quarta-feira, 24 de maio de 2017

o silêncio de Sérgio Moro

Sérgio Moro sumiu da mídia sem deixar vestígios. O que houve?



O Cafezinho


Escrito por Bajonas Teixeira















Muita gente deve estar fazendo a mesma pergunta: Cadê Sérgio Moro? O juiz, herói nacional, orgulho do Brasil, sério candidato a “gênio da raça”, sumiu de repente. Até anteontem, todos os dias ele estava na mídia, às vezes em vídeos extraindo confissões com seu boticão judicial, ou em áudio, conduzindo depoimentos com mão de ferro, como o de Lula. Às vezes, fazendo declarações através de notas. E também em conferências, em fóruns internacionais, dando palestras. Abruptamente, e isso já há quase 72 horas, Moro sumiu da mídia. Seu silêncio é um daqueles que, como diria Marx, oprime o cérebro dos vivos. Zumbe como pernilongos num enxame de interrogações em torno da cabeça do brasileiro. Por que o herói se calou?


A resposta parece ser sua decisão no episódio das perguntas de Cunha. Sérgio Moro, como se sabe, barrou 21 das 41 perguntas que Cunha dirigiu a Temer.


Conforme se expressou mais tarde, ao se posicionar contrariamente à libertação de Eduardo Cunha, Moro viu chantagem nas perguntas formuladas pelo ex-deputado e ex-presidente da Câmara dos Deputados:


“Tais quesitos, absolutamente estranhos ao objeto da ação penal, tinham, em cognição sumária, por motivo óbvio constranger o Exmo. Sr. Presidente da República e provavelmente buscavam com isso provocar alguma espécie intervenção indevida da parte dele em favor do preso”, disse Moro.


“Isso sem olvidar outros quesitos de caráter intimidatório menos evidente”, acrescentou.


De fato. Não podemos olvidar. Mas, cá pra nós, quem pode ser intimidado, constrangido, chantageado ou pressionado por um malandro corrupto senão um outro tão malandro tão corrupto quanto ele? E parece que o Exmo. Sr. Presidente da República se enquadra na definição.


Na versão de Sérgio Moro, ficou parecendo que Eduardo Cunha era o vilão Gargamel e Michel Temer, o bom vovô Smurf. É uma versão atraente, um pouco infantil, é verdade, mas infelizmente totalmente desajustada aos fatos. Ouvindo as conversas e assistindo aos vídeos com as revelações sobre Temer, tudo faz crer que Cunha era um dentre os diversos operadores de Michel Temer.


Essa virada pela qual Temer foi desmascarado terá certamente efeitos graves para a credibilidade de Moro. Ficou parecendo que ele, ao exercer a censura sobre as perguntas de Cunha, garantiu uma imensa chance de impunidade para Temer.


Basta pensar o seguinte: e se não fossem as revelações da JBS qual seria a situação de Temer, do nosso Excelentíssimo Senhor Presidente, agora? Ele estaria com os seus milhões surrupiados, com o acordo de quase meio bilhão com a JBS, e com muito mais coisas que não sabemos, que talvez nunca venham à tona. Estaria muito feliz e alegre, como estava até há alguns dias atrás, fazendo tiradas debochadas em seus pronunciamentos, como a de que sua política era a de “nenhum direito a menos”, ou de que “governo tem que ter marido”. Não fosse a JBS, a recusa de Moro em aceitar as perguntar de Cunha, teria blindado o Excelentíssimo Temer.


Mas Michel Temer blindado o que significaria? Nada mais nada menos que a condução do golpe até a consecução de seus objetivos finais: 1) destruição de todos os direitos dos trabalhadores no Brasil; 2) fim da previdência e das aposentadorias; 3) destruição da democracia e do estado de direito. É pouco?


Ah, e ainda tem o Aécio. O amigo com o qual Moro aparece às gargalhadas numa foto que ficou célebre. Sim, com Aécio, aquele que surge nos áudios negociando R$ 2 milhões em propina e dizendo que se delatassem mandava matar. Gargalhadas com Aécio e foto sorridente, em postura reverencial, com Temer. Já não é mais que suficiente?


Tudo isso talvez explique o silêncio de Sérgio Moro. Não foi só Temer que recebeu um golpe fatal com as revelações da JBS. É possível que outras sumidades sejam destronadas junto com ele.




quinta-feira, 18 de maio de 2017

Algumas cenas da entregas...


Imagens da entrega da propina a Aécio e MT


Conversa Afiada


Primo de Aécio e deputado foram flagrados em "ações controladas" da PF



publicado 18/05/2017
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Reprodução: O Globo
Do Globo:

As cenas que provam a entrega de propina aos indicados de Temer e Aécio


A delação da JBS, a mais dura em três anos de Lava-Jato, merece este título em grande parte devido às cenas a seguir. Nelas, o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), destacado pelo presidente Michel Temer para tratar com Joesley Batista dos interesses de seu grupo empresarial, é flagrado pegando R$ 500 mil em propina — a primeira parcela de um montante prometido de R$ 480 milhões. As cenas abaixo mostram esta entrega, ocorrida em 28 de abril deste ano.

As cenas também são devastadoras para o presidente do PSDB, o senador mineiro Aécio Neves. A Polícia Federal filmou o primo de Aécio, Frederico Pacheco de Medeiros, pegando, a mando de Aécio, R$ 1,5 milhão em propina — três quartos dos R$ 2 milhões que Aécio pediu, sem saber que era gravado, para Joesley. As cenas abaixo mostram a primeira entrega, ocorrida em 12 de abril deste ano.

Já o presidente do PSDB indicou o primo Frederico Pacheco de Medeiros para receber o dinheiro. Fred, como é conhecido, foi diretor da Cemig, nomeado por Aécio, e um dos coordenadores de sua campanha a presidente em 2014. Tocava a área de logística. Quem levou o dinheiro a Fred foi o diretor de Relações Institucionais da JBS, Ricardo Saud, um dos sete delatores. Foram quatro entregas de R$ 500 mil cada uma. A PF filmou três delas. As cenas abaixo mostram a primeira entrega, ocorrida em 19 de abril deste ano.

As filmagens da PF mostram que, após receber o dinheiro, Fred repassou, ainda em São Paulo, as malas para Mendherson Souza Lima, secretário parlamentar do senador Zeze Perrella (PMDB-MG). Mendherson levou de carro a propina para Belo Horizonte. Fez três viagens — sempre seguido pela PF. As investigações revelaram que o dinheiro não era para advogado algum. O assessor negociou para que os recursos fossem parar na Tapera Participações Empreendimentos Agropecuários, de Gustavo Perrella, filho de Zeze Perrella. As cenas abaixo mostram a primeira entrega, ocorrida em 12 de abril deste ano. (...)

Moro vai em cana?


A Lei é para todos menos para tucanos...



não há nenhuma relação entre prender torturar e chegar a verdade










Não deixem essa foto cair no esquecimento!!!!!!!!


Procurador da República (sic) vai em cana
Tava demorando...



Conversa Afiada


publicado 18/05/2017



A Polícia Federal foi ao Tribunal Superior Eleitoral nesta quinta-feira (18) cumprir mandados de busca. A intenção é encontrar documentos que possam servir de prova contra o procurador da República Ângelo Goulart Villela, que trabalha na Corte Eleitoral, e que foi preso pela corporação pela manhã. (...) Segundo a assessoria de imprensa do TSE, o procurador foi preso por suposto envolvimento com a operação Greenfield – que apura fraudes em fundos públicos de pensão e favorecimento a uma empresa de celulose controlada pelo conglomerado J&F, que também abarca o frigorífico JBS.

(...) A operação teria tido início após a delação do dono do frigorífico JBS, Joesley Batista, que entregou à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma gravação do senador Aécio Neves pedindo a ele R$ 2 milhões. No áudio, com duração de cerca de 30 minutos, o presidente nacional do PSDB justifica o pedido dizendo que precisava da quantia para pagar sua defesa na Lava Jato. (...)




Antes, o Conversa Afiada havia publicado:


Do Estadão:

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu a prisão do presidente nacional do PSDB, Aécio Neves (MG), mas o ministro Edson Fachin considerou que esta é uma decisão que cabe ao plenário do Supremo. Fachin determinou o afastamento de Aécio do mandato de senador e buscas em endereços dele, inclusive no gabinete do Senado, como revelou a Coluna (...)



Agentes da Polícia Federal e do Ministério Público Federal realizam operação da força-tarefa da Lava Jato desde o início da manhã desta quinta-feira (18), no Rio de Janeiro. Segundo a Polícia Federal, com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), estão sendo cumpridos um mandado de prisão contra Andrea Neves, irmã do senador Aécio Neves, além de mandados de busca a apreensão nos apartamentos do senador, da irmã dele e de Altair Alves Pinto, conhecido por ser braço direito do deputado Eduardo Cunha.

Por volta das 6h15, pelo menos 5 carros descaracterizados da Polícia Federal chegaram à chapelaria do Congresso, em Brasília, que é a principal entrada e a mais utilizada pelos parlamentares. No Congresso, as buscas são feitas nos gabinetes de Aécio, do também senador Zeze Perrella (PMDB-MG) e do deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR).

Um procurador da República foi preso e há mandado de prisão contra o advogado Willer Tomaz, que é ligado a Eduardo Cunha. A PF também faz buscas no Tribunal Superior Eleitoral, onde atua o procurador da República preso. (...)

Em Ipanema, um chaveiro foi chamado para auxiliar o trabalho dos agentes, já que ninguém foi encontrado para abrir a porta no apartamento de Aécio. O senador já responde a seis inquéritos no Supremo Tribunal Federal. Por volta das 6h25, os agentes conseguiram entrar no apartamento após acionar um chaveiro para abrir a porta. (...)



E seu voto foi para um mandante? Isso é que dá ficar grudado na grobobo...


Gravação sepulta Aécio, que diz que “mata antes de delação”



Tijolaço




POR FERNANDO BRITO · 17/05/2017






Meia hora de gravação, feita no dia 24 de março, no Hotel Unique, em São Paulo, são o epitáfio de Aécio Neves na cena politica brasileira.

O Globo narra os detalhes:

“Joesley pergunta como poderia fazer a entrega das malas com os valores. “Se for você a pegar em mãos, vou eu mesmo entregar. Mas, se você mandar alguém de sua confiança, mando alguém da minha confiança”, propôs o empresário”

Aécio foge do flagrante pessoal, mas a gravação o entrega, inclusive com uma ameaça de assassinato:

O senador respondeu: “Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho”

Frederico Pacheco de Medeiros, ex-diretor da Cemig, nomeado por Aécio, e um dos coordenadores de sua campanha a presidente em 2014 foi filmado em uma das quatro entregas de R$ 500 mil.

O dinheiro foi entregue a Mendherson Souza Lima, secretário parlamentar do senador Zezé Perrella (PMDB-MG) que o transportou para Belo Horizonte. Daí, para a conta da Tapera Participações Empreendimentos Agropecuários, de Gustavo Perrella, filho de Zeze Perrella.

Cumpre-se a profecia de Aécio Neves, feita na gravação: “tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação”.

Aécio não precisa de delação.

Está morto.





Então, Moro... o Temer sabia de tudo e de todos?

Moro precisa explicar ao país, porque não quis ouvir a denúncia de Cunha sobre Temer










Será que se a delação de Cunha fosse contra Lula, Moro consideraria apenas “chantagem” e não abririam um processo criminal contra o ex-presidente?





Globo

SÃO PAULO – Em despacho desta sexta-feira, o juiz Sérgio Moro afirmou que o ex-deputado cassado Eduardo Cunha, mesmo preso, não abandonou o modus operandi de extorsão, ameaça e chantagem e tentou constranger o presidente Michel Temer. Segundo Moro, Cunha tentou constranger o presidente ao arrolá-lo como sua testemunha de defesa e incluir perguntas sobre o relacionamento de Temer com José Yunes, amigo e ex-assessor. Nos questionamentos, a defesa de Cunha indagou se Yunes havia recebido alguma contribuição de campanha para alguma eleição dele próprio ou do PMDB e se as contribuições, caso tenham sido recebidas, foram ou não declaradas. Temer enviou aos respostas ao juízo por meio de carta.
Em deleação premiada, o ex-vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Odebrecht Cláudio Melo Filho afirmou que a empreiteira entregou R$ 4 milhões no escritório de José Yunes, em São Paulo.
Moro classificou a atitude de Cunha como “reprovável”:
(…)




Agora veja o que Cunha diz de Temer:





Tijolaço 


Sei que é um sacrifício acima e além do dever cívico, mas tive a pachorra de assistir o depoimento de Eduardo Cunha a Sérgio Moro, de quase três horas. (aqui, no Estadão)

E no final do post coloco o trecho que reputo mais importante, onde ele responsabiliza diretamente Michel Temer pela aprovação dos diretores da Petrobras que seriam os operadores do PMDB na empresa.

Antes, descrevo a impressão que me ficou do show de hipocrisia.

Impressionante como, apesar do asco que a figura do ex-presidente da Câmara, ele se expressa com muito mais segurança que seu inquisidor, Sérgio Moro, que fica, praticamente, naquilo que está noticiado na mídia.


A história dos trustees não avançou um milímetro, exceto pelo fato de que não está ali o grosso das vantagens e do ervanário de Cunha.

Moro se baseava, volta e meia, em entrevistas dadas à imprensa, que Cunha rebarbava, com toda a razão jurídica, dizendo que estava ali para discutir depoimentos e não notícias que possam ter sido veiculadas apenas em parte.

Em momento algum Cunha foi colocado diante de evidências irrespondíveis.

O Ministério Público, que estranhamente não escala as “estrelas” da Força Tarefa para estes interrogatórios, mas apenas para as apresentações de powerpoint sobre Lula, estava representado por um procurador anônimo.


Nem mesmo a evidente contradição entre a alegação de Cunha de que não administrava nem podia fazer movimentação dos trustees e um deles pagar as contas do cartão de crédito o Dr. Moro teve capacidade de expor e cobrar explicação do réu.

O mais importante nem sequer mereceu perguntas ou aprofundamento: Cunha disse que Michel Temer foi o grande árbitro da nomeação de diretores da Petrobras.

É, no mínimo, estranho que numa instrução criminal isso não chame a atenção, nem do juiz, nem da imprensa.

A impressão que fica, mesmo com todo o nojo que se possa ter de uma figura como Eduardo Cunha, é que não há a menor preocupação de apurar a verdade, mas a de fazer apenas o papel de moralizador.

E, acima de tudo, como mesmo ainda não descendo aos fatos mais crus, Cunha faz questão de mostrar que Temer está em suas mãos, embora a mídia não o queira ver.











Leia também:




STF passa por cima de Moro e decreta prisão de Aécio e sua irmã




Justiça Federal expediu mandado de prisão contra Andrea Neves, irmã do senador Aécio Neves (PSDB-MG); …




sábado, 6 de maio de 2017

Demarcação Já!

Pelo direito à terra, pelo direito à vida!

#DemarcaçãoJá



Pelo respeito e pelo direito
À diferença e à diversidade
De cada etnia, cada minoria,
De cada espécie da comunidade

De seres vivos que na Terra ainda há,

Demarcação já!
Demarcação já!







Letra: Carlos Rennó
Música: Chico César
Direção: André Vilela D'Elia
Produção: Cinedelia
Assista também em: cinedelia.com

Artistas:
Ney Matogrosso
Maria Bethânia
Gilberto Gil
Djuena Tikuna
Zeca Pagodinho
Zeca Baleiro
Arnaldo Antunes
Nando Reis
Lenine
Elza Soares
Lirinha - José Paes de Lira
Leticia Sabatella
José Celso Martinez Corrêa
Tetê Espíndola
Edgard Scandurra
Zélia Duncan
Jaques Morelenbaum
Dona Onete
Felipe Cordeiro
Criolo
Marlui Miranda
BaianaSystem
Margareth Menezes
Céu

Com participação de:
Eduardo Viveiros de Castro
André Vallias
Ailton Krenak


quarta-feira, 15 de março de 2017

a farsa do déficit da previdência

Você sabe como funciona a farsa?



Como funciona a farsa do ROMBO da previdência social!











Desmascarando a Farsa do Rombo da Previdência







O rombo está em outro lugar







Reforma da previdência é roubo art.171






assista a esses dois piadistas...
"a minha aposentadoria... eu nem vou dizer... kkk





a previdência não está quebrada

aprofundando a pobreza




a sociedade precisa se mobilizar contra esse ajuste canalha sustentado por uma mídia conservadora e políticos corruptos!










sexta-feira, 10 de março de 2017

uma mulher negra pode falar sem ser questionada de maneira hostil?


Admitam: vocês não querem ouvir as mulheres negras


Eu tive uma enorme esperança de que a internet brasileira seria resetada após o Grammy, principalmente em razão da “holy mother” Beyoncé. Porém, pelo o que tenho acompanhado já nessa manhã de segunda-feira, ainda estamos sobre a vigência sobre a polêmica que a moça branca instaurou, então eu vou tentar com muita paciência, escrever mais uma vez sobre as coisas que ninguém quer ler, mas que a gente escreve mesmo assim.
O primeiro fato sobre essa história toda é atestar o quanto a credibilidade da branquitude é forte. Ainda não há nenhuma comprovação da veracidade da história contada pela moça. As machetes de jornais e veículos da mídia online chama de “polêmica após usar turbante”, mas a polêmica não se instaurou pelo uso do turbante. A polêmica se instaurou porque a garota contou uma história e essa história foi lida automaticamente como verdadeira. Na postagem a moça narra uma história que é difícil de engolir para qualquer pessoa que é militante do movimento negro ou convive com uma. E a primeira parte da cegueira da esquerda branca reside aí. A pouca ou quase nenhuma convivência com pessoas negras faz com que passe facilmente um cenário que qualquer negro acha no mínimo questionável.
A polêmica não se instaurou pelo uso do turbante. A polêmica se instaurou porque a garota contou uma história e essa história foi lida automaticamente como verdadeira.
Eu também vivo no sul do Brasil, no Rio Grande do Sul mais precisamente, e por aqui o racismo bate numa frequência constante. Preto no sul do Brasil é praticamente invisível. A peculiaridade do relato da moça é que não há como verificar o que ela diz. Descreve uma situação onde não há nomes de quem supostamente atacou, numa descrição do suposto fato que aparenta ser bem ficcional. Chamo atenção inclusive para o apontamento a respeito da beleza das supostas agressoras.
Na historieta contada por Thauane ela diz : “Comecei a reparar que tinha bastante mulheres negras, lindas aliás[…]”. O uso da linguagem aqui é bem alegórico, a menção a beleza parte daquele velho estratagema de se afastar previamente da pecha de racista, afinal, como a moça poderia ser racista se ela inclusive é capaz de ver a beleza das pessoas negras que a agrediram?
O relato de Thaune reascendeu a discussão sobre apropriação cultural e lugar de fala, ambas ignoradas frequentemente pela branquitude, mas que tomaram o centro desse debate porque foram trazidas a baila por uma pessoa branca. E reside aí o principal sobre esses termos. Essa discussão é sempre ignorada por pessoas brancas. Agora, além de ignorada ela tem sido deturpada.
A primeira questão sobre o debate referente a apropriação cultural, que me parece fundamental explicitar aqui, é que ele não passa sobre uma proibição coercitiva do uso de elementos culturais. Sempre achei que isso fosse uma obviedade, mas pelo que tenho lido, inclusive de pessoas eruditas da intelectualidade branca, não é. Portanto explico: a questão nunca foi sobre quem pode ou não usar turbantes, cocares, estampas africanas ou etc. A questão é: porque a estética dos povos não brancos pode ser tão facilmente utilizada pelos brancos e, quando é utilizada pelos povos que originaram essa estética (e sim, eu sei que não foram as mulheres negras que inventaram o turbante) ou colocaram algum significado de resistência sobre ela a mesma estética é ridicularizada ou fetichizada?
Porque uma mulher não negra que utiliza um turbante é vista com admiração e a mulher negra é vista com escárnio? Porque um turbante na cabeça de uma mulher preta é tido como uma “coisa” ridícula, caricata e na cabeça de uma mulher branca é uma peça “high fashion”? E, mais importante do que tudo isso, porque a branquitude se preocupa tanto com o seu direito de utilizar o que for, quando for, mas não tem a menor empatia com a ausência de direitos básicos das populações subalternas?
A internet comprou a história da moça sem nem pestanejar, a empatia automática se dá por dois fatores: primeiro, ela é branca. Segundo, ela tem leucemia.
As pessoas brancas já geram uma empatia automática, mulheres brancas ainda mais. A construção da ingenuidade e inocência da branquitude foi muito bem articulada no imaginário coletivo. De forma concomitante se construiu a imagem de ameaça, bestialidade e agressividade das pessoas negras. Essa condição é histórica e permanente, simples de observar quando se têm olhos de ver. A própria produção cinematográfica clássica atuou nessa construção: o branco herói, defensor de seus direitos tradicionais (propriedade, casamento, civilidade) contra os indígenas e negros bárbaros e violentos. Mulheres negras e indígenas sendo estupradas e vilipendiadas nas telas dos cinemas por fazerem parte desses povos bárbaros, enquanto mulheres brancas ostentavam nas telas beleza, doçura e a angústia pela vida dos heróis que defendiam sua honra e castidade. Essa construção, que esta incutida em todos nós, é responsável pela aceitação tão automática e não questionável de relatos como o de Thauane.
Por outro lado, quando uma mulher negra discorre sobre qualquer situação de violência ou constrangimento, ela está se vitimizando e é, na mesma hora, bombardeada com um sem fim de indagações sobre os “comos” e “porquês”.
Outro aspecto relevante que tenho observado nas redes a partir desse debate, é a insistência da branquitude em infantilizar e domesticar o negro. Lélia Gonzales aponta isso com primazia em seu artigo “Racismo e Sexismo na Cultura Brasileira”, e os discursos que surgiram com a tentativa de “colocar o negro no seu devido lugar”, a maioria tirando proveito desse episódio para negar o que se tem acumulado sobre as pautas das mulheres negras, demonstra o quão correta é análise da autora.
A branquitude, intelectualizada infantiliza os intelectuais negros, escreve sobre esses conceitos como se nós não tivéssemos conhecimento suficiente para articular por nós mesmos o que é relevante o que não é. Considerando os aspectos do processo de escravização, as construções sociais criadas pelos brancos sobre o negro, e o racismo enquanto fenômeno estruturante das relações sociais, há aqui um contínuo da percepção do negro como um ignorante que quase nada sabe sobre o que fala ou pensa, logo, é nas articulações da intelectualidade branca que se fundamenta o que é valido. A própria concepção do que seja conhecimento, a partir da ideia neutralidade se dá sobre uma centralidade branca. Logo, difícil fazer qualquer tipo de debate fundamentado com a branquitude, ela está demasiado acostumada com a ideia de falar e, jamais, de ouvir.
A branquitude está demasiado acostumada com a ideia de falar e, jamais, de ouvir.
Na outra ponta das interações da branquitude temos a atuação pelo escárnio dos setores da direita. E o episódio da garota paranaense caiu como uma luva para essas pessoas. Pouco tempo depois do episódio, soube que a moça foi contratada pela Alezzia, e aparentemente as mulheres brancas feministas que querem o “direito”(que aliás, nunca foi negado) de usar turbante esqueceram do recente episódio onde a marca de móveis não só veiculou uma peça publicitária que objetificava mulheres como, não satisfeita, ironizou as acusações de machismo com requintes de crueldade típicos dos trolls de internet. Nem mesmo o contrato firmado pela moça com esse tipo de empresa colocou os setores de esquerda que estão firmes na desarticulação das falas e opiniões das mulheres negras para refletir sobre o que de fato está inscrito nesse episódio. E ainda tem a capacidade de cobrar empatia e a famigerada “sororidade” feminina.
Por fim, quero convidar os meus leitores a uma reflexão breve, meus leitores não negros, especialmente aqueles que acham que local de fala, protagonismo das minorias que em verdade são maiorias são besteiras e que tudo se resolve com o critério eurocêntrico de classe. A proposta é simples: vocês conseguem, por um segundo, imaginar uma situação em que uma mulher negra pode falar sem ser questionada de maneira hostil? Vocês são capazes de compreender que a necessidade desses conceitos se dá porque durante toda a história da humanidade a produção de conhecimento e toda a formulação política existente se deu ignorando totalmente o que a população negra tem a dizer ? É possível compreender que a gente troca fácil o uso indiscriminado do turbante pelo direito a ter uma expectativa de vida que supere os atuais índices? Dá para empreender o mesmo esforço em desarticular as construções e contributos da negritude em fortalecer a luta contra o genocídio da população negra e pela equiparação dos índices sociais entre não negros e negros? Dá para entender que inclusive, quem inventou o negro no Brasil foram vocês?
No continente africano meus antepassados não eram negros. A resistência dos povos não negros, como judeus e irlandeses, é tão facilmente reconhecida e tão naturalmente heroicizada exatamente porque são não negros. Nós, por outros lado, somos vistos como bárbaros pouco agradecidos. O esforço imaginário, sei, é profundo para todos vocês, mas sem ele, não há debate possível.
Por Winnie Bueno, originalmente publicado no medium da autora
Imagem destacada: still do clip “Baby Got Back“, de Sir Mixalot, que originou a “Becky de cabelo bom” cantada por Beyoncé na canção Sorry




quarta-feira, 8 de março de 2017

Porto Alegre: Essa luta cresce!


David Coimbra e Marchezan Júnior estão errados
(por Prof. Alex Fraga)



SUL 21




Em sua coluna no jornal Zero Hora do dia 7 de março, o jornalista David Coimbra apresentou razões pelas quais acredita que “Marchezan está certo, os professores estão errados” (este era, aliás, o título do artigo) na questão da reforma imposta sem diálogo pela SMED à rede escolar do Município.

Respondemos, aqui, ao texto de David, para esclarecer alguns pontos equivocados da sua análise.

O colunista começa dizendo: “Para quem não sabe do que se trata: o prefeito quer que os professores fiquem mais tempo com os alunos em sala de aula. São 15 minutos a mais de aula por semana para o professor, o que resulta em três horas e 45 minutos a mais para o aluno. Para o professor, pouco; para o aluno, muito.

Isso é uma mentira da prefeitura repetida inocentemente pela imprensa, que também parece não saber do que se trata. O que acontece de verdade nas escolas: hoje, os alunos entram na escola às 7h30min e saem às 12h. Pela imposição da SMED, os estudantes entrariam na escola às 8h e sairiam às 12h. Isso dá meia hora a menos por dia.

David continua assim: “Para alcançar esse resultado, as escolas não podem mais dispensar os alunos às 10h nos dias de reunião pedagógica semanal. Os alunos, agora, têm de ficar com um professor substituto durante as reuniões.”

Ora, esse “professor substituto” que surgiu, sabe-se lá como, no texto na reforma da SMED é uma entidade mitológica que ninguém na prefeitura é capaz de explicar. NÃO EXISTE essa figura nas escolas e a contratação de substitutos para atuarem durante as reuniões é algo muitíssimo improvável de acontecer, já que a plataforma de Marchezan Júnior é de REDUÇÃO de gastos e não de contratação de mais pessoal. Com quem ficarão os alunos durante as reuniões? O próprio secretário Adriano Naves de Brito, em comparecimento à Câmara, afirmou que caberá à administração escolar definir quem será o responsável pelos alunos durante as reuniões, sem oferecer qualquer tipo de suporte para as direções. A SMED cria o problema e não oferece a solução.

Em seguida, David questiona a própria necessidade de reuniões pedagógicas nas escolas: “Fui aluno, minha mãe foi professora, meu filho é aluno, conheço algo dos sistemas de educação do Brasil e dos Estados Unidos, e nunca tive notícia dessa necessidade de as escolas cortarem meio dia de aula todas as semanas. Sempre tive aula de segunda a sexta, às vezes sábado, no mínimo das oito ao meio-dia, não raro tendo de voltar à escola à tarde para a educação física. Por que não pode ser assim nas escolas municipais de Porto Alegre?”.

Caro David, as reuniões pedagógicas são uma CONQUISTA da rede municipal de Porto Alegre e, além disso, cumprem o disposto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, no Plano Nacional de Educação e os Parâmetros Curriculares Nacionais, que determinam um trabalho interdisciplinar nas escolas. Nossos professores e professoras precisam planejar as atividades pedagógicas e construir planos integrados de ação, e TODOS os membros da equipe têm de participar. Para haver interdisciplinaridade, os profissionais das diferentes disciplinas precisam sentar e dialogar.

Além do mais, querer que cada minuto da carga horária seja cumprido dentro da sala de aula, sem espaço para atividades de planejamento, é uma visão mercadológica do ensino. Escola não é linha de montagem e o trabalho do professor não é quantitativo, mas qualitativo. Planejar é parte fundamental do processo pedagógico e isso deve ser feito dentro da carga horária dos profissionais na escola.

O colunista continua seu texto fazendo uma ode ao servilismo e à moral bovina: “O prefeito não tem apenas o direito de mudar os horários dos professores, tem obrigação de fazê-lo, se é algo compatível com o programa que apresentou nas eleições. Você, assalariado, decide os horários da empresa em que trabalha? Os professores poderiam perfeitamente aceitar a mudança e colaborar para que fosse aperfeiçoada. Mas, não. O que há é manha.”

Talvez o jornalista não saiba, pois a educação não é a sua área direta de trabalho, mas uma das dimensões fundamentais do ensino público é a GESTÃO DEMOCRÁTICA. Nossas escolas não são linhas de montagem controladas por capatazes, mas espaços horizontais de construção coletiva de conhecimentos e de práticas. Em vez de dialogar com as comunidades escolares e propor uma reforma que contemplasse a realidade das escolas e as necessidades dos estudantes e professores, o prefeito e seu secretário inventaram uma reforma que muda o que não precisa ser mudado e precariza as atividades pedagógicas.

O resto do artigo nem merece resposta, pois o autor para de tratar da reforma do ensino para dizer que o Brasil virou um caos porque o brasileiro reclama demais. Sua solução para melhorar o país parece ser sugerir que o povo baixe a cabeça e aceite o que vem de cima, sem contestação.

As comunidades escolares de Porto Alegre, que, felizmente, discordam do colunista, estão fazendo justamente o oposto: resistindo ao autoritarismo de Marchezan Júnior e de seu secretário de Educação. Não estamos sozinhos nessa luta; os estudantes e seus pais estão ao nosso lado na busca por um ensino melhor, por uma cidade melhor. Na mesma manhã em que a coluna de David Coimbra foi publicada, alunos e familiares se reuniram em frente à EMEF Villa-Lobos, na Lomba do Pinheiro, para protestar contra as modificações autoritárias. Essa luta cresce nas demais escolas da rede e não cessará enquanto a voz das comunidades escolares e não for ouvida.

Todo nosso apoio a quem vive a educação: estudantes, familiares, professores, equipes diretivas e funcionários das escolas.

.oOo.

Prof. Alex Fraga é vereador de Porto Alegre pelo PSOL.

quinta-feira, 2 de março de 2017

a intimidade na escola

um ótimo retorno para todos e todas... que saibamos não fugir da boa luta





"não existe lugar mais íntimo e acolhedor na escola que a sala de aula. por que eu sou professor? espera um pouco, já respondo. não, não estou rindo da pergunta. estou sorrindo para a resposta: a sala de aula... a resposta está na sala de aula! que pode e deve estar em qualquer lugar." baitasar

































"e tudo espera aberto e decorado, o aluno que virá, e já chega, que a poeira do cortejo é uma névoa no oriente lento, e as mochilas luzem já na distância com uma madrugada sua." fernando pessoa*

































* alunos e mochilas é uma imperdoável e irresistível intromissão do baitasar

quarta-feira, 1 de março de 2017

Porto Alegre: e já fomos referência em avanços e cuidados...

... agora temos o prefeito dos retrocessos descuidados!




Apoie a manutenção do Projeto “Territórios Negros: afro-brasileiros em Porto Alegre”. Em nome do combate ao racismo, da diversidade e da democracia.



Manoel José Ávila da Silva:

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Igreja Nossa Senhora das Dores está no percurso dos Territórios Negros



Depois de superar muitos obstáculos, o Projeto “Territórios Negros: afro-brasileiros em Porto Alegre” passa hoje pela seu maior desafio, que é continuar atendendo estudantes, professores e comunidades de Porto Alegre, da região metropolitana, do interior do estado, de outros estados e até de outros países, mostrando que nossa cidade tem uma população afrodescendente e que essa população desenvolveu e desenvolve relações, práticas e vínculos sociais que definiram e configuram espaços públicos e privados de nossa cidade. Somos desafiados a continuar promovendo uma política pública de superação do racismo, da discriminação racial e das injustiças que ainda persistem em nossa sociedade, oriundas dos tempos da escravidão. Somos desafiados a continuar afirmando que Porto Alegre é uma cidade multirracial e pluriétnica. Somos desafiados a continuar tratando de temas como o racismo, desconstruindo as suas lógicas perversas no cotidiano escolar. Somos desafiados a perceber que as políticas de reparação e de ação afirmativas são imprescindíveis para que tenhamos uma sociedade brasileira mais justa. Somos desafiados a ver nossa cidade como um espaço que é compartilhado por diferentes culturas, em territórios específicos e justapostos, e que garantem mesmo a sobrevivência e a manutenção dessas culturas. Somos desafiados a contribuir para que tradições como o carnaval, a religiosidade, os espaços de convivência, entre tantas outras, e a memória viva dessas manifestações afro-brasileiras se mantenham vivas e ativas, reconhecidas e pulsantes. Somos desafiados a desenvolver uma atitude que estimule o reconhecimento das nossas, dos nossos outros e outras, que nos dê o sentido e a vitalidade da alteridade... Somos desafiados a construir políticas públicas dialogando com as comunidades. Enfim, somos desafiados a continuarmos sendo, tendo, praticando o princípio que vem no significado da expressão UBUNTU... eu sou quando todos somos!

A nova administração municipal, levando adiante a lógica do “Estado mínimo” e do desmanche dos órgãos públicos, da negação da diversidade e do não reconhecimento das diferenças, que se condensa na ação e na figura do prefeito Nelson Marchezan Júnior, e através da Companhia Carris Porto Alegrense especificamente, mas também por meio da Secretaria Municipal de Educação e das demais instituições governamentais municipais, quer extinguir o Projeto “Territórios Negros: afro-brasileiros em Porto Alegre”.


Estive na equipe que elaborou e colocou em prática o projeto, a partir de 2008, e participei intensamente e com muita emoção, do momento em que ele se tornou regular, em outubro de 2010, junto com colegas brilhantes, empenhados e dedicadíssimos. Comprometidos que éramos, e ainda somos, com o perfeito funcionamento dos serviços públicos de toda ordem.

Desde então já passaram por essa experiência de conhecimento/reconhecimento/identificação da e com a cidade e sua população negra mais de 50 mil estudantes, professores e cidadãos, mulheres, homens, jovens e crianças que recompuseram e reconfiguraram suas perspectivas em relação às suas próprias vidas. Negros, brancos, indígenas, locais e estrangeiros, que se fortaleceram nas suas falas e ações, na sua estima e no respeito ao olhar para um outro, uma outra, que se fazia vivo, viva bem diante de seus olhos...

Tudo isso ocorreu quando escolas infantis, do ensino fundamental, do ensino médio, universidade com alunos de graduação e pós-gradução, percorreram o trajeto dos territórios negros de nossa cidade no projeto que a atual administração municipal quer extinguir.

Porque não concordamos com o retrocesso, com a negação de nossa diversidade, porque desejamos a democracia, queremos que o Projeto “Territórios Negros: afro-brasileiros em Porto Alegre” seja mantido.


Manoel José Dos Porongos



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Algumas imagens da formação de professores e professoras nos Territórios Negros de Porto Alegre: mulheres, homens, jovens e crianças que recompuseram e reconfiguraram suas perspectivas em relação às suas próprias vidas como um espaço que é compartilhado por diferentes culturas

















































Algumas imagens dos estudantes (adultos, jovens e crianças) sendo desafiados a ver nossa cidade como um espaço que é compartilhado por diferentes culturas
































sábado, 25 de fevereiro de 2017

porto alegre: não esculhamba nossa educação... siô prefeito do PSDB

depoimento de ex-aluno da rede pública municipal de porto alegre


não esculhamba nossa educação siô prefeito



"Depoimento de ex aluno da EMEF PROFESSOR ANISIO TEIXEIRA, Lucas L. Ramos.

Sou filho da educação pública municipal (ensino fundamental) e estadual (ensino médio). Estudei apenas dois anos em uma escola particular.


Portanto, toda a minha formação tem origem no ensino público. Não só a minha. Minha irmã mais velha também estudou na mesma escola municipal, localizada no bairro onde crescemos e até hoje residimos.

Tenho acompanhado a questão dos professores municipais.
A prefeitura, aos 45 minutos do segundo tempo (pouco antes do início das aulas), resolveu mudar o tempo dos períodos em sala de aula para o ensino fundamental.

Tal distribuição temporal, diga-se, é a mesma desde, pelo menos, o ano de 1996 quando ingressei na primeira série.

Mas o nosso atual prefeito, sob o subterfúgio de estar focado no "aluno", resolveu modificar isso e esculhambar tudo.

O prefeito diz mais: que os alunos da rede pública municipal saem da escola sem saber absolutamente nada.

Sr. Prefeito, com todo o respeito. Toda a minha formação é pública (excetuando, óbvio, o ensino superior).

Não seria razoável deduzir que hoje, ao desempenhar a minha função de advogado, pudesse fazê-lo se eu tivesse saído da minha BASE sem saber nada. Digo mais: é provável que nem formação superior eu tivesse.

Vou usar outro exemplo, caseiro: a minha irmã teve acesso ao mesmo sistema de educação. É fisioterapeuta.

Nós, assim como grandes amigos que fiz na escola, saímos da educação pública municipal e, cada um de acordo com as suas escolhas, traçou seus caminhos e está tentando subir na vida. Nós aprendemos. Nós tivemos acesso ao ensino que o Sr. diz ser insuficiente.

O que me diferenciou, Sr. Prefeito, não foi a educação recebida na escola. Foi a ESTRUTURA FAMILIAR que eu, minha irmã e alguns amigos, sempre tivemos.

Estrutura que a maioria dos nossos colegas, vindos de comunidades extremamente carentes, jamais tiveram. Isso não é culpa da educação municipal, Sr. Prefeito.

Vou além: nunca fomos ricos. Mas meu pai sempre teve condições de nos oferecer o MÍNIMO necessário. Ele sempre teve EMPREGO e RENDA, tendo autonomia e proporcionando dignidade para a nossa família.

Repito: não somos e nunca fomos ricos. Talvez, jamais seremos, aliás.

Mas eu jamais poderei me comparar aos meus colegas que não tinham absolutamente nada. Essa é a realidade da maioria dos alunos que frequentam a rede municipal de ensino.

Eles têm acesso ao mesmo ensino que eu tive, porém, em condições absolutamente diversas.

Então o problema não é a educação municipal. Não são os professores. Não é a estrutura das escolas.

O problema é que ninguém (políticos) pensa a respeito de uma plataforma que aprendi muito com o meu amigo Nelson Naibert: geração de emprego e renda. É a famosa tríade sempre presente em época de campanha: educação, saúde e segurança. E isso não é entregue para a população, pois, desde sempre temos problemas nestas áreas. Insistem sempre nessas teclas.

Deveriam pensar em formas de garantir o acesso ao emprego e renda. Isso afetaria de forma positiva as 3 áreas "chaves". O Nelson sempre falou sobre isso e, como bom ouvinte, compreendi e tirei as minhas conclusões. Me vejo como um exemplo claro disso.
É isso.

Não sou brilhante. Não sou excepcional. Não sou melhor que os demais. A única coisa que me diferenciou, foi isso: a minha família tinha essa autonomia e, infelizmente, a família de muitos que estudaram comigo beirava a miserabilidade. A única refeição, por exemplo, era dentro da própria escola.

A minha família, estruturada, me educou. Na escola MUNICIPAL, busquei o CONHECIMENTO.

Mas, reitero, o acesso ao ensino foi o mesmo. Os professores foram os mesmos e a estrutura era a mesma.

Jogar para a torcida é fácil, Sr. Prefeito.

Toca na ferida. Vai no ponto certo. Não esculhamba a nossa educação com medidas irrelevantes e prejudiciais."

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Porto Alegre: INCRÍVEL ISSO, MAS CONTAMOS COMO AULA ALUNOS NAS SUAS SALAS COM SEUS PROFESSORES!!

Sou de um tempo em que...



... os professores após as férias e o recesso escolar tinham reencontros, hoje temos conflitos de guerras e mentiras e sprays de pimenta no retorno dxs professorxs. o psdb de porto alegre vai repetir o richa do paraná? vai piorar? vai imitar o pmdb do governador Sartori do rs e do golpista? não vai pagar em dia?



"Texto da competentíssima colega Marileise Caldeira. Mitou!!!



Parte 2: Do café da Manhã e Almoço


Minha colega Soraya da Silveira Franke já esclareceu, mas é sempre bom repetir.


Mentira 1: De acordo com o Secretário os pro...f. ficam das 7H 30m até as 8h olhando os alunos mascarem pão e contam como aula.

A VERDADE: Os alunos tomam café a partir das 7h 15m. 7h 30m quando dá o sinal nos levamos a turma para sala e damos aula. INCRÍVEL ISSO, MAS CONTAMOS COMO AULA ALUNOS NAS SUAS SALAS COM SEUS PROFESSORES!!




Mentira 2: Tb de acordo com o secretário passamos mais de 1 hora no refeitório sem fazer nada enquanto os alunos almoçam.

A VERDADE: os alunos do 5º ano em diante almoçam depois das 12h. Eles tem aula das 7h 30m até às 12h em sala de aula com seus profs. Do 1º ao 4° ano nós os levamos ao refeitório para almoçar. E aqui uma pausa para a fala da Ranzolim que pergunta: Pra que precisa? Nas escolas privadas e do estado os prof. ñ acompanham!! Pelo amor de Deus quanta desinformação em uma única frase!

Ficou até feio!! desde quando escola privada DÁ almoço? (me corrijam se estiver errada, ñ quero pagar o mesmo mico). Escola estadual com almoço? Jesus, eles mal ganham um leite com bolacha e com muita sorte meia cumbuca de arroz ou massa. E os profs os levam sim até o refeitório para receber esse parco lanche.

Nas escolas municipais eles tem almoço: feijão, arroz, salada e carne. E usam garfo, faca e pratos de vidro (a Secretaria da Saúde proíbe utensílios de plástico) . Acham que não precisam ser acompanhados? Em casa os pais deixam seus filhos pequenos lidarem com esses objetos e comida quente sozinhos? E os alunos com necessidades especiais? Nas escolas tem alunos que são os profs que os alimentam. Além disso é pedagógico SIM porque falamos da importância de cada alimento, das vitaminas, ñ encher o prato, ñ desperdiçar alimento e como manejar os talheres. Outro motivo é que em nossos refeitórios cabem em torno de 6 turmas, bem espremidos, por isso o almoço dos porque é escalonado e não demora mais de 20 min. E à tarde o almoço ocorre da mesma forma q o café, antes do sinal de entrada.

As DUAS HORAS que o sr. Secretário diz que passam comendo não dura mais de 20 MINUTOS.




quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

ERA DE AUTORITARISMO, SUPERFICIALIDADE E INCOMPETÊNCIA

sobre autoritarismo e competência para ser incompetente




"Vale muito a pena ler esse texto. Ele explica com riqueza de detalhes o que os educadores de Porto (ex) Alegre estão defendendo com tanta garra e determinação. Não vamos nos calar frente a tamanha arbitrariedade."



"Texto do ex-colega da rede e hoje professor universitário de instituição federal no Nordeste Mateus Gonçalves!"



"Não pensem que nos calaremos ou desistiremos facilmente, golpistas covardes!

É estarrecedor o que acontece no sul de nosso país. A capital que já foi farol do mundo em matéria de educação, hoje agoniza nas mãos de irresponsáveis que destroem o que levamos décadas para construir coletivamente, e com participação popular.

O sonho de uma escola cidadã, com sensibilidade e respeito à municipalidade, hoje acordou entristecida, e vive momentos que nem nos piores pesadelos se pôde imaginar.

Vejo, à distância e impotente, minhas/meus companheir@s de anos sendo menosprezad@s e enganad@s, atingid@s pelas costas por uma ação covarde de uma prefeitura que age arbitrariamente e antes do retorno de professoras/es a suas escolas.

Chamam de "folga" aquilo que foi conquista daquelas/es que vieram antes de nós, e que construíram com muito suor, espaços de discussão coletivos, e que possibilitaram por décadas, a concretização de escolas onde o diálogo e a participação popular eram o desejo e a realidade.

A cada dia em que nos encontrávamos com noss@s estudantes às 7h30min, muitos dos que hoje acusam educadoras/es de preguiços@s e corrupt@s (sim, pq quem recebe e não trabalha não tem outro nome!), estavam dormindo e começavam seu expediente somente às 9h (nem uma, nem duas vezes tínhamos que esperar até essa hora para conseguir falar com pessoas dentro de gabinetes, longe da realidade que nós profes tão bem conhecemos). Sempre trabalhamos a mais todos os dias em que estávamos nas escolas, o dia em que não comparecíamos era tão somente uma compensação, uma vez que não recebíamos horas-extras. Pergunte a qualquer servidor/a na escola municipal mais próxima.

Nossas reuniões pedagógicas sempre foram trincheiras de luta de ideias, debate de pensamentos, fruição de criatividade. Nas reuniões sempre pudemos discutir e construir um projeto de escola comum e coerente! Quem tem dúvida, procure quaisquer conselheir@s escolares, elas/es saberão explicar em detalhes a razão e a importância de cada reunião no interior das escolas municipais.

Não sejamos ingênu@s ao ponto de acreditarmos que não tínhamos problemas, nem tampouco superficiais em acreditar no que a mídia apresenta como "fatos" (sabemos que a verdade exposta nos grandes veículos de comunicação de massa, muitas vezes não passa de uma versão q prevalece).

Procure @s profes municipais, procure a equipe diretiva das escolas, fale com @s conselheir@s escolares, verdadeir@s guerreir@s q vêm sendo subestimad@s a cada gestão que têm ocupado lugares de poder na capital gaúcha.

Hoje estou deveras entristecido, mas não vou deixar com que tudo que construímos JUNT@S seja esquecido!! Estou aqui no sertão do nordeste, e cada estudante, futuro professor/a de teatro, saberá que numa cidade bem longe daqui, no sulzão de nosso país continental, fizemos de nossas utopias a realidade!

Essa realidade nos constituiu como educadoras/es, corre em nossas veias a força da escola cidadã! Quem viveu numa Porto, hoje não muito alegre, não esquecerá! Quem vive hj que continue acreditando em sua força! E quem, como eu, já fez parte desse maravilhoso coletivo de transformadoras/es de vidas, que não se cale e conte a todo mundo o que pode ser esse lugar de incríveis possibilidades chamado ESCOLA!

Força colegas!! Para sempre estaremos junt@s, crític@s e à frente da boa luta!!!

(*) Perdoem quaisquer erros ao longo desse texto, ele é daqueles que vêm do fundo da alma, cheio de caráter e talvez nem tão gramaticalmente correto quanto a correção que sempre pautou minha vida profissional, quando fui servidor na prefeitura de Porto Alegre."



* LEMBRO QUE QUEM ABRIU PORTAS E JANELAS PARA OS BONS DEBATES, PARTILHA DE IDEIAS E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS, ORGANIZOU FÓRUNS NACIONAIS E INTERNACIONAIS DE EDUCAÇÃO FORAM AS GESTÕES POPULARES, PT E PC DO B. DEPOIS DA SAÍDA DELES INICIOU-SE UMA ERA DE AUTORITARISMO, SUPERFICIALIDADE, INCOMPETÊNCIA."