça. É a ideia de que a injustiça se dá de qualquer jeito e de que devemos simplesmente deixar que ela ocorra sem pôr as mãos no nosso bolso para ajudar quem fica de fora do sistema. É a meritocracia que protege o bolso contra o assalto de quem nunca teve nada e quer ter chance de competir em condições de igualdade.

Se há algo que luta contra a injustiça nesse país é o acesso a uma educação de qualidade para todos. Se o Estado não servir para isso, servirá apenas para muito pouco. Para muito menos do que precisamos.

uma encenação meia boca


O que levou Temer a usar o filho de 7 anos numa operação de marketing rasteiro. 
Por Kiko Nogueira


Diário do Centro do Mundo



Postado em 27 Jul 2016


por : Kiko Nogueira










A biografia de Michel Temer acaba de cruzar com a de Fernando Henrique Cardoso em mais um aspecto lamentável — e não me refiro à vocação golpista.

No mês passado, numa entrevista à Al Jazeera, FHC evocou o filho Tomás para provar ao jornalista Mehdi Hasan que era um cidadão de bem.

“Essa senhora [Mírian Dutra] tem um filho. Ela diz que é meu”, disse ele. “O DNA provou que não é. De qualquer jeito, eu gosto do cara. Eu banquei sua educação o tempo todo com meu dinheiro, usando o Banco Central. Eu mandei dinheiro para o cara.”

O rapaz surgiu na discussão por obra e graça do velho, que se amparou nele como uma tábua de salvação moral.

Na terça, 26, o interino, tentando ver se conseguia transmitir uma imagem de normalidade, provavelmente preocupado com o resultado trágico das pesquisas, resolveu expor estupidamente o filho Michel, de 7 anos.

Temer mandou seus assessores — e eles obedeceram — avisarem a imprensa que estaria na escola dele com a mulher, Marcela.

Um dos golpes mais baixos no manual da busca pela popularidade. E a imprensa amiga obedeceu e cobriu e mostrou.

Era o primeiro dia de aulas do pequeno Michel. Ele saiu antes dos colegas para encontrar os pais e todos poderem posar para as câmeras. De longe, Temer acenava para os fotógrafos enquanto orientava o caçula sobre como proceder diante dos paparazzi de casa.

Alguém lhe questionou se ele passaria a fazer aquilo todos os dias. Temer, solerte, respondeu: “Só hoje! Só hoje!”. O sujeito estava representando um papel que não vai mais se repetir. Michel Jr. deve estar achando que o pai fez aquilo numa boa, por puro amor e consideração, e que repetiria o gesto.

No tumulto, uma mãe gritou para os profissionais da mídia: “Vai ser todo dia essa palhaçada?”. “Vão atrás dos corruptos, ele é só uma criança”, falou outra. Elas seriam, depois, informadas que o Planalto havia convocado a galera e que podiam ficar tranquilas. O tempo de ir atrás dos corruptos passou.

Que tipo de homem coloca sua criança de 7 anos como peça de um plano de marketing mequetrefe? Quem ele pensa que engana? Alguém pensou no moleque ou está combinado que ele serve apenas para enfeitar o museu de cera de Michel, assim como mamãe?

E por que a imprensa compareceu em peso a essa encenação meia boca?

Numa entrevista com Dilma, eu quis saber se ela esperava que o vice decorativo a fosse trair e se o confrontou quando a conspiração ficou clara. Dilma disse que o interpelou e que não achava que ele fosse capaz de fazer o que fez “por um motivo não mencionável”.

A cada demonstração da elasticidade do caráter de Temer, esse motivo não mencionável cresce e fica mais misterioso e feio.







juízes políticos sem nenhuma qualificação ética e moral


Michel 6% Temer acaba de bater o recorde histórico de rejeição. 
Por Paulo Nogueira


Diário do Centro do Mundo



Postado em 26 Jul 2016
por : Paulo Nogueira





Fiasco instantâneo

Michel. Michel Temer. Mas pode chamá-lo de Michel 6% Temer.

O resultado da pesquisa Ipsos divulgada hoje é categórico: Temer é um fiasco. Um monumental fiasco.

Apenas 6% dos brasileiros aprovam o interino. Isto é metade do que Dilma tinha em sua etapa final na presidência, sob bombardeio ininterrupto da mídia e da Lava Jato.

Quer dizer: não é metade. É menos que metade. Dilma tinha quase 14% de aprovação.

Pronto. Isto é Michel 6% Temer. A mídia o protege descaradamente, a Lava Jato sumiu de circulação, a cobertura de corrupção de jornais e revistas virou nada: mesmo assim, Temer é amplamente rejeitado pelos brasileiros.

Num mundo menos imperfeito, os 6% seriam manchete dos jornais, e ocupariam vários minutos do JN.

Mas este nosso mundo é extremamente imperfeito, e então a mídia silencia. Mas isto não elimina os 6%.

É o pior índice de aprovação desde que este tipo de coisa passou a ser pesquisada. Collor, na véspera de seu impeachment, era aprovado por 9% das pessoas. Desnecessário dizer que nenhum jornal notou isso. Notariam se fosse um petista. Gritariam, melhor.

O Brasil, em suma, não quer Temer.

A plutocracia subestimou os brasileiros, este é o ponto. Achou que podia ludibriá-los. Os golpistas inventaram um pretexto que se revelou uma farsa cínica, as pedaladas.

Quando se tornou consenso que não houve pedaladas, a plutocracia alegou que isso não importava. Dilma seria afastada fosse inocente ou fosse culpada.

O golpe ficou inteiramente avacalhado. Não é justo com o Paraguai chamá-lo de golpe paraguaio.

É típico de um país ridículo montar um julgamento de meses cujo resultado se conhece de antemão porque os juízes são políticos sem nenhuma qualificação ética e moral.

O resultado disso é Michel 6% Temer.

É certo

Isso só vai piorar, caso o impeachment se concretize. Parece ter-se consolidado, com os fatos escabrosos em torno do golpe, a ideia de que Temer é o vilão e Dilma a vítima da história.

A Ipsos mostrou que diminuiu 13 pontos porcentuais o número de brasileiros que apoiam o impeachment de Dilma. De 61% passou a 48%.

Um vice decorativo não se transforma em estadista porque os Marinhos, os Frias e os Civitas querem.

Michel 6% Temer está aí para provar.




Sobre o AutorO jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

terça-feira, 19 de julho de 2016

As lembranças do baitasar e o IAPI


Maior e mais antigo condomínio do continente, IAPI guarda parte da história de POA






SUL 21




As casas típicas do IAPI tinham de um a três quartos, cozinha, sala, despensa, banheiro e um galinheiro. | Foto: Ramiro Furquim/Sul21




Fernanda Morena


Por entre as edificações erguidas entre 1940 e 1950 residem as histórias de Porto Alegre e de centenas de pessoas que fazem da Vila IAPI um universo peculiar. Seus personagens colocam a capital gaúcha no mapa nacional da música e da arquitetura ou celebram amizades tão velhas quanto o próprio Estado Novo, época em que o bairro foi construído. O primeiro conjunto residencial do país levava em seu projeto a missão de sair do papel para entrar na história. Local dos industriários gaúchos que pagavam prestações baixas para os condomínios de um a três dormitórios com sala, banheiro, cozinha, dispensa e galinheiro, as construções formavam um lugar onde todo mundo era igual. Mas o IAPI ficou diferente do resto. Tornou-se modelo de uma arquitetura de cidade jardim; foi casa da pimentinha Elis Regina e do ex-vice-governador Antonio Hohlfeldt, e serve aos arquitetos e urbanistas como um desafio para aliar renovação à proteção histórica.

Com 2600 moradias construídas com financiamento popular do Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Industriários (IAPI), as casas foram concebidas sob uma percepção arquitetônica francesa; ao contrário dos demais IAPIs do Brasil, em Porto Alegre, menos era mais. Os prédios são baixos, enxutos, acomodariam todos os serviços necessários à população e, de quebra, seriam baratos. Se o IAPI nasceu popular, hoje ele se tornou uma referência mundial de estilo e urbanização.




Amizades de uma vida



Dona Marisa, 62 anos, mora na mesma casa desde que nasceu. É amiga de infância de Elis Regina. | Foto: Ramiro Furquim/Sul21


Dona Marisa e Dona Marta se conhecem desde que nasceram – lá se vão 62 anos de amizade. Se na infância elas se reuniam no alto do condomínio com outras vinte e tantas crianças onde brincavam de “rei e rainha”, “telefone sem fio”, “brincadeira do anel”, hoje elas se juntam nos mesmos bancos para tomar chimarrão. Dona Marta, 74 anos, morava na Plínio, de onde saiu depois de casar com o seu vizinho, melhor amigo do irmão, e ir morar ao lado de Elis, a Regina, na casa dos sogros.

“Éramos uma família. Era um Papai Noel, uma festa de natal, uma fogueira. Nunca morei em outro lugar, e não me imagino fora daqui”, revela Dona Marisa, 62 anos, que ainda hoje vive em frente à figueira bicentenária que é marca do bairro.

Marca também é a casa de número 21, onde nasceu Elis Regina. Na casa ao lado da de Dona Marta, duas depois da de Elis, surgiu a primeira televisão do condomínio. Lá as crianças se reuniam para ver Rin Tintin – sob a condição de que tivessem tomado banho.







Dona Marta fez sua vida no IAPI: nasceu na Plínio, casou com o vizinho, melhor amigo do irmão, e mora há 20 anos na casa que pertencia aos sogros, ao lado de Dona Marisa. | Foto: Ramiro Furquim/Sul21



Dona Marta lembra do dia em que o Golpe Militar foi anunciado na rádio, assim como lembra de quando o presidente Getúlio Vargas, gaúcho, veio a Porto Alegre inaugurar o bairro. “Lembro da minha irmã pedir ao meu pai para desligar o rádio antes de a Hora do Brasil começar, porque se algum militar visse a transgressão, eles entrariam na casa para prender alguém da família. Os homens, não as crianças”, reconta.

Dona Marisa lembra de ver Elis chegando de longe de mãos dadas com um rapaz e, ao se aproximar do condomínio, largando a mão dele. “Eu só escuto falar de a Elis ter sido namoradeira pela mídia, porque eu nunca a vi com alguém. A mãe dela era muito severa”, atesta a amiga de infância da cantora e possível guardiã dos segredos da amiga até hoje. E até hoje ela fala com a mãe de Elis.

Crescer no IAPI, mais do que criar amizades de uma vida, criou uma vida para Dona Marisa e Dona Marta. “Não precisamos sair daqui para nada. Temos tudo à volta”, aponta Dona Marisa. Dona Marta casou com o amigo de infância do irmão, que morava na casa ao lado da dela. A irmã da mãe de Dona Marisa morreu no bairro aos 115 anos, tendo visto todas as histórias do bairro crescer com ele. “Meu avô vinha de Uruguaiana e dizia se sentir confortável aqui no bairro. Não tinha diferença. Somos um universo paralelo, há qualquer coisa de cidade do interior aqui”, avalia Dona Marisa.





A figueira bicentenária é uma das marcas mais fortes do IAPI. Ao fundo, o condomínio de Dona Marisa, Dona Marta e Elis. | Foto: Ramiro Furquim/Sul21


Para elas, a mudança do bairro ao longos dessas seis décadas é marcada pelo aumento do movimento do transporte público – no início do IAPI, era o bonde a única opção de transporte. Hoje com três linhas de ônibus e carros-lotação, sair do IAPI ficou mais fácil, mas nunca necessário. “Não penso em morar em outro lugar. Minha vida toda eu vivi isso aqui”, diz Dona Marisa.


Gerações da fotografia


Nikolaj Lenski é russo e veio ao Brasil na década de 1950 fugindo dos soviéticos. Sem saber português ou o que fazer na cidade, foi parar no IAPI, onde começou um trabalho de revelação de filmes em um estúdio improvisado embaixo da escada da sala da sua casa. Um dos seus primeiros clientes foi Edmundo Gardolinski que, além de ser o arquiteto responsável pelo Conjunto Residencial Passo D´Areia – vulgo IAPI -, o maior e mais antigo da América do Sul, era de descendência polonesa e gostava de fotografia. Gardolinski chamou Nikolaj (Nick) para ser o fotógrafo da inauguração da vila. “Foi Gardolinski que alavancou a carreira do meu pai”, lembra Eduardo Lenskij, o responsável pelo Estúdio Nick, o mais antigo estúdio fotográfico da cidade.





O ex-presidente Getúlio Vargas participa da inauguração do bairro. | Foto: Nikolaj Lenskij/Acervo Foto Nick


Nick é responsável por uma das fotos mais célebres da abertura do IAPI, mas ficou mesmo conhecido pelo retrato que fez de Elis Regina, a figura mais célebre do bairro e, certamente, mais célebre do que Getúlio como ele aparece na foto de Nick.

Eduardo hoje é quem toma conta do estúdio, que é o mesmo desde 1954 – com o mesmo neon na frente. Ele e o filho são os fotógrafos oficiais do IAPI, e é virtualmente impossível não encontrar um rosto conhecido pelas paredes do estúdio, que colecionam exemplos do trabalho da família há três gerações.

Eduardo nunca morou no IAPI, mas resume sua vida ao bairro. Estudou no Colégio Becker à noite e, durante o dia, ajudava o pai no estúdio. Para ganhar mais dinheiro, fazia transporte das estudantes do bairro a universidade Unisinos na década de 1970. Casou-se com uma delas. O pai, o Nick, faleceu aos 58 anos. Eduardo está à frente do estúdio desde então – são 35 anos de fotografia dos moradores do IAPI.



“O bairro não mudou. Só o movimento mudou. As pessoas são as mesmas”, atesta o fotógrafo que eternizou a vida de centenas de moradores do bairro com suas lentes.





Foto Nick: há três gerações eles são os fotógrafos oficiais do IAPI. | Foto: Ramiro Furquim/Sul21


Mobilizar pela revitalização


Pedro Lemos nasceu e cresceu no IAPI. Aos 60 anos, ele é marinheiro aposentado e presidente do Mobiliza IAPI, uma entidade que visa à melhora do bairro e sua futura conservação. Ficou afastado da área por oito anos, por motivos profissionais. A mãe ficou no mesmo apartamento, onde moram até hoje. A esposa de Lemos, de origem portuguesa, também. “Poderia ter ido morar em Portugal, mas a minha esposa adorou o IAPI”, revela.

Dentro do Mobiliza, Lemos foca em projetos que buscam a restauração e preservação de áreas históricas e a criação de serviços que abranjam a realidade atual da área. Estão em tratativas para manter o Postão do IAPI aberto 24 horas por dia, além de criar uma creche comunitária. “O papel da mulher mudou, ela trabalha, e a sua contribuição ao orçamento doméstico é essencial. Ela precisa de ajuda com os filhos”, avalia o presidente.

Outro projeto em tramitação no Orçamento Participativo é a criação de um centro comunitário para idosos, conta o aposentado, que garante existir no IAPI uma das maiores comunidades de idosos do país. O Mobiliza, criado em junho do ano passado, não é apenas uma mobilização que olha para o futuro do bairro, mas que mantém um compromisso com o seu passado. Várias das iniciativas de novos moradores que derrubam as casas originais para construir novas estão sendo combatidas pelo movimento.




Florir IAPI




Avenida das Industriários receberá um canteiro de flores pelo Projeto Florir. | Foto: Ramiro Furquim/Sul21


A Avenida dos Industriários, uma das primeiras a ser pavimentadas no bairro, é o maior elo de ligação do IAPI com seus bairros vizinhos. A larga avenida de duas vias separadas por um canteiro central está prestes a ser revitalizada, enfeitada, embelezada. É a intenção do Projeto Florir, uma ideia que a Associação de Moradores da Vila levou à Escola Técnica Cristo Redentor no final do ano passado.

O Florir IAPI é liderado pela arquiteta e urbanista Cristina Guerreiro, professora do curso técnico de edificações da escola. O projeto é um reflexo da cultura do bairro; consiste na união de voluntários (formados pelos alunos de Cristina e a população de moradores do IAPI) num projeto que irá plantar flores por toda a extensão do canteiro da Avenida. A definição das espécies a serem cultivadas levou em consideração a história da vegetação já existente. “ Serão flores de médio porte, que harmonizarão com as grandes árvores que existem no local”, revela a urbanista.

O grupo de alunos que assina o projeto foi educado em IAPI. Aulas sobre a história e a arquitetura típica do bairro deram ao grupo base do que seria feito nos próximos seis meses para melhorar a área de convivência social. “As pessoas que vieram nos procurar ali queriam estar na rua. Essa é toda a ideia do projeto”.



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As lembranças do baitasar e o IAPI


"Carnaval é Aqui, Carnaval é na Vila do IAPI!"


Milton e Elci - essa história começa aqui no IAPI

Ao fundo o Estádio Alim Pedro - 1954

O casamento na Igreja de madeira NS das Graças - 24/12/1955


O Padre Alfredo



Mauro, Rogério e Ricardo - 25/12/1961 ( na rua ao fundo acontecia o carnaval)


Ensaiando os primeiros passos, ao fundo o Estádio Alim Pedro (1962)


O Tio Antonio Belardinelli, os sobrinhos e o seu Estádio Alim Pedro (1962)



Av. Plínio Brasil Milano, 2100 - em frente ao Posto Texacão (1962)
IAPI - Av. Plínio Brasil Milano, 2100


O melhor colo do mundo - 1957


Plínio Brasil Milano, 2100 - 1957


O melhor colo do mundo - 1957

O baitasar - 1958


Sede de Esportes do Estádio Alim Pedro


Estádio Alim Pedro


Sede Esportiva do Estádio Alim Pedro
São tantas histórias...

Somente nas histórias do IAPI consegui entender a força e a resistência de Getúlio na memória das pessoas. Um político cassado e desqualificado pelas elites jornalísticas e empresariais, mas venerado nos apartamento e casas do IAPI. O Minha Casa Minha Vida existiu antes de agora. E outro político é cassado e desqualificado pelas elites jornalísticas e empresariais, mas não conseguem arrancar do coração e da memória das pessoas o nome Lula.